Jaguar apresenta a nova réplica do Jaguar C-Type

Clássicos 09 Set 2021

Jaguar apresenta a nova réplica do Jaguar C-Type

No dia 2 de Setembro a Jaguar Classic apresentou, em Portugal, uma edição muito limitada de novas réplicas do C-Type para comemorar o legado automóvel do emblemático modelo no 70º aniversário da sua vitória nas 24 Horas de Le Mans. Este icónico veículo foi apresentado dia 3 de Setembro, no prestigioso Concours of Elegance do Palácio de Hampton Court.

As réplicas do C-Type serão produzidas manualmente nas instalações da Jaguar Classic Works em Coventry e irão emular a especificação do C-Type de competição de 1953. O modelo original dominou a edição desse ano nas 24 Horas de Le Mans e conseguiu a segunda vitória dos C-Type nesta competição, continuando a história de sucessos no desporto automóvel da companhia.

A equipa da Jaguar Classic estudou minuciosamente a história do C-Type para reproduzir na perfeição a especificação nos novos veículos. O legado da Jaguar ganha vida graças à tecnologia de vanguarda e à ampla experiência em engenharia, que permitiram utilizar as mesmas técnicas e os mesmos métodos que na época original.




Dan Pink, o director da Jaguar Classic, declarou que «O C-Type é um dos veículos mais emblemáticos da prestigiosa trajetória automóvel da Jaguar e foi conduzido por alguns dos pilotos mais admirados da história. Estas réplicas do C-Type mantiveram a essência do icónico e excecional design de Malcolm Sayer.” Malcolm Sayer utilizou a sua vasta experiência em engenharia e aerodinâmica, adquirida na indústria aeronáutica, para traçar o perfil suave da carroçaria aerodinâmica do C-Type. O seu design exótico ganhou vida graças a cálculos avançados.

O C-Type, que começou a competir em 1951 e conquistou a vitória em Le Mans na sua primeira participação, foi o resultado da mente visionária de Malcolm Sayer, o lendário designer da Jaguar, especialista em aerodinâmica, prodígio da engenharia e artista. Graças à sua forma aerodinâmica pioneira, os pilotos Peter Walker e Peter Whitehead conseguiram bater o recorde com uma velocidade média de 150,4 quilómetros por hora.

No entanto, algo que destaca o C-Type é ter sido o primeiro veículo a utilizar travões de disco em 1952. Estes travões, desenvolvidos em parceria com a Dunlop e conjugados com melhorias no motor e na suspensão, auxiliaram os C-Type a dominar as 24 Horas de Le Mans de 1953, sem esquecer a velocidade média superior a 170 quilómetros por hora que bateu todos os recordes. Esta foi a primeira vez que um veículo conseguiu finalizar a prova com uma velocidade média superior a 160 km/h.

Foram necessários apenas seis meses para desenhar e produzir estes veículos. Em 1951, 12 trabalhadores da Jaguar chegaram às 24 Horas de Le Mans com um trio de C-Type, após os terem conduzido desde o Reino Unido.

O C-Type representava uma melhoria integral do XK120, dado que tinha sido concebido com uma estrutura de chassis tubular perfurada que priorizava a redução de peso. Além de ser o primeiro veículo com travões de disco, entre as melhorias aplicadas ao longo da sua história encontram-se as jantes de 16 polegadas com 60 raios nos veículos de 1953 para melhorar a refrigeração dos travões. Outras inovações, como utilizar uma barra Panhard para a suspensão traseira que contribuíram para aperfeiçoar o veículo até atingir o seu expoente máximo com a configuração de 1953.


Uma das chaves deste sucesso foi a utilização de três carburadores Weber 40DCO3 que proporcionavam potência adicional ao motor de 3,4 litros e seis cilindros em linha, passando de 200 CV para 220 CV. A combinação dessa potência adicional com o primeiro sistema de travões de disco e uma carroçaria leve contribuíram para a segunda vitória da Jaguar em Le Mans.

Um dos sinais distintivos dos modelos com a especificação de 1953 são as grelhas do capot, que direcionam o ar diretamente para os carburadores posicionados na zona superior do compartimento do motor utilizando uma caixa de ar cuidadosamente concebida. Um dos muitos elementos únicos do veículo de 1953 que foi também incorporado nas réplicas do C-Type.

O veículo vencedor de 1953, pilotado por Duncan Hamilton e Tony Rolt, impulsionou uma utilização adicional de travões de disco tanto em pista como em estrada. As novidades da Jaguar no campo da engenharia iriam definir o trajeto para toda a indústria, e os conhecimentos de competição da companhia iriam melhorar a experiência de condução para todos.

Antes de criar as réplicas do C-Type era necessário aprofundar a história e o legado do modelo para determinar como deveria ser produzido. Foram necessários quase dois anos para compilar dados antes de poder iniciar o trabalho de produção. Durante essa etapa começou o que se poderia considerar uma caça ao tesouro nos arquivos, desenhos, documentos e fotos da Jaguar para determinar como este veículo icónico poderia ser produzido no século XXI.

Felizmente, Norman Dewis, oficial da Ordem Britânica e antigo piloto de testes e engenheiro da Jaguar, disponibilizou uma ajuda inestimável durante o processo de produção. A equipa também teve acesso a um modelo do C-Type e a fotografias, bem como às notas de Malcolm Sayer sobre a carroçaria elegante. Tudo isto permitiu fabricar um “Car Zero”.

O resultado de todo o processo de documentação permitiu a produção de um modelo através de design 3D assistido por computador. O primeiro passo foi o design dos elementos principais da carroçaria e da estrutura geral para proporcionar uma base visual aos engenheiros e para assegurar que tudo correspondia com a informação original disponível.


Os desenhos originais de Malcolm Sayer puderam ser confirmados graças à utilização desta metodologia moderna. As ferramentas vanguardistas da Jaguar auxiliaram a validar a autenticidade e engenho do C-Type original.

As primeiras réplicas do C-Type serão produzidas antes da realização, em 2022, do evento de celebração para proprietários inspirado no desporto automóvel. Irão todas seguir a especificação do veículo da equipa de competição que venceu Le Mans em 1953.

Cada um dos motores de 3,4 litros e seis cilindros em linha demora nove meses a produzir e os carburadores Weber foram cuidadosamente atualizados para cumprir os requisitos mais rigorosos. Outros detalhes do compartimento do motor foram mantidos iguais ao modelo original, como, por exemplo, a bomba hidráulica Plessey na caixa de velocidades, que injeta fluido hidráulico nos travões.

Os manómetros da especificação original refletem as horas de trabalho artesanal investidas na criação das réplicas do C-Type. São fiéis não apenas aos originais, como estão também tão perfeitamente integrados entre os interruptores que representam um claro exemplo da delicada atenção ao detalhe dos engenheiros da Jaguar Classic para conceber o modelo perfeito.

Todas as réplicas do C-Type dispõem de aprovação da FIA e podem participar em campeonatos históricos como a Jaguar Classic Challenge, que se realiza em Le Mans, Spa-Francorchamps e Silverstone. Para cumprir as normas da organização, o sistema de retenção com cinto de competição e a proteção em caso de capotamento aprovadas pela FIA foram integrados eficazmente na antepara traseira dos veículos. O meticuloso processo de pintura demora uma semana e é utilizada tinta moderna à base água.

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