Automóveis antigos em paisagens de sonhos

LifeStyle 17 Ago 2022

Automóveis antigos em paisagens de sonhos

Por Irineu Guarnier

Pelas coloridas paisagens de sonhos do pintor brasileiro Eduardo Vieira da Cunha desfilam aviões, bondes, ônibus e, principalmente, automóveis antigos, meticulosamente desenhados. Os veículos das décadas de 1940, 50 e 60 se repetem quase que obsessivamente em seus quadros, elaborados vagarosamente, à moda antiga, usando acrílico sobre tela.

“O meu trabalho é algo em extinção: a velha e lenta pintura. Demoro mais de um mês para pintar um quadro”, revela o artista, que também é professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com mestrado na New York University e doutorado na Sorbonne, de Paris. Vieira da Cunha não tem automóveis antigos, nem frequenta encontros de antigomobilismo, mas aprecia colecções e exposições de clássicos.

Por que o interesse pelos veículos antigos, algo incomum na temática de pintores contemporâneos? “Pela beleza do design e plasticidade. Nasci nos anos 1950 e sempre admirei automóveis. Coleccionava miniaturas e álbuns de figurinhas sobre o tema. Meu pai tinha um Rover de 1950.” A nostalgia, como se vê, teve um peso importante nesta escolha. “Acho que é o desejo de ser transportado no tempo”, acrescenta.



A inspiração para os quadros de Vieira da Cunha vem de miniaturas, catálogos de anúncios de automóveis americanos antigos e livros franceses. “Nos anos que morei em Nova York, havia lojas que alugavam veículos antigos para filmes. Gostava de visita-las. Em Nova Iorque, assim como em Cuba e no interior do Uruguai, viam-se frequentemente modelos antigos rodando. Meus preferidos eram os Plymouth e Dodge 1950-1959.”, diz o artista. Mas a forma dos veículos não é um tema fácil. “Automóveis são elementos difíceis de pintar, mas mais compensadores para mim”.

O público jovem gosta do trabalho de Vieira da Cunha, exposto no Brasil e no exterior, mas o artista reconhece que a geração dos anos 1950 é a que mais aprecia seus devaneios oníricos povoados por máquinas antigas. “Os bondes fizeram parte de minha infância em Porto Alegre. Os aviões são outra paixão, principalmente os das décadas de 1940/60”. Em relação ao seus alunos, no entanto, ele garante que não os influência a pintar automóveis. ”Prefiro que eles sigam seus próprios caminhos”.

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Fotografias: Eduardo Scaravaglione


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.


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