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O Renault 5 Turbo mais extremo
Em Janeiro de 1980, a Renault apresentava o 5 Turbo destinado aos ralis, com o propósito de concorrer directamente com o Lancia Stratos no Grupo 4. Apesar da designação Renault 5, este modelo pouco tinha em comum com a versão tradicional, a começar pela carroçaria desenhada por Marc Deschamps na Bertone, e a acabar na colocação do motor na zona central traseira do automóvel. No total, foram construídas 4987 unidades até 1984, produzidas na fábrica da Alpine em Dieppe, distribuídas entre o 5 Turbo 1 (1820 unidades) e o 5 Turbo 2 (3167 unidades).
O motor é o eterno Cléon-Fonte de quatro cilindros em linha e 1,4L de cilindrada com válvulas à cabeça, aqui coadjuvado com a injecção Bosch K-Jetronic e um turbo Garrett T3. Na versão de estrada, debita 160cv às 6000rpm e 221Nm de binário às 3250rpm. A suspensão traseira foi extraída do Alpine A310 V6, enquanto que a caixa manual de cinco velocidades transitou do Renault 30 TX, rodada a 180 graus.
Para o Campeonato do Mundo de Ralis a Renault Sport extraiu originalmente 180cv do mesmo motor, passando posteriormente para os 210cv, até chegar aos 350cv na versão 5 Maxi Turbo de Grupo B. Foi um modelo bastante competitivo, vencendo logo o Rali de Monte Carlo na estreia com Jean Ragnotti ao volante, mas depressa o seu sucesso decaiu com o aparecimento das máquinas de Grupo B com quatro rodas motrizes.
No entanto, não só de ralis se faz a história do Renault 5, uma vez que a marca francesa utilizou também este modelo no campeonato francês de Supertourisme. Este destinava-se, como o nome indica, aos automóveis de turismo e, entre 1987 e 1988, foi permitido competir com modelos de Grupo B. A Renault viu aqui a oportunidade de reaproveitar o Renault 5 Turbo, uma vez que nos ralis já não era permitido competir com automóveis de Grupo B desde o final de 1986.
No total, a Renault Sport produziu apenas seis 5 Turbo para competir nesse campeonato, sendo que apenas três eram Superproduction, destinados aos pilotos Jean-Louis Bousquet, Jean Ragnotti e Erik Comas. O automóvel presente neste artigo, com o chassis número Ch 3-86, foi o que fez o campeonato completo pelas mãos de Erik Comas, que acabaria por vencer em 1987.
Estes Renault 5 Turbo tinham uma rollcage da Matter, chassis modificado pela Sonica de forma a baixar o centro de gravidade e aumentar a largura de vias, e o motor era trabalhado pela Sodemo Moteurs, utilizando a sua própria centralina, sistema de alimentação e ignição. Além disso, o colector de admissão era trabalhado, instalada nova árvore de cames e um turbo Garrett T4/T3 com internos em titânio, para a potência aumentar para os 410cv às 7000rpm com uma pressão de sobrealimentação a 3,2bar. A potência é transmitida às rodas traseiras através de uma caixa manual de cinco velocidades.
No passado dia 21 de Fevereiro foi levado a leilão, num evento organizado pela Iconic Auctioneers, aquando do Race Retro, sendo vendido por 331.875 libras (cerca de 382 mil euros).



