Nissan Skyline GT-R da Gibson Motorsport, um dos Godzilla do Grupo A australiano

Competição 21 Nov 2021

Nissan Skyline GT-R da Gibson Motorsport, um dos Godzilla do Grupo A australiano

Em 1989 um ícone da indústria automóvel estava de volta e esse era o Nissan Skyline GT-R. Após mais de 16 anos fora dos catálogos da marca, o Skyline GT-R era agora um automóvel com muita mais tecnologia e destinado a dominar as pistas, com o intuito de o homologar na categoria de Grupo A. Estava agora equipado com tracção integral, com um sistema desenvolvido com o foco na pista, denominado ATTESA E-TS. O motor era o icónico RB26DETT, um motor de seis cilindros em linha, 2,6 litros de cilindrada, duas árvores de cames à cabeça, 24 válvulas e dois turbos, de modo a desenvolver 280cv às 6800rpm, limitados pelo “acordo de cavalheiros” dos construtores nipónicos.

A categoria de Grupo A trouxe consigo vários automóveis que se tornaram imediatamente clássicos, logo após o seu lançamento, durante os anos 80 e 90. Tantos nos ralis como na velocidade, havia uma grande competitividade com poucas alterações entre os automóveis de competição e os de estrada, claro está sem contar com os motores mais afinados, nem com os dispositivos de segurança. Isto era também obrigatório pelos regulamentos, um mínimo de 2500 exemplares, fazendo com que os entusiastas pudessem adquirir automóveis, como o Ford Sierra RS Cosworth e o Escort RS Cosworth, o Lancia Delta Integrale, o Subaru Impreza WRX, o Mitsubishi Lancer Evolution, o BMW M3, entre muitos outros, onde está também o Nissan Skyline GT-R, um dos melhores da categoria nas pistas, fazendo com que a revista australiana de automóveis Wheels o designasse de “Godzilla”.

Era necessário construir m mínimo de 500 exemplares para homologar uma evolução para a competição, pois assim não havia a necessidade de produzir muitos elementos específicos, assim como poderia criar uma melhor base para se adaptar à competição mais facilmente. A Nissan assim o fez, com a produção de 500 exemplares do Skyline GT-R Nismo, mais 60 unidades para uso em competição, lançadas a 22 de Fevereiro de 1990. Dentro das várias alterações, pode-se enumerar as mais importantes, como condutas de ar para o intercooler no pára-choques da frente e o kit específico da Nismo para o modelo, como um pequeno spoiler no capô, embaladeiras específicas, assim como um spoiler na tampa da mala, por baixo do aileron grande. O peso também foi reduzido com a perca do ABS, ar condicionado, escova traseira e a grelha do intercooler.


Vários foram os Skyline GT-R de Grupo A que competiram no Japão, no entanto, a Nismo também apostou bastante no campeonato australiano. Em 1986, Fred Gibson ficou responsável pelas operações da Nissan Motorsport (Nismo) na Austrália e criou a Gibson Motorsport. Com enorme sucesso durante três épocas, principalmente com os Skyline GTS-R HR31, a equipa não ia perder a oportunidade de utilizar o Skyline GT-R.

De 1990 a 1992 cinco automóveis foram preparados para competir na Austrália. O exemplar deste artigo em particular é o chassis nº 5, foi o último produzido pela Gibson e o com maior sucesso. Apesar de idênticos aos homólogos japoneses, estes diferenciavam-se em alguns aspectos. O motor RB26DETT desenvolvido pela Nismo foi ainda melhorado e reforçado, com a Gibson a criar um motor potente e bonito ao mesmo tempo, com todos os dados tratados por uma centralina Electramotive e a sobrealimentação estava a cargo de dois turbos Garrett T25. Os Skyline australianos recebiam também um circuito duplo de alimentação de combustível. Estes Skyline da Gibson conseguiam extrair cerca de 600cv e tinham uma afinação própria do sistema de quatro rodas motrizes. Acoplado ao motor está uma caixa manual de seis velocidades da Holinger.

Devido ao grande domínio dos Skyline GT-R, a organização impôs várias medidas para limitar o seu andamento, o que para a Gibson foi algo que recebeu com grande surpresa. Tiveram de aplicar uma válvula pop-off no colector de admissão, com a potência a cair para os 470cv. Ainda assim, os Skyline continuaram a vencer as corridas onde entravam. No entanto, em 1993, os organizadores do ATCC baniram os motores turbo, assim como as quatro rodas motrizes, não podendo, assim, o Skyline GT-R continuar a competir. Esta medida beneficiava os construtores locais, a Holden e a Ford, com os seus motores V8.

Estes automóveis conseguiam atingir os 300km/h na recta Conrod Straight do circuito de Bathurst e fazer a curva The Chase a 280km/h. Cada exemplar tinha um custo de produção de cerca de 600.000 euros, sendo que hoje em dia são valorizados em mais de 840.000 euros.

Este Skyline GT-R com o chassis número 5 foi totalmente restaurado por Fred Gibson, após a sua retirada de competição, estando, por isso, num estado de conservação impecável, com todo o alumínio a brilhar.

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TAGS: Gibson Motorsport Nissan Skyline GT-R


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