Modernos 23 Jun 2024

Bugatti Tourbillon: O poder mecânico da emoção pura

Por Pedro Martins Costa

Foi revelado no final da passada semana o novo Bugatti Tourbillon (cujo nome deve ser pronunciado no nosso melhor francês), com uma ficha técnica superlativa: da combinação do motor V16 (uma configuração rara na indústria) aspirado, com mais de 8 litros de capacidade, com três motores eléctricos, é alcançada uma potência de 1800cv. Mil e oitocentos cavalos, escritos assim para nos apercebermos um pouco melhor – e na medida do possível – de tal magnitude.

São dados que catapultam o automóvel para velocidades que nem vale a pena colocar em números: é rápido, é extrema e absurdamente rápido.

No entanto, o que nos faz reter ainda mais a atenção são os detalhes. Muitos. Basta lembrar que, entre tantos (e são mesmo muitos) destes imensos detalhes, Mate Rimac (o novo CEO da marca) contratou um designer de chassis (isso mesmo) para o automóvel. Tudo isto nos desperta para a noção real de que este não é, “apenas”, uma evolução do Chiron. Se à primeira vista assim parece, basta reparar na frente cujas ópticas surgem nas extremidades do capot cujas linhas flutuantes fazem lembrar os arcobotantes das catedrais renascentistas, com a carroçaria assim esculpida a fazer o ar circular de forma eficiente e rápida (já afirmámos que se trata de um automóvel… mesmo rápido?) por entre os seus traços.


Rimac não quis fazer apenas um eléctrico Nevera com uma pele francesa. Teria todos os meios para o fazer, mas preferiu antes ousar e desenhar um capítulo à altura dos pergaminhos da marca.

Em tempos de crescente (e tantas vezes infeliz) digitalização de produtos, formas de comunicar e de agir, a Bugatti relembra-nos do poder mecânico da emoção pura. Olhamos para o painel de instrumentos e logo nos arrependemos de o ter chamado assim. É uma obra digna da mais fina relojoaria suíça, e traz em si a razão para o baptismo do modelo.

Com o Tourbillon, concluímos com segurança que podemos chamar de obra de arte a um automóvel de hoje. Ficamos sem dúvidas de que este, ainda antes da primeira ignição (feita através de um puxador certamente ‘roubado’ a um órgão de tubos da tal catedral renascentista), é já em si uma obra de arte, plena em si mesma.

Bravo, Bugatti.

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