Salvem os coupés

Modernos 09 Jul 2021

Salvem os coupés

Por Irineu Guarnier

Com exceção dos esportivos tradicionais de dois lugares, como Porsche ou Ferrari, os coupés parecem ser os carros mais bem resolvidos do ponto de vista do design. Os sedans de quatro portas são práticos, confortáveis, têm um formato quase perfeito. Mas uma carroceria de duas portas com a coluna C inclinada ainda é uma forma automotiva insuperável. Combina esportividade com conforto. É o meio termo ideal entre um esportivo invocado e um sedan comportado.

Por definição, coupé (corte, em francês), ou cupê (em português), é um automóvel três volumes (compartimento do motor + habitáculo + porta-malas) de capota fixa, com duas portas, quatro lugares e uma leve inclinação no segmento final do teto. Um tipo de carro que quase não é mais visto nas ruas do Brasil – a não ser por alguns raros importados.

Dessa espécie automotiva quase em extinção, que merecia ser salva tanto quanto as baleias ou os ursos pandas, um dos mais belos exemplares que desembarcou no Brasil na primeira década dos anos 2000 foi o sueco Volvo C30 – com motores 2.0 Ford Duratec de quatro cilindros ou 2.4 Volvo de cinco cilindros com ou sem turbo.


Obra prima do designer canadense Simon Lamarre, montado na Bélgica pela Ford (que controlou a Volvo de 1999 a 2010), o carro tem linhas atemporais muito elegantes. A carroceria começa com uma frente quadrada ao estilo tradicional da Volvo, mas a partir da coluna B se transforma num arrojado coupé.

O habitáculo se afila, os ombros ficam mais largos, a linha da cintura sobe, as janelas laterais diminuem, o teto se inclina para baixo e uma charmosa porta traseira de vidro desce até o pára-choque. Para alguns, é um hatch. Mas a própria Volvo o classificou como coupé – por isso o C na frente do 30.

Coupés foram carros muito populares no Brasil até o final dos anos 1980, quando os sedans passaram a dominar completamente o mercado. Nesse tempo, automóveis de quatro portas eram desprezados pelos consumidores brasileiros, tinham pouco valor de revenda, e muitas vezes ainda eram considerados “carros de velhos”. Isso mudou a partir dos anos 1990, com a volta das quatro portas. Houve o renascimento dos sedans – e em contrapartida os coupés nacionais começaram a desaparecer (Agora, também os sedans seguem pelo caminho da extinção).

Uma pena que as montadoras instaladas no Brasil tenham abandonado completamente essa linha. Nos países que mais produzem automóveis, não é assim. Muitos sedans famosos têm suas versões coupé, geralmente mais apimentadas, dirigidas a um público mais jovem. Faz muita falta esta opção no portfólio da indústria automobilística brasileira.

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Fotografias:Eduardo Scaravaglione


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.


TAGS: Coupe Volvo Volvo C30


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