Sol, amigos e automóveis pré-guerra

Clássicos 05 Jun 2021

Sol, amigos e automóveis pré-guerra

Por Márcio Fernandinho

As previsões meteorológicas indicavam 30° para o Domingo, 30 de Maio, o pensamento era de que “está tudo maluco”, mas certo é que os casacos só foram usados para evitar as queimaduras solares e não para evitar o frio.

Durante a semana as mensagens trocavam-se com os detalhes do encontro e assim se começava a perfilar um dia memorável… A certa altura, por outro motivo que mais tarde poderemos abordar, telefono ao Pedro Filipe e questiono “queres primeiro a notícia boa ou a má?” A resposta foi objectiva… “- Primeiro a má…” E etc e tal lá se falou o que tínhamos a falar e no fim do tema abordado, foi a vez do Pedro questionar… “E tu? Primeiro a má ou a boa?” Claro que pedi primeiro a má… Já que, seguramente, a boa ajudaria a superar a má… E diz o Pedro, “Vais ter um esforço físico grande no Domingo, assim tipo ginásio à bruta”… Quem me conhece sabe que ginásio efectivamente não é algo que me alegre o dia, estava na hora de saber a boa e questionei. “Então, e a boa notícia?” Ao que o Pedro respondeu, “Levas o Felcom no Domingo, se quiseres claro.” O meu sorriso foi instantâneo, tal como a resposta… “Vamos então ao ginásio que destas sessões pré-guerra eu gosto e faço com prazer!”.

A ida ao passeio de Domingo estava decidida já há uns tempos, mesmo sem a hipótese de levar um pré-guerra de Castelo Branco ao Porto, o que nos deixava na situação de acompanhar a todos, num “Tupperware”. Com este convite, passámos a contribuir para a quantidade de automóveis pré-guerra no grupo e com um interveniente de peso, o Felcom.


O Felcom é um Pré-Guerra “de Corridas” puro e duro. Sem “filtros”, sem conforto especial, com detalhes típicos do fim a que se destina. Direcção muito directa e precisa, perfeita para colocação em curva, pedais muito juntos e assertivos, fácil de travar e acelerar ao mesmo tempo, caixa de velocidades “dura”, avanço disponível para afinação a rolar e um acelerador que só quer altos regimes, dada a facilidade com que sobe de rotações e as bombas de combustível são aos pares… Não vá alguma entrar em “greve”.

Entrar no Felcom é, como em todos os carros de “sport” do género, entrar de pé e deitar dentro dele. É proibido apoiar no Volante a não ser que o objectivo seja destruir aquele elemento precioso. Não há portas e o encaixe é perfeito para a nossa estatura. Ligar o corta-corrente, ligar a ignição, ajustar o avanço, carregar no botão de arranque e “pum” acorda do seu sono… Reajuste de avanço… e está pronto para ir à luta!

Logo pela manhã fomos ter à Maia para apanhar o Felcom e saímos, acompanhados das respectivas Senhoras que fazem o favor de nos aturar os devaneios. O Pedro Filipe e a Margarida Patrício Correia escolheram o Alvis para ir ao Passeio e o Felcom levou-me a mim e à Anita Fernandinho, parámos para abastecer e seguimos directos ao Jardim do Passeio Alegre. No percurso, juntou-se o Abraão Santos que leva o Rolls Royce, carregado de boa disposição, amigos e umas “surpresas”.

Chegados ao ponto de encontro, perfilamos os automóveis e em poucos minutos o local já contava com cerca de 30 pré-guerras. O “glamour” que se sente no ar é tremendo, de cada pessoa que passa por ali, ouvem-se elogios, vêm-se sorrisos, notam-se espantos. O carinho com que as pessoas nos abordam ou com que se aproximam dos carros é comovente. Os Pré-Guerra despertam sentimentos muito especiais e únicos tanto nos mais petizes como nos mais graúdos.

Arrancámos perto das 11h, o trajecto até às Termas de S. Vicente transformava-se num desfile de beldades e, de facto, que “caravana” linda se perfila. Parámos em Medas, para refrescar os automóveis e os ocupantes… Uns com um tipo de líquidos, os outros com outro tipo, mais com bolhinhas… A mala do RR do Abraão é perfeita para auxiliar nestas coisas.

No Hotel das Termas, a moldura não podia ser mais adequada, que enquadramento perfeito! Logo se seguiu o almoço, onde a amizade se celebrou. Um rever de conhecidos, conhecer desconhecidos, colocar em dia temas pertinentes a esta temática dos Pré-Guerra, em suma, um perfeito momento de descontração e convívio.

Voltámos aos automóveis e havia que fazer o caminho de retorno a casa… A minha testa já estava passível de fazer competição com o “Rouge” do RR, afinal, eram mesmo 30°… e o protector solar tinha ficado em casa. Na volta ainda tivemos tempo para refrescar em Melres, apanhar o chapéu do Bruno umas 2x, e dar um salto à Quinta do Pedregal onde o bem receber foi mote, fruto do convite da Carla Fonseca e do Henrique Araújo que nos desafiaram a esta visita.

Saímos em direção à Maia, pois havia que voltar a guardar o Felcom e partir rumo a Castelo Branco. Chegamos à Maia e depois de uma troca de impressões sobre pormenores técnicos, (afinal o Felcom está em rodagem) facilmente percebemos que há décadas que o carro não andava tanto em tão pouco tempo o que foi uma prova da fiabilidade do carro, um carro que se revela um verdadeiro “míssil”.

Deixamos um profundo agradecimento ao Pedro por ter confiado o Felcom, foi uma honra, um privilégio, poder conduzir um automóvel com tanta história a responsabilidade era grande, mas o prazer foi tão maior. Bem-haja!

Ah… Algures entre a Maia e a Quinta do Pedregal, perdeu-se a boina do Ângelo Mota… Ângelo, desculpa, esta não deu para apanhar!

E não podíamos terminar sem a menção à Isetta… Leia-se à Patrícia Brandão e ao Henrique Brandão, que sempre nos acompanharam destemidos bem no fundo da fila sem descolar e pela preciosa ajuda na logística desta belíssima organização que estava a cargo do Abraão Santos e do Pedro Filipe.

Resta-nos dizer… Até à próxima…!

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TAGS: Alvis BMW Isetta Felcom Pré-Guerra Rolls-Royce


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