Os automóveis que tentaram competir com o Porsche 911

Clássicos 02 Nov 2022

Os automóveis que tentaram competir com o Porsche 911

Existem poucas marcas que estão mais conectadas com automóveis desportivos do que a Porsche. Até aos dias de hoje o icónico Porsche 911 continua a ser um automóvel de referência com apenas alguns concorrentes na sua história. Com um número limitado de modelos que conseguiu competir com o sucesso deste automóvel muitos outros tentaram, sem sucesso.

Em baixo podemos ver uma lista de sete automóveis que tentaram competir com as diversas versões do Porsche 911 mas que acabaram com um sucesso limitado e outros que nunca chegarem à linha de produção.

Fitch Phoenix


A construção única da Porsche significava que raramente tinha um concorrente directo, mas existia um automóvel equipado com um motor de seis cilindros refrigerado a ar na parte traseira que quase o conseguiu. O Chevrolet Corvair em papel tinha um desenho muito semelhante ao Porsche 911 mas nunca foi um desportivo capaz ou competitivo o suficiente. No entanto, na opinião de John Fitch este era um modelo com um potencial enorme, daí a criação do Phoenix.

O Fitch Phoenix usava como base um Corvair modificado com 170hp e um corpo de aço desenhado por Coby Whitmore e construído pela Intermeccanica, em Turim. Foi apresentado em 1966 em Nova Iorque com o plano de se produzir 500 exemplares. Infelizmente foi nesse mesmo ano que foi aprovado, nos EUA, a Lei de Segurança Rodoviária e ao mesmo tempo o modelo foi muito criticado devido à sua falta de segurança. Devido a estas circunstâncias o Phoenix permaneceu um automóvel único.

Ford GT70


Depois de uma vitória fabulosa em Le Mans, a Ford também se interessou em entrar para o mundo dos ralis e tinha como objectivo desafiar o Alpine A110 e, claro, o 911 no Campeonato Mundial de Ralis. Assim nasceu o GT70, um projecto da filial do Reino Unido da Ford e com o apoio do designer principal do GT40, Len Bailey.

A versão mais pequena e com um chassis em fibra de vidro do vencedor de Le Mans podia vir equipado com um motor V6 Cologne de 2,6 litros ou um motor Cosworth BDA de quatro cilindros em linha de 1,6 litros, ambos na posição central.

Apesar dos esforços da Ford o GT70 nunca conseguiu um resultado memorável na sua carreira desportiva desde a sua estreia em 1970 até à reforma, em 1973. Durante esse período a Ford construiu apenas sete exemplares.

Mercedes-Benz C111


A Mercedes-Benz parou a sua produção de automóveis desportivos depois de encerrar o seu programa de corridas, depois da tragédia que aconteceu em Le Mans em 1955. No entanto, o protótipo C111 podia ter mudado o paradigma do mercado alemão de automóveis desportivos para sempre. Mesmo assim a Mercedes-Benz foi inflexível e não produziu o modelo apesar do enorme interesse dos seus clientes na década de 1970.

Este modelo pode ser considerado uma das maiores oportunidades perdidas da indústria automóvel e se tivesse aparecido no mercado, de qualquer forma, o C111 poderia facilmente eclipsar o 911 em todos os aspectos importantes como o desempenho, engenharia, confiabilidade, uso diário e prestígio.

AMC AMX/3


A empresa automóvel mais incompreendida da América quase apresentou um automóvel desportivo de motor central durante a era dos conhecidos ‘muscle cars’ americanos. Este ambicioso projecto reuniu o próprio Dick Teague da AMC e vários colaboradores externos, como Giorgetto Giugiaro, Giotto Bizzarrini, Karmann e a BMW.

O AMC AMX/3 tinha um chassis rígido único e vinha equipado com um V8 na posição central e várias de peças cuidadosamente selecionadas provenientes de fabricantes europeus. Foi elaborado e testado por alguns dos maiores nomes proeminentes na indústria automóvel e tinha o potencial para ser um dos melhores automóveis desportivos de sua época. Infelizmente, devido a problemas financeiros ficou apenas pelo protótipo.

Chevrolet Aerovette


O automóvel desportivo mais capaz dos EUA seguiu a mesma fórmula de tração dianteira até à sua oitava geração em 2019, mas a Corvette por pouco não implementou um motor central nos seus modelos, graças ao conceito do Chevrolet Aerovette de 1976. Este não foi o único protótipo de motor central que Zora Arkus-Duntov elaborou mais foi o que ficou mais perto de se tornar realidade.

O Aerovette de motor central podia ter sido o desportivo que iria competir directamente com os 911 da época tanto no mercado automóveis desportivos de luxo como nas pistas. Depois de quase ter sido aprovado a sua produção a GM decidiu congelar o projecto e o Aerovette nunca teve a oportunidade de ultrapassar o Porsche 911.

DeLorean DMC-12


O Delorean DMC-12 foi talvez o maior erro da indústria automóvel, no entanto, alcançou um status icônico à nível cultural. O coupé era decepcionantemente lento e apenas oferecia a sua aparência. Então como pode ser considerado um rival do 911?

John Z DeLorean imaginou o DMC-12 como um automóvel desportivo ágil e, para isso, contratou o próprio Colin Chapman da Lotus para desenvolver o chassis. A ideia original era basear o DeLorean no Lotus Esprit, de modo que os dois partilhassem a sua construção básica e um motor de quatro cilindros em linha na posição central.

No entanto, o DMC-12 deparou-se com muitos problemas a nível da produção e acabou por ser equipado com um V6 na posição traseira. A falta de potência e fiabilidade foram dois dos factores pelos quais o DMC-12 falhou.

Nissan MID4 e MID4-II


O crescimento implacável da indústria japonesa fez com que seus objectivos fossem estabelecidos no topo do mercado dos automóveis desportivos, a partir da década de 1980. Esse zeitgeist acabou por dar origem ao Acura NSX, um formidável rival da Ferrari e da Porsche. No entanto, a Honda não era o único fabricante que tinha em vista estes obejctivos, pois a Nissan produziu dois conceitos: o MID4 em 1985 e sua evolução, o MID4-II em 1987.

O fabricante japonês usou o MID4-II como teste para várias inovações tecnológicas equipando-o com tração às quatro rodas ATTESA e direção assistida. O motor era um VG30DETT V6 de 3,0 litros na posição central e que produzia 330cv, graças a dois turbocompressores paralelos. A Nissan acabou por encerrar este projecto, mas toda a tecnologia testada foi depois aproveitado nos automóveis que vieram a seguir.

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