Há 50 anos este eléctrico batia o recorde de velocidade

Clássicos 18 Mai 2021

Há 50 anos este eléctrico batia o recorde de velocidade

A Opel está a assinalar os 50 anos do protótipo eléctrico Opel GT, recordando quando, nos dias 17 e 18 de maio de 1971, Georg von Opel entrou em pista, decidido a estabelecer novos recordes de velocidade para automóveis eléctricos.

Fê-lo no circuito de Hockenheimring, na Alemanha, ao volante de um modelo desportivo especialmente preparado e modificado: o Opel “Elektro GT”.

Feitas as contas, no final, este GT muito especial viria a bater nada menos de seis recordes mundiais, evoca a marca alemã.


Lembra o fabricante que Georg von Opel (neto de Adam Opel, fundador da Opel) encetou a tentativa de bater recordes com o “Elektro GT” não apenas para “validação do conceito” dos futuros veículos eléctricos a bateria, como também para perpetuar uma tradição familiar.

Isto porque o seu primo “Raketen-Fritz” (Fritz, o “Homem-Foguete”) preenchera as manchetes dos jornais entre 1927 e 1929 fruto das suas demonstrações de veículos propulsionados a foguetes, com especial destaque para a realizada no circuito de Avus, a 23 de maio de 1928, quando o RAK 2 atingiu uma velocidade máxima de 238 km/h.


Motores e baterias

O Opel “Elektro GT” contava com dois motores eléctricos Bosch de corrente contínua (DC) que, em conjunto, debitavam 88kW, cerca de 120cv de potência contínua e uma potência de pico máxima de 118kW, cerca de 160cv.

A empresa Varta forneceu as quatro baterias de níquel-cádmio instaladas ao lado e atrás do condutor.

Compostas por 280 células, estas baterias adicionaram 590 kg aos 960 kg do GT de produção em série, o que perfazia um total de 1550 kg, mais ou menos o mesmo que um Opel Diplomat B.


A tentativa de recorde de longa distância para este eléctrico exigiu a utilização de 360 células, aumentando ainda o peso das baterias para 740 kg.

Acusando 1700 kg na balança, o GT passava a pesar o mesmo que uma camioneta Opel Blitz com distância entre eixos curta. O peso extra exigiu molas mais tensas e a Continental desenvolveu pneus especiais de alta pressão, que minimizaram ao mínimo o atrito de rolamento.

Entre o trabalho aerodinâmico realizado na carroçaria inclui-se a cobertura de todas as entradas e saídas de ar à frente, um capot plano, sem a saliência para o carburador existente no GT de produção, a remoção dos para-choques, espelhos e puxadores das portas, bem como a remoção completa dos conteúdos dos compartimentos do motor e do passageiro.


Espaço apenas para o condutor

O sistema electrónico de gestão ocupava toda a bagageira e a traseira apresentava um grande spoiler. As luzes traseiras foram removidas e a respectivas furações foram simplesmente tapadas. O silenciador do sistema de escape foi substituído por um permutador de calor.

A alimentação eléctrica do sistema de gestão electrónica estava a cargo de uma bateria convencional de automóvel, alojada à frente, no compartimento do motor, onde os motores eléctricos substituíam o motor a gasolina original.


Montadas em suportes especiais, as baterias de alimentação dos motores – mais comuns nos aviões a jacto – ocupavam todo o espaço disponível ao lado e atrás do habitual lugar do condutor, deixando-lhe apenas espaço suficiente para se sentar num banco normal.

Ao volante do “Elektro GT”, Georg von Opel viria a estabelecer, a 17 de maio de 1971, quatro novos recordes mundiais para carros alimentados a electricidade.

Virou a marca de 1 quilómetro aos 19,061 segundos a uma velocidade de 188,86 km/h, o segundo recorde foi feito com um arranque parado em que percorreu 1 quilómetro em 31,066 segundos a uma velocidade final de 115,88 km/h, num arranque parado fez 500 metros em 19,358 segundos com uma velocidade final de 92,98 km/h e nesse mesmo dia quebrou também o recorde de 0,25 milhas, cerca de 400 metros, com um arranque parado, no tempo de 16,869 segundos a uma velocidade final de 85,87 km/h.


No dia seguinte, eram alcançados dois novos recordes, ambos realizados com arranque parado.

Percorreu dez quilómetros no tempo de 4:43,69 minutos com uma velocidade de 126,89 km/h, e cerca de dez milhas, ou cerca de 16 quilómetros no tempo de 7:35,63 minutos com a velocidade de 127,15 km/h.

No entanto, a baixa capacidade de energia das baterias de níquel-cádmio impediu que este modelo elétrico batesse um outro recorde mundial, para os 100 km realizados a uma velocidade constante de 100 km/h, tentativa que abortou após apenas 44 km.

Ainda assim, como primeiro VEB da Opel, o “Elektro GT” demonstrou que um veículo eléctrico a bateria poderia igualar a velocidade de um modelo desportivo seu contemporâneo.  


Em síntese

Em 1971, o neto do fundador da Opel, Georg von Opel, pulveriza seis recordes mundiais para veículos eléctricos ao volante de um Opel Electro GT capaz de alcançar 188 km/h de velocidade graças a dois motores elétricos emparelhados debitando 120 cv (88 kW). A energia eléctrica era fornecida por uma bateria de níquel-cádmio que pesava 590 kg. À velocidade estabilizada de 100 km/h, este GT especial tinha autonomia de 44 km.

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