O Delta HF Integral(mente)

Clássicos 21 Set 2022

O Delta HF Integral(mente)

Por Bruno Machado

Inicialmente um pacato utilitário, o Lancia Delta tornou-se uma lenda dos ralis, brindando os fãs da modalidade com uma versão civil, que conheceu várias evoluções.

 

 

As letras HF (por High Fidelity) surgem no Delta em 1983 com a colocação dum turbo no 1600 cm3 do GT i.e.. Assim nasce o Lancia Delta HF Turbo cuja carreira se prolongará até ao início dos anos 90, destacando-se uma versão Martini, com as pinturas de guerra já famosas nos ralis mundiais. O carácter desportivo ainda que discreto, mantendo-se os faróis quadrados das versões mais civilizadas, conta com um motor sobrealimentado de 135 cavalos, o que já dá para tornar as viagens um pouco mais divertidas…

 

 

Mas é em Maio de 1986 que nasce verdadeiramente a saga do Delta HF tracção integral, com o Delta HF 4WD, que vai iniciar o domínio da Lancia no Grupo A do mundial de ralis a partir de 1987 depois do fim do Grupo B. Troca o 1600 pelo 2000 turbo de 165 cavalos do Thema. A potência aumentada aliada às propriedades da tracção às quatro rodas torna o Delta num automóvel particularmente eficaz na estrada. Esteticamente os faróis quadrados são substituídos por dois faróis de cada lado da grelha central.

 

 

No final de 1987 é apresentado o Lancia Delta HF Integrale. O motor é revisto, atingindo agora os 185 cavalos e a carroçaria é mais demonstrativa com guarda-lamas mais largos, sendo que as rodas passam de 14 para 15 polegadas.

 

 

Dois anos depois, o Delta vê a sua potência aumentar para 200 cavalos graças à culaça de 16 válvulas. Esteticamente, a diferença mais visível reside na bossagem do capô com as suas entradas de ar para o arrefecimento do motor. As performances aumentam (o consumo também) e o comportamento é melhorado, nomeadamente graças à repartição da tracção (47% à frente e 53% atrás) que reduz a tendência de sob-viragem. Nas pistas, os títulos mundiais acumulam-se.

 

 

Em 1991, ano do quinto título mundial consecutivo, surge a última fase do Delta HF Integrale, com o lançamento do Evoluzione, também conhecido por “Deltona”, cuja potência chega agora aos 210 cavalos. O Delta ganha ainda mais músculo com guarda-lamas maiores, devido ao alargamento das vias, para-choques com aberturas  maiores para o arrefecimento, os quatro faróis passam a ter o mesmo diâmetro, o capô é ainda mais agressivo, só uma saída de escape em vez de duas e as jantes da versão rali passaram para a versão de estrada.

 

 

Para comemorar o 5º título mundial consecutivo é lançada a edição Martini 5 limitada a 400 exemplares, identificável com a sua cor branca, grelhas de capô pretas, autocolantes Martini, jantes brancas, bancos Recaro pretos com cintos vermelhos.

 

 

Mas o Delta HF Integrale parece não querer sair de cena. O fim da equipa oficial em 1991não impede a conquista dum sexto título em 1992 com uma equipa privada, comemorando-se o feito com uma Martini 6, limitada a 310 exemplares e que pouco difere da edição anterior (autocolantes, bancos….)

 

 

As normas ambientais mais exigentes obrigando a adopção dum catalisador e o sexto título mundial, levam a Lancia a comercializar um Evoluzione II, com uma potência elevada para 215 cavalos, compensando-se o aumento de peso em 50 kg. Só um olhar muito afinado permite distinguir o Evo.II do Evo.I (vidros fumados num tom mais azulado, guarda-lamas,…).

 

 

Não, o Delta decididamente não quer sair de cena… ou serão os fãs que não querem que ele saia? O certo é que várias edições limitadas do Delta HF Integrale baseadas no Evo II serão comercializadas entre 1992 e 1995. A primeira foi a edição Verde York com interior bege, limitada a 500 exemplares).

 

 

Seguiu-se a edição Club Italia, azul Lord e interior vermelho, limitada a 15 unidades numeradas do nº1 ao nº16 (o nº13 não existe). Entre os proprietários encontramos Mauro Forghieri e Clay Regazzoni. A ignição era através do botão e não apenas com a chave.

 

 

Posteriormente a edição Club Lancia, limitada a sete unidades, vermelho Rosso Monza e a linha azul e amarela duma ponta à outra.

 

 

A edição Club HiFi, limitada a 20 unidades, e disponível em azul ou vermelho mas sempre com a mesma linha azul e amarela, oferecia aos clientes uma capa de protecção e um conjunto de bagagens a combinar com a carroçaria;

 

 

A Giallo Ginestra, amarelo na carroçaria e nas costuras dos bancos Recaro, tinha jantes de 16 polegadas em vez de 15 do Evo II que servia de base. Só foram fabricados 220;

 

 

A edição Bianco Perlato, limitada a 365 exemplares, com a carroçaria em branco pérola e um interior (bancos e volante) de azul. Também beneficiava de jantes de 16 polegadas.

 

 

Blu Lagos, limitada a 215 exemplares, propunha uma carroçaria com um azul único (que dava o nome à série) e um interior bege.

 

Final Edition destinado exclusivamente ao mercado japonês e produzido em 250 exemplares (alguns acabaram por regressar para a Europa). Além de outras especificidades, é o único “Deltona” com os faróis de tamanho diferente, à semelhança das fases anteriores.

 

 

Dealer’s Edition, esta é mesmo a última das últimas, limitada a 173 exemplares e produzida a partir do final de 1994. Tinha um Rosso Perlato específico, um interior com bancos Recaro bege e a ignição era pelo botão colocado no tablier.

 

 

Já fora de série, podemos citar ainda o cabriolet único para o presidente do grupo, Gianni Agnelli, baseado no Evo II mas com uma potência que terá sido aumentada para os 250 cavalos. Mesmo à patrão…

 

 

E por fim, destaque para o Hyena Zagato, que mais não é do que um Delta Evo. I mas mais leve graças à carroçaria em alumínio e à utilização de carbono no interior (painéis de porta, tablier,…). Com uma potência de 250 cavalos e um peso mais contido, as performances eram superiores ao Delta que lhe servia de base. O Hyena é sobretudo uma história de teimosia do importador holandês Paul Koot que quis um automóvel fora de séria, na tradição do design italiano. Sem o apoio da Lancia (que apenas autorizou o uso do nome), teve de adquirir os Deltas na Itália, enviá-los para a Holanda para serem retirados os elementos interiores, reenviá-los para a Itália nos ateliês da Zagato receber a nova carroçaria e trazê-los de volta para a Holanda para os últimos acabamentos. Tal logística reflectiu-se no preço final e, consequentemente, nas vendas, com cerca de 25 modelos vendidos.

 

 


TAGS: Lancia Delta HF Integrale


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