Quando os cigarros fizeram mal à F1

Competição 16 Jan 2024

Quando os cigarros fizeram mal à F1

Por Paulo Alexandre Teixeira

A morte, como sabem… é uma coisa definitiva. Então, com o tabaco a colaborar, ainda mais. E claro, o automobilismo é uma profissão de risco. Aliás, se lerem os bilhetes para as corridas no Reino Unido, está sempre a seguinte frase: “Motorsport is Dangerous”.

Mas durante mais de três décadas, entre 1972 até ao inicio deste século, as tabaqueiras, que deram cabo de milhões de pulmões um pouco por todo o mundo, colocaram os lucros da sua atividade no automobilismo. Phillip Morris, com a Marlboro, Imperial Tobacco, com a John Plater Special, e R.J. Reynolds, dona da Camel, foram as principais, com outras mais secundarias, como a British American Tobacco, com a Lucky Strike, e a francesa SEITA, que tinha as marcas Gitanes e Gauloises, plasmaram os chassis de inúmeros carros de diferentes marcas. E muitos deles criaram fantásticos desenhos, que ficaram na memória de muita gente.

Mas em 1994, a Formula 1 poderia ter visto uma marca de cigarros… invulgar.


Tudo aconteceu com a Pacific, uma das recém-chegadas à Formula 1, a par da Simtek. Se esta última tinha a cadeia de televisão musical MTV, no caso da Pacific, que tinha sido fundada 10 anos antes por Keith Wiggins e com um bom palmarés na Formula 3000 através de gente como David Coulthard, não tinha nenhum patrocínio importante. Até que surgiu a Death Cigarretes. Sim, leram bem: Cigarros Morte! Apropriado a aquilo que o tabaco pode causar a longo prazo.

Fundada na Grã-Bretanha em 1991 por BJ Cunningham como Enlightened Tobacco Company, ele investiu as suas poupanças desde logo decidiu fazer uma campanha publicitária satírica, tendo como alvo os jovens. Com uma caveira e ossos cruzados, como no Jolly Roger, a banderia pirata, a marca era vendida nos Estados Unidos, Noruega e Finlândia, e também era vendida através do Luxemburgo, para evitar as taxas britânicas.

No inicio de 1994, Keith Wiggins, dono da Pacific, conseguiu um acordo com Cunningham para colocar autocolantes da Death nos seus carros, provavelmente transformando o bólide num carro preto com a caveira e ossos. O anúncio foi feito na semana do regresso da Formula 1 à Europa, em Imola, e cedo todos souberam que os carros de Paul Belmondo e Bertrand Gachot iriam ter uma publicidade… invulgar. Os autocolantes chegaram a Imola no Sábado do Grande Prémio e iriam colá-los, porque o negócio iria ser lucrativo, poderia ajudar bastante nas contas da equipa. Contudo, os eventos do GP de San Marino fizeram com que o negócio fosse abaixo.

Algo interessante aconteceu enquanto esta matéria estava a ser feita: uma outra versão acabou por aparecer. Numa das redes sociais, nos comentários, colocou-se a história de alguém com conhecimento do assunto que na semana em que a Pacific iria assinar o tal contrato dom a Death, alguns membros foram a Budapeste e começaram a ficar crescentemente desconfiados da natureza do negócio. Acabaram por não assinar porque ficaram convencidos que aquilo pertencia – alegadamente – à máfia húngara.

Independentemente das versões, o facto é o seguinte: os cigarros Death não apareceram nos flancos dos carros da Pacific, nem naquele fim-de-semana, nem mais vez alguma.

Para piorar as coisas, a companhia perdia cerca de um milhão de libras por ano, e publicitar no Reino Unido era cada vez mais complicado, por causa das leis que o governo estava a colocar para restringir a publicidade ao tabaco, apesar da… invulgaridade. Para piorar as coisas, alguns anos depois, acabariam por  ser processados por uma firma de bebidas chamada… Black Death. Foi o suficiente para que em 1999, a companhia declarasse falência e os cigarros saíssem de circulação.

E claro, agora conhecemos outra frase importante: “smoking causes cancer”. Fumar Mata. E há 30 anos, andamos perto de ter tudo… de forma literal.


 

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