Berliet T100: O gigante do deserto

Clássicos 08 Abr 2023

Berliet T100: O gigante do deserto

O Rétromobile de 2019 teve muitas atracções, mas a maior de todas, literalmente, foi o Berliet T100. De certeza, que a maior parte dos aficionados, lembram-se da Berliet pelos camiões produzidos no Tramagal, na Metalúrgica Duarte Ferreira. Sem dúvida que foi uma das maiores linhas de produção automóvel em Portugal e que actualmente produz as Mitsubishi-Fuso Canter. A Berliet era uma marca francesa, fundada em 1899, conhecida pela produção de camiões mas que também produziu automóveis. Em 1967 foi adquirida pela Citroën e, posteriormente adquirida pela Renault, em 1974, fundindo-se com a Saviem, em 1978, para formar a Renault Trucks.

Em 1957, quando o projecto T100 se iniciou, a França era ainda uma grande potência colonial. O governo tinha iniciado uma operação de perfuração no Sahara argelino, depois de geólogos terem encontrado petróleo, em meados dos anos 50. Mas havia um problema, não havia um camião adequado para o serviço, pois uns eram bons a andar nas dunas, outros eram bons a transportar a maquinaria pesada, mas não havia nenhum que conseguisse os dois. Então a Berliet, que à época era uma das maiores construtoras de camiões, enviou engenheiros para a exploração, de modo a saber especificamente que camião precisariam. Uma semana depois, voltaram para França, com a ideia de que teria de ser um camião muito maior do que qualquer outro construído até então.

Em Janeiro de 1957 começou a desenvolvimento do novo camião. A Berliet comprou os maiores pneus que a Michelin tinha à venda e começou a desenhar o camião à volta deles. O primeiro T100 foi construído em Outubro desse mesmo ano, ou seja, demorou nove meses o desenvolvimento do novo camião, um feito incrível para a época.

O motor não foi desenvolvido pela Berliet e assim foi poupado tempo e dinheiro no seu desenvolvimento. O motor utilizado era da Cummins, um V12 equipado com dois turbos de 29,6L de cilindrada, que desenvolvia 600 cv originalmente. A potência era enviada para as seis rodas, através de uma caixa Clark semi-automática, com quatro velocidades para a frente e outras quatro para trás. A velocidade máxima é de cerca de 34 km/h, devido ao peso do T100 ser de 111 toneladas.

Como seria de esperar, o T100 quando foi lançado, era o maior camião do mundo e as medidas não enganam, tem 13,5 metros de comprimento, quase 5 de largura e 4,4 metros de altura. Para ter ideia, cada pneu pesa quase uma tonelada e o motor V12 pesa cerca de duas toneladas e meia. Tem ainda dois tanques de combustível, cada um com cerca de 950 litros. Tudo neste veículo é monstruoso e até a direcção assistida é feita através de um motor de um Panhard Dyna, de dois cilindros opostos a gasolina, que pode ser posto a funcionar com o motor Cummins desligado.

A Berliet não mandou o T100 logo para o deserto. A primeira paragem foi o Salão de Paris de 1957, onde até tiveram de construir um pavilhão à parte para o T100 caber lá dentro. Posteriormente, foram levados a cabo vários tipos de testes, para garantir que todos os componentes funcionavam plenamente. Nessa altura foi produzido um segundo exemplar, já com o motor nos 700 cv, em 1958. Estes primeiros T100 foram enviados para África, para serem usados na extracção de petróleo. Um terceiro exemplar foi construído em 1959, com um basculante e rodados duplos na traseira, encomendado pelo governo francês para ser usado numa mina. Um quarto modelo, este experimental, foi construído, com um design diferente da cabine, com esta à frente do eixo frontal, ao estilo cab-forward. Este fez uma viagem pelos EUA, para atrair compradores, mas nenhum se mostrou interessado.

A Berliet não queria parar a produção do T100 ao fim de somente quatro exemplares, mas com a independência dada à Argélia, em 1962, o projecto ambicioso de extracção de petróleo parou e o mercado do T100 colapsou. Os T100 que foram enviados para o Sahara, continuaram a trabalhar, durante os anos 60. O primeiro exemplar continua por lá, não se movendo há décadas e, por isso, necessita de um restauro profundo. O segundo exemplar voltou para França, em 1981, sendo todo restaurado e posto em exposição pela Fundação Berliet, que é o exemplar que foi mostrado no Rétromobile. O terceiro exemplar saiu da mina em 1964 e foi usado, posteriormente, na construção de autoestradas e, em 1978, voltou para a Berliet, onde foi desmantelado. O quarto exemplar teve um final idêntico, passou a ser veículo de testes, onde chegou a incorporar um motor Turbomeca a turbina de gás com cerca de 1000 cv, em 1962, mas o consumo era demasiado elevado e foi montado novamente o motor Cummins. Em 1964 o quarto T100 deixou de ser usado e foi também desmantelado.

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