Arquivos • 25 Fev 2024
Walter Röhrl sagrou-se Campeão do Mundo de Ralis num Opel Ascona 400 há 42 anos
A 31 de Março de 1901, Heinrich Opel venceu a prova de montanha Königsstuhl, perto de Heidelberg, na Alemanha, num “Motorwagen” modificado. Este evento marcou o início da história de sucesso da Opel no desporto motorizado, que continua até aos dias de hoje numa ampla variedade de séries de competições.
Ao longo das décadas, a trajectória da marca levou-a desde as suas primeiras provas de subida de montanha, passando pelos Campeonatos Europeu e Mundial de Ralis, até às corridas de circuito com a Fórmula Opel, a Fórmula 3, o German Touring Car Masters (DTM) e o International Touring Car Championship (ITC).
Um sonho tornado realidade
A Opel estreou-se no automobilismo já no final do século XIX. Heinrich Opel, o segundo filho mais novo do fundador da empresa, Adam Opel, participou na primeira corrida internacional na Alemanha – a prova de longa distância “Aachen–Coblenz” – em Maio de 1899, ao volante de um Patent-Motorwagen “System Lutzmann”. Infelizmente, um problema técnico impediu-o de chegar à linha de meta.
Os irmãos Opel também participaram em corridas subsequentes, embora tivessem de esperar um pouco mais pelo seu primeiro verdadeiro sucesso. Porém, estas experiências iniciais lançariam as bases para a primeira vitória que se seguiria em breve. Isto porque os irmãos estavam constantemente a melhorar os seus automóveis e, acima de tudo, a aumentar a sua fiabilidade.

A 31 de Março de 1901, o momento finalmente chegou: Heinrich Opel entrou em pista num “Motorwagen” modificado para a primeira “corrida de montanha” no Königsstuhl. A corrida perto de Heidelberg, organizada pelo Rheinischer Automobilclub, é considerada a primeira na região metropolitana do Reno-Neckar e uma das primeiras provas de subida de montanha da Alemanha.
O veículo Opel de 5cv caracterizava-se sobretudo pelo seu peso reduzido: os guarda-lamas, os estribos, as luzes e os acabamentos tinham sido removidos. Quer de forma consciente ou inconsciente – os conhecimentos sobre aerodinâmica só viriam a influenciar o design automóvel muito mais tarde –, o fabricante de automóveis sediado em Rüsselsheim reduziu a resistência ao ar utilizando saias laterais em pele e uma cobertura tensa que se estendia desde a parte frontal plana até ao topo dos bancos. Tudo isto valeu a pena: Heinrich Opel completou o percurso de montanha de 4,5 quilómetros (com um desnível de 450 metros e troços com inclinações de até 16%) em 23 minutos no “Motorwagen” optimizado, deixando assim os seus concorrentes muito para trás.
A fiabilidade do automóvel foi particularmente impressionante e não apenas durante a corrida. Ao contrário de hoje, em que os automóveis de corrida são transportados para o circuito, Heinrich Opel fazia a viagem de ida e volta para o evento no seu próprio veículo em 1901. Ele percorreu o trajecto de 180 quilómetros em apenas quatro horas, atingindo uma velocidade média de 45 km/h, o que era uma velocidade média extraordinária naquela época.
Opel domina os primeiros anos de competição
Os irmãos Opel reconheceram rapidamente o potencial do desporto motorizado. O sucesso não só reforçou a imagem da jovem marca e dos seus produtos, mas o trabalho de desenvolvimento também teve um impacto positivo na fiabilidade de toda a gama de automóveis. E a Opel provou, no ano seguinte, que este sucesso inicial não foi um acaso. Uma nova parceria com o fabricante francês Alexandre Darracq deu um novo impulso à equipa Opel, dando origem ao Opel-Darracq, recém-desenvolvido, que estava numa liga à parte. Na segunda prova de subida de montanha no Königsstuhl, a 26 de Outubro de 1902, Heinrich Opel cruzou a linha de chegada em apenas 10 minutos e 15 segundos – mais de quatro minutos à frente do concorrente mais rápido seguinte.
A série de vitórias continuou: nos anos seguintes, a Opel garantiu mais pódios com os seus veículos de corrida. E em 1921, a equipa sediada em Rüsselsheim fez história no AVUS de Berlim. Mais de 200.000 pessoas compareceram à corrida de abertura no lendário circuito urbano. Fritz von Opel partiu num veículo de corrida Opel 8/25 hp de cor vermelha vibrante. Ao som dos aplausos da multidão, foi abrindo vantagem volta após volta. No final, deixou os seus concorrentes muito para trás e venceu após sete voltas com um tempo de 1:04:23 horas, o que corresponde a uma velocidade média de 128,84 quilómetros por hora.
Campeonato Europeu, Mundial de Ralis e ITC
Estes primeiros anos marcaram o início da longa tradição da Opel no desporto motorizado, que atingiu o seu auge entre os anos 70 e 90. Por falar em ralis, já em 1966 o sueco Lille-Bror Nasenius venceu o Campeonato Europeu para automóveis de turismo de série num Opel Rekord B, garantindo um dos primeiros grandes títulos internacionais de ralis da Opel.
A história da marca nos ralis, porém, está indissociavelmente ligada ao nome de Walter Röhrl. Em 1973, Röhrl e Jochen Berger terminaram como vice-campeões europeus num Opel Ascona e, em 1974, a dupla dominou o Campeonato Europeu de Ralis com seis vitórias na classificação geral e 120 pontos – o maior total de pontos alcançado até então – sagrando-se Campeã Europeia de Pilotos com ainda três etapas por disputar.
O título do Campeonato Europeu de 1974 marcou o início de uma carreira de ralis para Röhrl e para a Opel que, juntamente com o seu copiloto Christian Geistdörfer, culminou no título do Campeonato Mundial de Ralis de 1982 num Ascona 400 de 260 cavalos.

A Opel continuou a desfrutar de grande sucesso também nos circuitos. Em 1996, Manuel Reuter e a marca alemã garantiram a vitória no Campeonato Internacional de Carros de Turismo (ITC) com o emblemático Calibra “Cliff”, um carro de competição com motor V6 de 2,5 litros com 500 cavalos.
Em 2003, a equipa composta por Reuter, Timo Scheider, Marcel Tiemann e o então director de desportos motorizados Volker Strycek conquistou ainda uma marcante vitória nas 24 horas de Nürburgring num Opel Astra V8 Coupé.

Cento e vinte e cinco anos depois, o marco alcançado por Heinrich Opel permanece vivo no legado de uma marca em constante reinvenção, unindo as conquistas nas pistas aos avanços tecnológicos na estrada.
Imagens: Opel
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