Modernos • 06 Jun 2019
Modernos • 20 Nov 2025
Gordon Murray celebra legado do McLaren F1 com o exclusivo S1 LM
Trinta anos após ter assinado aquele que muitos consideram ser o melhor supercarro de sempre, o McLaren F1, Gordon Murray regressa ao espírito desse verdadeiro ícone com uma criação profundamente especial.
Foi no evento The Quail, A Motorsports Gathering 2025 que a Gordon Murray Special Vehicles revelou o S1 LM — um tributo moderno ao McLaren F1 LM e ao triunfo absoluto em Le Mans em 1995.

O S1 LM nasce como o primeiro projecto totalmente encomendado da recém-criada divisão Gordon Murray Special Vehicles, estabelecida para levar ainda mais longe os sete princípios fundamentais do engenheiro sul-africano: Driving Perfection, Lightweight, Engineering Art, Premium Brand, A Return to Beauty, Exclusivity e The Customer Journey. Apenas cinco unidades serão produzidas, igualando a raridade do McLaren F1 LM original.
Um legado que começou com o McLaren F1
Em 1991, após três títulos consecutivos de Construtores e Pilotos na Fórmula 1, a McLaren desafiou o seu principal engenheiro, Gordon Murray, a criar o melhor automóvel de estrada possível. O resultado foi o McLaren F1, estreado em 1993, com soluções inéditas como o primeiro monocoque em carbono num modelo de produção, configuração de três lugares e um V12 atmosférico BMW de 627 cavalos. Atingiu 386 km/h, um recorde para veículos de produção, e tornou obsoleta toda a concorrência da época.

Apesar de não ter sido concebido para competir, Murray acabou por ceder à pressão de clientes e equipas privadas. O McLaren F1 GTR venceu de forma histórica as 24 Horas de Le Mans de 1995, terminando em 1º, 3º, 4º, 5º e 13º — a última vez que um verdadeiro GT de estrada venceu a prova à geral. Para celebrar esse feito, Murray criou posteriormente apenas cinco unidades especiais: o McLaren F1 LM.
S1 LM: O primeiro de cinco
Três décadas depois, o novo S1 LM procura reinterpretar o espírito desse preciso modelo histórico. Desenvolvido a partir da arquitectura do GMA T.50, depressa se tornou num automóvel completamente distinto — mais escultural, mais dramático e mais fiel às proporções do F1 LM. A silhueta “coke bottle”, os guarda-lamas musculados e a redução visual da massa conferem-lhe uma postura ainda mais dinâmica.
O chassis monocoque em fibra de carbono foi redesenhado em profundidade, eliminando a espinha central do T.50 e permitindo um tejadilho mais baixo e aerodinamicamente eficiente. O conjunto é mais leve, mais rígido e mais puro na sua intenção.

A mecânica é igualmente de excepção: um novo V12 atmosférico Cosworth de 4,3 litros, exclusivo do modelo, com mais de 700cv às 12.100rpm. Produz 501 Nm, sendo que 81% do binário está disponível às 2500rpm. Pistões revestidos a carboneto de silício, válvulas e bielas em titânio e cárter seco asseguram um carácter verdadeiramente de competição. Um sistema de escape em Inconel, protegido por folha de ouro de 18 quilates, presta igualmente uma homenagem profunda ao McLaren F1.
A transmissão é exclusivamente manual de seis velocidades, combinando elementos do T.50 e do T.50s Niki Lauda. A ligação mecânica é curta, directa e concebida para proporcionar uma experiência de condução tão analógica quanto possível.
Obra de engenharia e escultura automóvel
A obsessão pela redução de peso levou Murray a utilizar uma nova geração de fibra de carbono ultrafina — apenas 0,6 mm de espessura — resultando em painéis extremamente leves e com partes em Naked Polish Carbon Fiber, sem revestimento. As jantes são forjadas e ultraleves, e vários elementos interiores foram redesenhados para eliminar cada grama possível. De forma notável, o S1 LM foi o único modelo GMA/GMSV a ser desenvolvido com modelação tradicional em barro, permitindo um processo mais artesanal e emocional.
Na vertente aerodinâmica, recorreu-se a extensas simulações em CFD, com ensaios em túnel de vento programados — outra estreia na marca. O proprietário da primeira unidade será convidado a assistir pessoalmente aos testes.
Interior com alma, tecnologia e simbolismo
O cockpit conta com telemetria, cronómetro e sistema de análise de voltas por GPS. O pormenor mais simbólico encontra-se na manete da caixa, onde está embutido um raro cristal de quartzo com bolsas de óleo fossilizado, polido como uma gema — um símbolo de pureza e da filosofia do modelo.
Um projecto com significado pessoal
Gordon Murray trabalhou no S1 LM enquanto enfrentava um tratamento contra o cancro, tendo posteriormente revelado que o projecto foi decisivo para ultrapassar essa fase. Hoje em remissão, vê no S1 LM um símbolo de resiliência e o culminar da sua carreira.
Uma oportunidade irrepetível para coleccionadores
A primeira das cinco unidades será oferecida através de um processo de compra directo com a Gordon Murray Special Vehicles. O futuro proprietário não só poderá configurar o automóvel em detalhe como também participar em testes de desenvolvimento, interagir com Murray e com Dario Franchitti — director da marca e campeão IndyCar — e receber um monólito de 500 páginas com fotografias, especificações e notas manuscritas do próprio engenheiro.

Mais do que um supercarro, o S1 LM representa a essência concentrada de seis décadas de engenharia e a homenagem definitiva ao McLaren F1 LM. Uma peça única na qual máquina e arte se fundem, e que estabelece uma das experiências de aquisição mais exclusivas da história do automóvel.
Imagens: RM Sotheby’s



