Os Mustangs que nunca viram a luz do dia

Clássicos 11 Jul 2021

Os Mustangs que nunca viram a luz do dia

O caminho que o Ford Mustang percorreu teve muitas facetas, durante os quase 55 anos de existência, desde um Coupé acessível até ao ícone de performance. Quando lançado, em 1964, era construído sob a plataforma do Ford Falcon e teve o seu design inspirado no protótipo Ford Allegro, apresentado no ano anterior, e equipado com um motor V8. Mas este artigo não será referente ao Mustang que todos conhecemos, mas sim àqueles que nunca saíram dos estúdios de design, com várias alternativas, que perseguiam as novas tendências e as mudanças do mercado.
 

 
Logo no início da produção, foram propostas carroçarias alternativas ao Coupé, de modo a expandir o portefólio de modelos. Em 1965, foi construído um Mustang de quatro portas, mas este nunca passou da fase inicial de protótipo.
 

 
O mesmo não aconteceu com o Mustang Shooting Brake, que nasceu do sonho de três fans da Ford, Robert Cumberford, que era designer, Barney Clark, era executivo do departamento de marketing, e Jim Licata, que participou no projecto. Eles, com a ajuda da empresa italiana Costruzione Automobili Intermeccanica, transformaram um Mustang Coupé numa carrinha, em 1965. Quando terminado, apresentaram o protótipo à Ford e a várias empresas independentes de produção de automóveis. A Ford nunca passou este modelo para a produção, mas várias empresas construíram versões carrinha do Mustang, no entanto, o protótipo original foi perdido.
 

 
É interessante que o Mustang menos apreciado pelos fans, o Fox, foi aquele que passou por um processo de design muito longo, com várias propostas distintas. No início dos anos 70, a Ford teria de fazer várias escolhas, se queria manter viva a lenda do Mustang, pois nesta altura várias foram as restrições impostas pela EPA, como na economia de combustível devido à situação global da falta do mesmo e às novas regras para os testes de colisão. Inicialmente a Ford manteve a plataforma original, mas com uma carroçaria mais longa e luxuosa, mas ficou logo claro que isso não iria resultar. Então recorreu à plataforma O.G., produzindo algo que se assemelhava mais a um Ford Maverick alargado, do que propriamente a um Mustang.
 

 
Em 1971, em colaboração com a Ghia, desenvolveram dois protótipos que quase seriam postos em produção, mas no final somente a redução da distância entre eixos transitou para o Mustang II de produção. Estes protótipos mantinham ainda um design de Coupé de luxo, e foram buscar inspiração aos veículos europeus com o nariz de tubarão.
 
A própria Ford desenvolveu um protótipo do Mustang, com elementos que seriam utilizados no Ford Granada, lançado no ano seguinte, mas também no Ford Torino de 1973.
 

 
Mas o protótipo mais interessante, vindo da Ghia, foi quando esta pensou “fora da caixa”, com um design muito à frente do tempo, com linhas muito semelhantes aos desportivos japoneses lançados nos anos 80. Indiscutivelmente, este protótipo é muito mais bonito do que o Mustang II de produção, mas lançar um muscle car com este design na década de 70 seria um risco.
 

 
Nos anos 80, com o aumento da venda de desportivos japoneses, que eram na sua maioria de tracção frontal, o Mustang entrou numa crise existencial, pois os modelos do género, com motores V8 e tracção traseira, estavam a perder terreno. Nesta altura, também a Ford entrou em parceria com a Mazda, para a criação de um modelo que combatesse o Mustang, e foi dado o código SN-16. O protótipo desenvolvido em colaboração com a Ghia, nunca passou do modelo em argila, e que até tinha o símbolo do Mustang virado ao contrário. Desde de 1987 que estava a ser desenvolvida a nova plataforma para o Mustang, e os fans do modelo não estavam contentes com a possível mudança de tracção, por isso, enviaram cartas à administração contra essa ideia. Apesar de o Mustang não ter sido lançado com esta base, o design deste modelo passou para a produção, com o lançamento do Ford Probe, um Coupé que nunca conseguiu vingar no mercado, assim como o primo Mazda MX-6.
 

 
Todas estas indecisões afectaram o desenvolvimento do novo Mustang e, com isto, a Ford continuava a vender o Mustang Fox, em conjunto com o Probe, adiando a sua substituição, em parte porque o desenvolvimento do Mustang de tracção dianteira tinha “roubado” imenso dinheiro aos cofres da marca. Mas ainda assim, a marca do Oval Azul continuava a insistir na tracção dianteira, em vez de desenvolver uma plataforma de tracção traseira.
 
Em 1990, ficou claro que um Mustang V8 de tracção dianteira não iria ser bem recebido, mas também não restava muito dinheiro para o desenvolvimento do zero, portanto, teria de se poupar no novo modelo, tanto no desenvolvimento do desenho, como do chassis. O resultado final foi a plataforma SN95, também conhecida por Fox-4, que modernizou o aspecto do Fox original e passava a equipar com o motor Ford Modular V8 de 4,6L. Mas o aspecto exterior teria de ser diferente e não poderia ser somente um Fox actualizado, pois isso seria desastroso para as vendas. Por essa razão, a Ford procurou integrar no novo design elementos que fizessem lembrar o Mustang original, tornando-se num dos primeiros com uma interpretação retro moderna. Assim sendo, foram desenvolvidos três protótipos e cada um recebeu um nome de uma estrela de Hollywood.
 

 
O primeiro desenho é o Mustang “Bruce Jenner”, com vários elementos que passariam posteriormente para a produção, tanto no Ford Contour, derivado do Mondeo vendido na Europa, e para o Ford Taunus. Contudo, as suas linhas eram demasiado suaves para um Mustang.
 

 
O segundo desenho recebeu a denominação “Rambo”, e pela denominação pode-se assumir que foi inspirada pelo seu design muito agressivo, tendo ido buscar inspiração aos GM F-body, como o Camaro e o Firebird, que seriam lançados na mesma altura. E ao contrário do anterior, este era demasiado agressivo, mais do que aquilo que os fãs poderiam aceitar.
 

 
O último ficou conhecido como “Schwarzenegger” e foi o desenho escolhido para seguir para a produção, com vários elementos inspirados no Mustang original, tal como a Ford queria, assim como um capot longo e uma traseira curta, que evocava os primeiros Coupés. Foi este aspecto, que deu um novo fôlego às vendas do Mustang.
 

 
Além dos três protótipos enumerados acima, foi produzido um outro, que seria uma combinação entre o “Rambo” e o “Schwarzenegger”. Como curiosidade, o Oldsmobile Alero, lançado em 1998, assemelha-se a este protótipo do Mustang, que foi construído em 1990.
 

 
Pelo meio ainda foram propostos outros desenhos para o Mustang, de modo a alargar a imaginação dos designers, mas que não saíram do papel. Um deles foi buscar a inspiração ao Mercedes-Benz SL R129, que tinha sido lançado em 1989 e que poderia ser uma tentativa de trazer o Mustang para a Europa.
 

 
Outro desenho era de um Coupé mais compacto e que se assemelhava muito ao Dodge Avenger, mas este só seria lançado em 1994, o que leva a pensar que algum designer na Dodge se inspirou neste desenho ou possivelmente trabalharia na mesma equipa.


TAGS: Ford Mustang


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