Os 9 pilotos portugueses que chegaram à F1

Competição 03 Out 2021

Os 9 pilotos portugueses que chegaram à F1

Por Adelino Dinis

Desde 1950 que se disputa o campeonato do mundo de Fórmula 1. Mas, ao longo dessa história com 70 anos, poucos foram os pilotos portugueses que tiveram oportunidade de conduzir os mais poderosos monologares do momento.
Aqui fica a pequena lista dos nossos conterrâneos que tocaram o Olimpo do desporto automóvel.

 

Casimiro de Oliveira (1953)

 
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Irmão de Manoel de Oliveira — também piloto de automóveis, mas mais conhecido como realizador de cinema — Casimiro de Oliveira nasceu a 8 de Setembro de 1907. A sua carreira como piloto começou nos anos 30, ao volante de automóveis Ford, Jaguar e Bugatti. Depois da II Guerra, correu sobretudo com Ferrari, alinhando em diversas provas no estrangeiro com os automóveis de Sport. Em 1953 esteve em Modena e testou um Ferrari F2, com motor de dois litros. Este monolugar, depois da alteração de regras após a temporada de 1951, dominou durante dois anos o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, com Alberto Ascari. Assim, Casimiro foi o primeiro piloto português a conduzir um monologar de F1, apesar de apenas num treino privado. Em 1958 foi também o primeiro português inscrito para um Grande Prémio de F1, quando apareceu na lista de inscritos, com o número 34, para o Grande Prémio de Portugal no Circuito da Boavista, com um Maserati 250F alugado. Todavia, após um teste preliminar no circuito, Casimiro, que tinha deixado as corridas três anos anos, tomou a prudente decisão de não alinhar para a prova. Casimiro de Oliveira morreu a 22 de Novembro de 1970, mas continua a ser lembrado com respeito e carinho pelos entusiastas do desporto automóvel nacional.
 

Fritz d’Orey (1959)

 
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Frederico d’Orey era chamado de “Portuga” na sua infância em São Paulo. Este Paulista por nascimento (25 de Março de 1938) é filho de portugueses e tem dupla nacionalidade. Foi um dos primeiros pilotos com licença desportiva brasileira a tentar uma carreira internacional. Correu na Fórmula Júnior e adaptou-se bem. Rapidamente surgiram algumas oportunidades para experimentar a Fórmula 1, o que aconteceu no GP de França de 1959, com um Maserati 250F alugado à Scuderia Centro Sud. Terminou em 10º lugar. Seguiu-se o GP de Inglaterra, onde foi obrigado a desistir. Inscrito nas provas seguintes — GP da Alemanha e de Portugal — não alinharia à partida. Regressou no GP dos Estados Unidos, com a equipa Camoradi, aos comandos do Tec-Mez com motor Maserati, partindo do 17º lugar da grelha, mas abandonou à sexta volta, devido a uma fuga de óleo.
Em 1960, um grave acidente nos treinos das 24 Horas de Le Mans, quando conduzia um Ferrari de sport, acabou a sua carreira como piloto e impôs uma recuperação de oito meses.
Voltou para o Brasil, estabelecendo-se como empresário da construção civil.
 

Mário de Araújo Cabral (1959-64)

 
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Nasceu no Porto, a 15 de Janeiro de 1934, numa família abastada do ramo têxtil. Teve uma formação musical de excelência, mas deixou o violino pela ginástica. Não fora uma lesão no pé e teria provavelmente integrado a equipa portuguesa nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, em 1952. Depois interessou-se pelo automobilismo, iniciando-se nos ralis em 1955 e nos circuitos em 1957. Em 1959 estreou-se na Fórmula 1, no Circuito de Monsanto, alcançado um 10º lugar. Participaria em mais quatro grandes prémios a contar para o campeonato do mundo de F1, e em outras tantas provas extra-campeonato. Nestas, a sua melhor classificação foi um quarto lugar, no GP de Pau, em 1961.
Em 1965, numa corrida de Fórmula 3, no circuito gaulês de Rouen-les-Essart, sofreu um violento acidente que quase o matou. Regressou às corridas um ano depois, no Circuito de Montes Claros, em Lisboa, que venceu, ao volante de um Porsche Carrera 6. Continuou a competir ao mais alto nível até 1974, em carros de Sport e Turismo, mas também fez duas provas de Fórmula 2 no Autódromo do Estoril.
 

Pedro Matos Chaves (1991)

 
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Desde a última participação de um português na Fórmula 1, em 1964, até termos novamente um piloto luso nesse restrito círculo passaram-se 27 anos. Matos Chaves nasceu no Porto a 27 de Fevereiro de 1965. Foi campeão de Fórmula Ford em 1985 em Portugal e em 1987 em Inglaterra, vencendo também, em 1990, o campeonato britânico de Fórmula 3000.
No ano seguinte deu o salto para a Fórmula 1, mas a equipa Coloni nunca conseguiu proporcionar-lhe a competitividade para se qualificar para um Grande Prémio. Após 13 tentativas, o piloto abandonou a equipa, regressando à Fórmula 3000. Depois foi para os E.U.A, onde correu na categoria Indy Lights, vencendo uma corrida. Regressou a Portugal e dedicou-se aos ralis, vencendo o campeonato nacional por duas ocasiões, com a Toyota. Voltou ocasionalmente às provas de velocidade, antes de se retirar das competições.
 

Pedro Lamy (1993-96)

 
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Pedro Lamy nasceu a 20 de Março de 1972, na Aldeia Galega, em Alenquer. A sua carreira desportiva começou aos seis anos, em moto, passando para os karts com 13 anos. Teve uma formação exemplar, sendo campeão ou vice-campeão em todas as categorias por onde passou, nacionais ou internacionais, da Fórmula Ford à Fórmula 3000. Chegou à Fórmula 1 pela Lotus, em 1993. Um grave acidente em Silverstone atrasou a sua progressão na carreira, mas em 1995, ao volante de um Minardi, terminou em sexto no GP da Austrália, conseguindo o primeiro ponto para os pilotos portugueses.
Quando saiu da Fórmula 1, em 1997, após 32 Grandes Prémios, dedicou-se às corridas de GT, Sport, onde continua a ser um piloto de referência.
 

Tiago Monteiro (2002-06)

 
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Tiago Monteiro nasceu no Porto, a 24 de Julho de 1976 e teve um percurso multi-disciplinar até chegar à Fórmula 1, correndo em diversos campeonatos de GT e monologares até testar um F1 pela primeira vez em 2002. Em 2004 passou a ser o piloto de testes da Minardi e, em 2005, passou a ser piloto da Jordan, ao lado do indiano Narain Karthikeyan. Nesse ano, no GP dos Estados Unidos, Monteiro terminou em terceiro lugar, quando todas as equipas principais, com a excepção da Ferrari, abandonaram a prova após a partida, devido a problemas de segurança com os pneus Michelin. No GP Bélgica Monteiro reforçou a sua posição como o Português mais bem sucedido na F1 com um oitavo lugar e outro ponto. Em 2006 a equipa mudou de nome para Midland, mas manteve Monteiro como piloto. O seu melhor resultado foi um nono lugar no GP da Hungria.
Em 2007, Tiago Monteiro mudou-se para o Campeonato do Mundo de Carros de Turismos (WTCC), onde continuou uma carreira de sucesso.
 

Filipe Albuquerque (2007)

 
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Filipe Albuquerque nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1985. Começou a sua carreira nos karts, vencendo campeonatos nacionais e obtendo bons resultados a nível europeu. Em 2005 integrou o Red Bull Junior Team, participando em campeonatos de F3 e Fórmula Renault. Em 2006 venceu dois campeonatos de Fórmula Renault e no ano seguinte passa para a World Series By Renault. Conduziu um F1 da Red Bull em alguns eventos de exibição e a 13 de Junho de 2007 fez o seu primeiro teste oficial, com um Toro Rosso.
De seguida correu em GP2 e na A1GP, passando em 2011 para os carros de turismo e GT. Em 2010 venceu a Race of Champions, derrotando na final Sebastian Loeb. Entretanto, tinha também vencido o confronto directo com Sebastian Vettel. Em 2013 venceu as 24 Horas de Daytona na categoria GT.
 

Álvaro Parente (2008)

 
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Álvaro Parente nasceu no Porto, a 4 de Outubro de 1984, numa família com grandes tradições no automobilismo. Conduziu o primeiro kart aos quatro anos e fez uma brilhante carreira nessa disciplina, que continuou nos monologares. Venceu o Campeonato de F3 britânico em 2005, a World Series by Renault em 2007, obtendo vitórias em muitas outras categorias. A 17 de Janeiro de 2008, como prémio pelo título da WSR, testou um Renault F1 no circuito de Jerez de la Frontera. Na preparação da temporada de 2010, Parente esteve muito próximo de integrar a equipa Virgin Racing, mas não conseguiu reunir os patrocínios necessários. 
A partir de 2012 continuou a sua carreira na equipa oficial de GT3 da McLaren, onde continuou a sua senda vitoriosa.
 

António Félix da Costa (2010-13)

 
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António Félix da Costa nasceu em Lisboa, a 31 de Agosto de 1991. Começou a sua carreira desportiva no karting, aos nove anos, sagrando-se campeão nacional em 2006, realizando também excelentes provas a nível europeu nesse ano. Em 2008 passou para os monolugares F. Renault, vencendo o Campeonato NEC no ano seguinte.
Em 2010 passou para a Fórmula 3 Euro Series, obtendo excelentes resultados. Nesse ano, Félix da Costa conduziu um monologar de F1 pela primeira vez, um Force India, no circuito de Abu Dhabi. Depois de mais algumas épocas em que conduziu na F3, na GP3 e na Fórmula Renault 3.5, Félix da Costa voltou a testar na F1, desta vez com um Red Bull. Depois de ter realizado mais alguns testes e de ter sido piloto de reserva da Red Bull em vários Grandes Prémios, o piloto português acabou por optar por dar outro rumo à sua carreira, através do DTM e da Fórmula E. 


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Armando GarciaFrancisco Sande e CastroManuel Eduardo Ribeiro de AlmeidaAlexandre AmorimAdelino Dinis Recent comment authors
Manuel Eduardo Ribeiro de Almeida
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Conheci todos,(Frederico foi o único de quem nem sequer ouvi falar) o Casimiro de Oliveira era eu um menino e acho que ele morou em Nevogilde, mais propriamente na Avenida de Montevideu, quanto a competirem em formula 1 ao vivo, vi o Casimiro de Oliveira, aqui no Circuito da Boavista e o Lamy no Estoril.

Alexandre Amorim
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Alexandre Amorim

Falta o João Barbosa.

Pedro Cabral
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Pedro Cabral

Desculpem, em relação ao Casimiro, o ensaio feito com o Ferrari 550, a convite de Enzo Ferrari, foi em 1952. Em relação ao d’ Orey, acho só um bocadinhbocadinho forçado, mas aceitável já que tem dupla nacionalidade e até vive cá. Eu, até concordo convosco, mas o entendimento geral é o de ele ser brasileiro, nunca aparecendo como BR/P. Quantos aos outros não concordo já que nunca entraram em competição, mas respeito e entendo a perspectiva. Nunca entraram em competição, de resto, como o Matos Chaves, que nunca passou das qualificações. Mas, já agora, nesta lista falta, pelo menos, o… Read more »

Francisco Sande e Castro
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Francisco Sande e Castro

Quem fez o ensaio no Estoril após um Grande Prémio com um Jordan foi o Diogo Castro Santos e não o Ernesto Neves que já estava retirado da competição quando a Formula 1 regressou a Portugal.

Antonio Lourenço de Almeida Paiva
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Antonio Lourenço de Almeida Paiva

Mas Filipe Nogueira e Vasco Sameiro, não foram pilotos de formula um ?