Bburago, uma porta de entrada para o coleccionismo

Automobilia 05 Dez 2022

Bburago, uma porta de entrada para o coleccionismo

Por Bruno Machado

A Bburago é uma das marcas de miniaturas mais conhecidas entre os coleccionadores, sobretudo para a geração que brincava com os carrinhos durante os anos 80 e 90. Mas a história da Bburago começou um bocadinho antes.


Com efeito, depois de trabalhar para a Molgora, um fabricante de brinquedos em metal, Mario Besana convenceu os irmãos, Martino e Ugo, a juntarem-se a ele para lançar uma marca de brinquedos. E foi assim que a Mebetoys, de Meccanica Besana Toys, baseada em Milão, iniciou a sua actividade em 1966, destacando-se pela qualidade dos seus modelos realizados às escalas 1/43 e 1/25, ao ponto de chamar a atenção do gigante Mattel que, em 1969, chega a contratar a Mebetoys para a produção de brinquedos.



Percebendo que a Mattel pretendia engolir a Mebetoys – o que, de facto, veio a acontecer em 1973 -, Mario Besana preferiu sair da empresa para fundar a Martoys, em 1974. O sucesso desta nova marca foi imediato, obrigando Besana a transferir a produção para uma nova fábrica, situada na localidade de Burago di Molgora. Assim, em 1976, a mudança de fábrica provocou a mudança de nome para Bburago, o duplo B permitindo diferenciar a marca da localidade onde eram produzidas as miniaturas, ao mesmo tempo que evocava o fundador da empresa, Besana.


As miniaturas da Bburago, com carroçaria em zamac, mas chassis e pormenores em plástico, já não eram meros brinquedos. Eram automóveis de colecção, acessíveis, nas escalas de 1/24 e 1/18, que elevavam os padrões de qualidade e pormenores da altura. Uma curiosidade, o primeiro modelo da gama 1/18 da Bburago foi um Rolls-Royce Camargue à escala 1/22. Antecipando o progressivo desaparecimento das lojas tradicionais de brinquedos, a Bburago optou por privilegiar as grandes superfícies comerciais, os aeroportos e as estações de serviço para a venda dos seus modelos.


Os anos 80 foram os de maior sucesso para a Bburago. Em 1982 foi lançada a gama de Fórmula 1 à escala 1/24, seguindo-se os modelos vendidos em kit e a gama à escala 1/43. O catálogo da Bburago incluía velhas glórias e GTs mais contemporâneos, com uma predominância da Ferrari, e em 1994, a Bburago adquiriu um dos seus principais concorrentes, a Polisitil.


Os anos 90 também trouxeram novos protagonistas, como a May Cheong – proprietária da Maisto – que, graças à produção Made in China, conseguiam ser particularmente competitivos. E quando se receava a concorrência asiática, o golpe mais duro acabou por vir dos Estados-Unidos, no ano 2000, quando a Mattel – através da Hot Wheels – obteve da Ferrari, a licença exclusiva para o fabrico de miniaturas da marca de Maranello. De repente, os 250 GTO, 250 Testa Rossa, 512 BB, Testarossa ou F40, que tanto contribuíam para as vendas, já não podiam ser reproduzidos. A Bburago que já ia perdendo competitividade, perdia agora a Ferrari, o que resultou na sua insolvência em 2005.

No ano seguinte, a Bburago acabou por ser comprada pela concorrente May Cheong, conhecendo assim uma segunda vida, mas agora com a produção deslocalizada para a China. Entretanto, a Mattel desistiu da sua licença exclusiva. O fabricante da Barbie, que nunca conseguiu conquistar os coleccionadores, permitia assim que a Bburago pudesse voltar a produzir miniaturas da Ferrari.


Apesar de uma certa preocupação com os detalhes, a Bburago nunca foi uma marca de referência entre os coleccionadores mais exigentes. Mas para muitos, a sua relação qualidade/preço constituiu uma porta de entrada para o mundo do coleccionismo. Os miúdos tornaram-se graúdos e o nível de exigência também acabou por evoluir. Entretanto, surgiu a nostalgia das miniaturas Bburago “Made in Italy”, que tornou as imperfeições tão secundárias.

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