Porcos também correm, uma tradição com quase 100 anos

Competição 25 Ago 2021

Porcos também correm, uma tradição com quase 100 anos

Por Edgar Freitas

O mundo dos automóveis está repleto de ocasiões, cenários e pessoas de grande calibre. De entre os ávidos detentores de automóveis de interesse histórico, distinguem-se dois tipos muito diferentes, os que guardam os seus clássicos a sete chaves, ocasionalmente expondo estas relíquias, e quem decide usufruir de experiencias que nenhum automóvel moderno pode conceder.


Diz se que as corridas de automóveis surgiram imediatamente após a criação do segundo automóvel no mundo. De tal modo é verdade este velho ditado, que vemos o entusiasmo com que as pessoas conduzem à mais de um século as suas máquinas no limite da própria engenharia e bom senso, participando nas mais loucas corridas de automóveis pelo mundo fora.


Mas uma corrida não se caracteriza apenas pela velocidade nem pelas grandes máquinas que se faz espetáculo. Se muitos viveram com entusiasmo o Goodwood revival, com todos os automóveis clássicos que ofereceram um espetáculo glamoroso da história automóvel, a competição que vos conto já de seguida irá, decerto, pôr-vos um sorriso de orelha a orelha.


Com uma tradição que remonta a 1925, o festival Tillamook County Fair, nos Estados Unidos da America, acolhe a mítica corrida Pig-N-Ford. Traduzindo para português significa algo como «Porco e Ford». Porco sendo literalmente o animal que todos conhecemos, e Ford a marca do muito conhecido modelo T, protagonista desta história.


Reza a lenda, que dois amigos seguiam a bordo do seu Ford modelo T nos anos 20, quando encontraram um porquinho que tinha fugido da sua fazenda. Os jovens foram atrás do porco e escoltaram-no de volta à fazenda. A experiencia foi tão divertida, que pouco tempo depois sugeriram aos organizadores do festival de Tillamook.


Esta competição já conta com 100 anos, e os participantes são, na sua maioria, descendentes de outros participantes, havendo já terceiras e quartas gerações de corredores na prova. Os participantes estão presentes todos os anos, a relembrar os seus pais e avós, e integrando os seus filhos no que é, de facto, uma competição saudável, e onde o primeiro prémio recebe a mesma gratificação monetária que os demais participantes.


É de ressalvar que todos os automóveis que participam no evento são modelos originais T, que ainda usam o sistema à manivela, contam com 22 cavalos de potência, e são complemente descarnados, numa tentativa de ganhar vantagem sobre o carro adversário, fazendo render ao máximo os seus estrondosos 22 cavalos.


A regras são simples, os participantes começam a partida a pé, e após o tiro de partida, devem correr até aos porcos, agarrar um, ir ao encontro do seu carro, arrancar o motor à manivela e completar uma volta à pista. Parece fácil, mas quando se tem um porco numa mão, o processo de arranque do motor pode ser complicado. De qualquer modo, o vencedor deverá completar 3 voltas à pista, repetindo o processo. A cada volta deverá desligar o motor, trocar de porco e iniciar marcha o mais rapidamente possível.


Esta história insólita captou de imediato a minha atenção. Quer pela originalidade, diversão e a história agregada a esta competição. Mais do que automóveis, os nossos queridos clássicos devem nos proporcionar mais alegrias do que um mero olhar de satisfação para uma peça imóvel. Os clássicos clamam a sua vida no som dos seus motores arcaicos. Espero que as belas peças de engenharia ancestral sejam sempre mais do que uma Mona Lisa no Louvre.



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