Volkswagen 1300, amor à primeira vista

Clássicos 20 Ago 2021

Volkswagen 1300, amor à primeira vista

Por Fernando Santos

Ao longo da minha vida nunca tive automóveis novos. Sempre optei pelos usados e de preferência com um mínimo de 10 anos. Opção pessoal e de difícil explicação para a maioria das pessoas excepto para as que gostam de bricolage e reconstrução. Esses entendem-me.

Quando tinha os meus 20 anos, fui ver um Triumph Spitfire usado, bem usado diga-se em abono da verdade. Ficou-me na memória a condução de um descapotável de dois lugares, de carácter tranquilo. Não consegui adquirir o automóvel porque o dinheiro não chegava e este encontrava-se muito danificado.

O sonho do descapotável foi-me perseguindo ao longo da vida, até ao momento em que consegui comprar um Mazda MX5 NA. Foi a realização de um desejo, de um sonho de ter um descapotável. Ele estava ali, na minha garagem.


Entretanto o meu sogro tinha um Volkswagen 1300 de 1968. De vez em quando dava uma volta com ele, porque o Senhor Albertino não gostava muito de conduzir. Tinha o Volkswagen para as férias e para alguma necessidade que implicasse a viatura como por exemplo visitar a família na margem sul.

O VW divertia-me, ensinava-me a andar devagar. Ao longo dos anos, o meu sogro teve várias propostas de aquisição, sempre me opus, dizendo-lhe que, se ele conduzia tão pouco, não valia a pena estar a trocar por uma viatura mais moderna, além de que a manutenção do VW 1300 era irrisória. Além disso ele falava do caro como se fosse uma entidade viva.

Os anos passaram e as leis naturais da vida levaram o meu sogro. Por condições de herança, a minha esposa ficou com o carocha em nome dela.

Passou um ano que não cabia na garagem onde repousava o bom Mazda MX5. O Volkswagen 1300 ficou na rua a céu aberto pela primeira vez. Passou um inverno, e eu olhava para ele com alguma nostalgia.

Um dia tive que tomar uma decisão e a proposta era vender o Volkswagen 1300 e ficar com o sonho, o Mazda MX5. Mas cada vez que dava uma volta com o carocha, tinha dificuldade em pensar em desfazer-me dele. Achava aquela condução divertida, calma e algo introspectiva.

Acabei por vender o Mazda que fez o sonho de um senhor do norte a quem desejo as maiores felicidades.

O Volkswagen 1300 continua connosco, nunca foi restaurado, mora agora na garagem. É um carro de família e continua em família. Sem dar problemas, lembra-me uma época em que tudo andava mais devagar, uma época em que ir de férias para o Algarve, era uma aventura que começava à porta de casa e durava quase todo o dia.

O VW 1300 de 1968, foi e é um carro de família e lembra-me uma frase, “Nunca abandonamos os nossos”.

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