As primeiras corridas de automóveis no Brasil

Clássicos 26 Jul 2023

As primeiras corridas de automóveis no Brasil

Por Irineu Guarnier

A primeira competição automobilística de velocidade de que se tem notícia no Brasil ocorreu no dia 26 de Julho de 1908, entre São Paulo e Itapecerica da Serra. O percurso de ida e volta somava 70 quilómetros, e a prova foi ganha pelo Conde Sílvio Penteado, com um Fiat de 40cv, no tempo de 1 hora e 30 minutos – à impressionante velocidade média de 50 quilómetros por hora.

 

O Rio Grande do Sul, vizinho do Uruguai e da Argentina, países onde as corridas de automóveis sempre foram muito populares, não poderia ficar para trás do que acontecia no centro do país e, em 11 de Abril de 1926, ocorre a primeira prova de velocidade, num troço de 146 quilómetros entre Pelotas e São Lourenço do Sul, vencida por um Buick (o nome do piloto é desconhecido), conforme o livro “Automobilismo no Tempo das Carreteras, em Especial no Rio Grande do Sul”, de Luiz Fernando Andreatta e Paulo Roberto Renner.

 

Porto Alegre, a capital mais meridional do Brasil, já conhecia corridas de automóveis em circuitos de rua, desde antes da Segunda Guerra Mundial, como as disputadas na Pedra Redonda, na Zona Sul da cidade. Era o tempo das carreteras – veículos das marcas Ford e Chrevolet, principalmente, aliviados de todo o peso considerado desnecessário (pára-lamas, pára-choques, bancos dos passageiros, forros internos, etc.) e com motores “mexidos” para aumentar consideravelmente o seu rendimento. Não era incomum que um carretera atingisse mais de 200 km/h em rectas. Brilhavam, nessa época, nomes como os dos irmãos Catharino e Julio Andreatta (Escuderia Galgos Brancos), Aristides Bertuol, José Asmuz, Diogo Ellwanger, Karl Iwers, e tantos outros. De 1958 a 1968, o circuito da Pedra Redonda foi palco da famosa prova 500 Quilómetros de Porto Alegre.

 

Outro circuito de rua muito popular era o da Cavalhada-Vila Nova. Os dois circuitos utilizavam a Avenida Cavalhada, só que em sentidos opostos. O da Pedra Redonda corria no sentido Bairro-Centro, em direcção à Avenida Otto Niemeyer. Já o da Cavalhada-Vila Nova, era percorrido no sentido Centro-Bairro. O circuito Cavalhada-Vila Nova tinha 6,5 quilómetros de extensão, era todo asfaltado e recebia até provas nocturnas. Em 1962, serviu de palco para a primeira prova 12 Horas de Porto Alegre.

 

Mas, em 1968, o vibrante automobilismo de competição do Sul do país sofre um duro revés: em consequência de diversos acidentes graves, alguns com vítimas fatais entre os espectadores, as corridas de rua foram proibidas em Porto Alegre. Imediatamente, os entusiastas da velocidade começaram-se a mobilizar para construir um autódromo, a exemplo do que já existia em São Paulo, desde 1940 (Interlagos). Em 8 de Novembro de 1970, é inaugurado o Autódromo de Tarumã, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que se viria a transformar no “templo sagrado do automobilismo gaúcho”.

 

Pela selectiva pista do autódromo gaúcho, passaram pilotos de várias categorias – inclusive da Fórmula 1 – famosos no Brasil e no Mundo, como os brasileiros Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace (Moco), Nelson Piquet, Ingo Hofmann, Rubens Barrichelo, Felipe Massa, o sueco Ronnie Peterson, o argentino Carlos Reutemann, o britânico Graham Hill, o francês Jean Pierre Jarrier, e os italianos Arturo Merzario e Giovanni Salvatti – que morreu na temida Curva 1, numa prova internacional de Fórmula 2, em 1971.

 

Ao longo da sua história, Tarumã ainda choraria muitas outras mortes, como as do locutor desportivo e piloto Pedro Carneiro Pereira, e do seu adversário em pista Ivan Iglesias, vítimas de uma colisão entre si (seguida de explosão e incêndio), na entrada da recta principal. Seis anos após a inauguração do Autódromo de Viamão, outro grupo de aficcionados inaugurava o Autódromo de Guaporé, na Serra Gaúcha. Mais tarde, o Estado ainda passaria a contar com modernos autódromos em Santa Cruz do Sul, e em Nova Santa Rita (Velopark), onde correm hoje algumas das principais categorias do automobilismo de competição brasileiro, como a Stock Cars e a Fórmula Truck.

 

Fotografias: Eduardo Scaravaglione

 

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