Alpine A110: Os 60 anos de um automóvel mítico

Clássicos 21 Fev 2022

Alpine A110: Os 60 anos de um automóvel mítico

O Alpine A110 foi apresentado pela primeira vez, em 1962, confirmado pelo actual proprietário, a Renault, apesar de outros anos serem mencionados.

A Alpine foi fundada por Jean Rédélé, o filho mais velho de Émile Rédélé, que tinha trabalhado na Renault antes de ter o seu próprio concessionário a representar a marca Dieppe, na década 20. Depois da Segunda Guerra Mundial o stand sofreu extenso danos e foi reconstruído, já por Jean Rédélé. Jean era um talentoso navegador e piloto de competição que desenvolveu as capacidades certas para construir os seus próprios automóveis com componentes da Renault.

A história da marca começa com o primeiro modelo pós-guerra da Renault, uma 4CV. Rédélé começou a sua carreira de piloto ao um volante de uma Renault 4CV. Com este automóvel, em Junho de 1954, ele acabou o “Coupe des Alpes” em segundo lugar sendo recompensado por completar a prova sem penalidades de tempo. A marca Alpine apareceu oficialmente onze meses depois. 


Rédélé explicou, “Eu adorei atravessar os Alpes na minha Renault 4CV, e isso deu-me a ideia de denominar os meus futuros automóveis de Alpines. É importante para mim que os meus clientes tenham a mesma satisfação a conduzir ao volante do veículo que eu quero construir”.

O primeiro automóvel da marca era o Alpine A106 que era, essencialmente, uma 4CV com uma carroçaria fastback em fibra de vidro, embora mais tarde tenham aparecido as versões coupé e descapotáveis. Gradualmente o A106 foi substituído pelo A108 que continuou a utilizar o motor Billancourt da Renault. Foi introduzido, em 1958, e ficou disponível dois anos mais tarde com uma carroçaria em fibra de vidro.


Durante a década de 50 a companhia americana Willys-Overland começou a produzir automóveis no Brasil e também construíram, sobre licença, um A108 com algumas adptações diferentes e publicitado como um Willys Interlagos. O Interlagos foi um automóvel muito popular entre pilotos de automóveis brasileiro sendo o mais conhecido Emerson Fittipaldi, que foi consagrado duas vezes campeão de Fórmula 1.

A concepção do Alpine A108 foi quase o suficiente para a criação do A110. A única peça que faltava para completar o puzzle era o motor que deveria ser utilizado. Em 1962, a Renault lançou um novo motor denominado Cléon-Fonte ou Sierra. Maior e mais potente que o Billancourt ficou disponível em gamas de carrinhas como a Estafette. Mais tarde, também foi utilizado no Renault Gordini, o primeiro automóvel projectado do zero para ser equipado com este famoso motor que, até 2004, ainda se encontrava em produção e era utilizado pela Dacia.

Finalmente o Alpine A110 estava concluído, equipado com um motor Renault Sierra, com um design que diferenciava apenas em detalhes do A108. Rapidamente se destacou e tornou-se o automóvel mais bem sucedido da marca. Calcula-se que os modelos A106 e o A108 não chegaram a produzir mais de 500 unidades. No entanto, este última modelo iria, eventualmente, chegar às 7500 unidades.

Algumas versões do Alpine A110 foram contruídas fora de França mas o único vendido com o mesmo nome foi construído em Valladolid, na Espanha pela FASA, que começou por produzir o 4CV sobre licença e, mais tarde, tornou-se uma subsidiária da Renault.

No México, a Diesiel Nation produziu a sua própria versão denominada de Dinalpin enquanto que na Bulgária a empresa responsável por construir os Bulgarrenaults – Renaults 8 e 10 que eram produzidos localmente – também comercializaram o clone Bulgaralpine A110.

Existiu também a versão do A110 em versão GT4, possivelmente, a versão menos recordada deste automóvel. Este era um coupé com uma longa distância entre eixos com uma capacidade de 2+2 lugares, e era quase um substituto do A108 com um design semelhante. Este modelo era mais prático que o A110 normal, no entanto menos apelativo. Em apenas dois anos foram produzidos 112 exemplares.

O motor Cléon-Fonte estava disponível em versões que variavam do 1.0 litros até 1.4 litros. Esta capacidade foi ultrapassada por outro motor Renault, o Cléon-Alu que fez a sua estreia no Renault 16. Começou com uma capacidade de 1.5 litros que, nesta forma, também equipou o Lotus Europa.

No mundo do desporto motorizado, com o seu peso reduzido e baixo centro de gravidade, tanto o A110 francês como o seu equivalente o Bulgaralpine, eram muito competitivos no mundo dos rallys mesmo quando estavam equipados com o motor Cléon-Fonte. A introdução do motor Cléon-Alu transformou este automóvel e revolucionou o desporto motorizado. Com um aumento de potência, o A110 conseguia vencer contra quase todos os seus concorrentes.

Com um motor relativamente pesado e montado na parte de traz do automóvel trazia algumas dificuldades para os pilotos que estavam habituados a usar veículos com o motor na frente do veículo. Até o talentoso Andrew Cowan, que acabou em quinto lugar no Rally RAC, de 1970, na neve, ao descrever a experiência ao seu pai disse, “Foi como atirar um martelo ao contrário”. No entanto, a adaptabilidade do automóvel em vários pisos permitiu que dominasse o mundo dos rallys durante muitos anos.


Todos os fãs deste mítico automóvel recordam-se da performance no primeiro ano do Campeonato Mundial de Rallys. A temporada começou com o Alpine A110 a acabar em primeiro, segundo, terceiro, sétimo e décimo em Monte-Carlo. Houve, também, até ao final do ano, em Córsica, mais uma situação em que este automóvel arrebatou os três primeiros lugares do pódio. Para além destas provas conseguiu várias vitórias e subidas ao pódio. Ao usar tecnologia retirada de automóveis do dia a dia da Renault, a Alpine, arrecadou 147 pontos e sagrou-se vencedor desse ano. Em segundo lugar veio a Fiat a usar o 124 Abarth Rallye com 84 pontos enquanto que o Ford Escort consegui o terceiro lugar com 76 pontos.

O ano de glória do A110 em rallys foi em 1973 embora já tivesse uma grande reputação antes desse ano. A partir de 1987 ganhou campeonatos nacionais na Bulgária, França, Espanha, Roménia e no país que antes conhecíamos como Checoslováquia. Apesar de ser um ano com muitos triunfos o automóvel começava a desvanecer e a Alpine já tinha apresentado o seu novo projecto, o A310.

A próxima grande vitória da marca aconteceu em 1978, quando o Alpine A442 ganhou as 24 Horas de Le Mans. Esta vitória aconteceu um ano depois da produção do A110 ter finalmente terminado.

A Renault celebrou os 50 anos do A110 ao criar um automóvel de corrida denominado de A110-50. Este novo projecto vinha equipado com um motor V6 de 3.5 litros de capacidade sem silenciador montado à frente do eixo traseiro, uma carroçaria de fibra de carbono, vagamente parecido com o de fibra de vidro do automóvel original.

A segunda geração do A110 foi introduzido em 2017. Alimentado com um motor turbo de 1.8 litros assemelhava-se mais ao original do que o A110-50. Como o seu antecessor depende, parcialmente, do peso baixo para o seu desempenho e condução, embora o motor seja mais do que suficiente para fazer o trabalho.

O motor é mais uma vez montado dentro da distância entre eixos e o automóvel é, em grande parte, feito em alumínio. No seu conceito base pode ser considerado como um verdadeiro sucessor do século 21 para o automóvel que Rédélé e sua equipa criaram, em 1962.

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