Klaus Ludwig, o fenómeno germânico

Arquivos 31 Dez 2022

Klaus Ludwig, o fenómeno germânico

Rei coroado

 

A grande maioria dos pilotos consegue aliar os seus sucessos desportivos a uma marca, uma equipa ou um modelo, mas esse não é o caso de Klaus Ludwig.

 

Quem o conheceu nos últimos anos da sua carreira vai certamente lembrar-se dos títulos de campeão no DTM e no FIA GT, ao serviço da Mercedes-Benz. A outros virá à lembrança os triunfos nas 24 Horas de Le Mans em modelos da Porsche. Outros ainda quererão falar da sua ligação histórica à Ford, marca que representou durante mais de 15 anos, tanto no DRM como no ETCC e até no Campeonato IMSA. Nos anos 80, a sua fama garantiu-lhe a alcunha König (rei) Ludwig.

 

Foi descoberto por Bernhard Grab, tuner da Ford, que o colocou a competir no Capri RS 2600, na temporada de 1973 do DRM, antes de conquistar o seu primeiro triunfo internacional na jornada alemã do Europeu de Turismo, em 1974, as 6 Horas de Nürburgring, a fazer equipa com o Hans Heyer no Escort RS da Zakspeed.

 

Mesmo a correr por outras marcas, regressou várias vezes à Ford, marca para a qual guiou os modelos Escort, Capri, Mustang e Sierra, bem como protótipos de Grupo C e GTP. Foi campeão do DRM em 1981 com o fabuloso Capri Turbo, para no ano seguinte ganhar as 24 Horas de Nürburgring. Como o Sierra Cosworth, nunca foi campeão europeu, mas ganhou novamente as 24 Horas de Le Mans (1987) e o DTM (1988). Foi, no entanto, na América que ajudou a desenvolver alguns dos modelos mais exóticos, incluindo o Mustang GTP, um protótipo de motor dianteiro, e o Merkur XR4TI de Trans-Am, que usava um V8 Roush em vez do turbo de quatro cilindros de origem.

 

 

Do 935 ao 190

 

 

O ano de 1978 colocou à sua disposição um automóvel bem mais potente do que o que estava habituado: o lendário Porsche 935. De início, correu pela equipa de Georg Loos, mas, insatisfeito com os resultados ao lado do automóvel-cliente (apesar de conquistar duas vitórias), foi para a Kremer, que já fazia as suas próprias modificações. O casamento correu bem e Ludwig apenas perdeu uma prova em 1979, vencendo o título do DRM facilmente, bem como as 24 Horas de Le Mans, mesmo com uma avaria no motor.

 

Apesar de ter sido chamado de volta à Ford, não foi o final da sua ligação à marca de Estugarda. Na era do Grupo C, a Zakspeed estava concentrada no cada vez menos relevante DRM e na IMSA, não competindo em Le Mans. A Joest Racing, na altura gerida no terreno por Domingos Piedade, convidou o alemão para pilotar o Porsche 956 em algumas provas do Mundial de Sport, obtendo duas vitórias consecutivas em Le Mans, 1984 e 1985, e se na primeira, foram ajudados pela ausência da equipa oficial, na segunda tiveram a melhor estratégia.

 

Uma nova aventura surgiu em 1989, quando Ludwig deixou a Ford para trás para ingressar na Mercedes-Benz, no DTM. A marca alemã usava uma versão do 190 E evoluída ao máximo pela AMG, mas Ludwig também esteve de serviço nas 24 Horas de Spa, para desenvolver uma versão de competição do 500 SEC.

 

O automóvel acabou por ser pouco fiável e a AMG dedicou-se em exclusivo ao DTM, um campeonato ao qual Ludwig adaptou-se rapidamente, perdendo o título por pouco em 1991 mas vingando-se no ano seguinte, após cinco vitórias. Uma breve ‘traição’ com a Opel (e de considerar a reforma), regressou à Mercedes-Benz para vencer o Campeonato FIA GT, com o CLK-GTR, em 1998. Mas quando o DTM regressou em 2000, Ludwig já tinha passado dos 50 anos e não estava tão competitivo no formato de sprint, e apesar de uma vitória, reformou-se novamente.

 

Só que o ‘bichinho’ das corridas continuou a morder e voltou a fazer algumas corridas ocasionais, no Europeu de GT3 e nas 24 Horas de Nürburgring. 

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