Chevrolet Corvette SS XP-64, o primeiro automóvel construído pela GM para a competição

Clássicos 17 Abr 2026

Chevrolet Corvette SS XP-64, o primeiro automóvel construído pela GM para a competição

Como dito no título, o Chevrolet Corvette SS XP-64 ficará sempre na história como o primeiro automóvel concebido de raíz unicamente para competir por parte da General Motors e o primeiro Corvette a receber emblemas SS.

A ideia partiu do “pai” do Chevrolet Corvette, Zora Arkus-Duntov, convencendo a administração de que a publicidade gerada nas competições iria potenciar as vendas dos automóveis de estrada, mais propriamente do modelo Corvette. Com isso, participou com três automóveis de série nas Daytona Speedweeks em Fevereiro de 1956. Posteriormente, nas 12h de Sebring alinharam quatro Corvette já modificados. Ed Cole, que estava a observar essa competição, concluiu que apenas um automóvel concebido de raíz para competir poderia vencer.

Em Agosto de 1956 foi dada luz verde para avançar e começou a nascer um automóvel de competição, ainda sob a designação de XP-64, com muitos elementos inspirados no Jaguar D-Type e no Mercedes-Benz 300SL, uma vez que foi levado um exemplar de cada para o departamento de pesquisa da GM.

A carroçaria foi desenhada por Clare MacKichan, juntamente com Robert Cumberford e Anatole Lapine, produzida em magnésio e assente num chassis tubular construído em crómio-molibdénio inspirado no utilizado pelo Mercedes-Benz 300SL.

Ao nível mecânico estava equipado com motor V8 283 de 4,6L de cilindrada, injecção Rochester Ramjet, taxa de compressão de 9.0:1, com cabeças do motor e cárter em alumínio, árvores de cames mais agressivas conhecidas por Duntov, desenvolvendo uma potência de 310cv e um binário de 400Nm, para um peso de 839kg. Acoplado ao motor está uma caixa manual de quatro velocidades curtas e sincronizadas da Borg-Warner, que envia a potência para o diferencial traseiro Halibrand. A velocidade máxima do Corvette SS era de 290km/h, dependendo da relação do diferencial. A travagem estava a cargo de tambores nas quatro rodas, montados junto ao diferencial na traseira.

O objectivo seria ter dois automóveis capazes de competir nas 12h de Sebring do ano seguinte, ou seja, dali a seis meses, com um objectivo primordial de competir nas 24h de Le Mans. No final, apenas um automóvel foi construído e competiu nas 12h de Sebring de 1957 com os pilotos John Fitch e Piero Taruffi, desistindo ao fim de 23 voltas, após o qual a Chevrolet retirou-se da competição devido a uma penalização da AMA que não concordou.

Apenas cinco chassis foram construídos, um de testes, outro terminado e que competiu em Sebring e os restantes três ficaram inacabados. O protótipo de testes terá sido vendido a Bill Mitchell, para o transformar no protótipo do Stingray. O único exemplar completamente terminado ficou vários anos guardado na GM até ser doado ao Indianapolis Motor Speedway, estando em exposição no seu museu desde então.

Nos passados dias 27 e 28 de Fevereiro de 2025 foi levado a leilão, num evento organizado pela RM Sotheby’s em Miami com o objectivo de vender parte da colecção do museu da pista Indianapolis, sendo vendido por 7,7 milhões de dólares (cerca de 6,7 milhões de euros), superando as estimativas de venda e fazendo com que seja o Corvette mais caro de sempre vendido em leilão.

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