Dicas para comprar um clássico

Clássicos 08 Mai 2021

Dicas para comprar um clássico

A vida é curta e torna-se mais bela se cedermos a alguns dos nossos mais profundos desejos. Por isso, comprar um clássico nunca é um erro. No entanto, para que haja mais alegrias do que arrependimentos neste processo, há muitos factores a ter em conta antes de avançar.


Um clássico para quê?

Muitas vezes, o impulso de comprar um clássico começa com um modelo específico já em mente. Se não for esse o caso, há algumas questões sobre as quais deve reflectir antes de avançar. A principal é o que pretende fazer com ele!


O tipo de utilização é determinante para a escolha do modelo a adquirir. Ninguém precisa de 300cv para ir tomar um café à marginal, como também, poucos quererão fazer viagens pela Europa de microcarro.

Escolher o modelo adequado ao seu tipo de vida, é, por isso, determinante, para que não se venha a arrepender.

Há vários tipos de entusiastas, com diferentes gostos, e que procuram diferentes tipos de utilização. A boa notícia é que há um modelo certo para todos e saber escolher o que se adequa a si, é por isso determinante para evitar futuras desilusões.


À medida do orçamento

Poderá até vir a revelar-se a compra mais importante e gratificante da sua vida, no entanto, um clássico não é um bem de primeira necessidade, pelo que convém saber ajustar a escolha ao seu orçamento.

A compra de um clássico difere bastante da compra de um automóvel novo, na medida em que o preço de compra é só parte da despesa. Por muito impecável que esteja o exemplar em questão, há sempre onde gastar um milhar ou dois em aperfeiçoamentos ou numa boa revisão.

Se a ideia for realizar um restauro, pense no pior cenário e multiplique por dois. O valor final não andará muito acima disso.

O orçamento de manutenção também é algo a planear antecipadamente. Há modelos que parecem propostas irresistíveis para a cotação que têm, mas muitas vezes isso acontece porque são demasiado dispendiosos de manter, o que afasta compradores.

Para evitar surpresas, o ideal é procurar clubes e fóruns dedicados à marca e questionar os proprietários acerca das suas experiências.


Tempo para escolher

Na sua cabeça está “aquele” modelo que idealizou e que sempre preencheu os seus sonhos, mas não tome uma decisão sem experimentar conduzi-lo e, de preferência, mais de um exemplar.

Por vezes a realidade não corresponde minimamente às nossas expectativas ou ao nosso estilo de utilização. Para evitar decepções dispendiosas, experimente também as principais alternativas de outras marcas.

Se já conhece bem o modelo e decidiu avançar, espere mais um pouco… Não compre o primeiro exemplar que lhe apareceu a menos que as condições sejam manifestamente irrecusáveis. Faça uma pesquisa, procure outras opções e negoceie de cabeça fria.


A quem comprar?

São raros ou fantasiosos aqueles casos de alguém que vendeu por metade do preço “por não saber o que tinha”, ou o proprietário que só usava o veículo aos domingos. Por vezes são estórias criadas para justificar um preço inflaccionado sem razão aparente, ou um negócio demasiado apelativo que esconde surpresas.

Quem vende, nem sempre diz a verdade, mas muitas vezes é porque está apenas a reproduzir o que lhe transmitiu o proprietário anterior.

Saber distinguir comerciantes e particulares nem sempre é fácil. A honestidade, ou a desonestidade não se definem pela ocupação de cada um. Além disso, há muitos particulares que se dedicam a uma actividade continuada e oficiosa de compra e venda de clássicos, diminuindo assim as suas responsabilidades ao nível de garantias.

A compra de um veículo clássico a um comerciante pode eventualmente resultar num preço mais elevado, mas, por outro lado, este está a arriscar a sua reputação em cada negócio, e por estar no mercado, é mais fácil obter informações sobre ele e solicitar uma garantia sobre o veículo.


Condição do veículo

Esta é a parte em que um principiante deverá fazer-se acompanhar de alguém mais experiente, pois há muitos aspectos a apreciar com cuidado, mas que no entusiasmo do momento, podem passar despercebidos.

Há alguns procedimentos mais ou menos simples, que qualquer um pode pôr em prática para verificar a condição dos diversos elementos de um automóvel. Nenhum deles, porém, exclui o test-drive.


Carroçaria

Verifique se todos os painéis têm o mesmo tom de cor e brilho e se as folgas entre painéis são iguais em toda a carroçaria. Abra o capot e verifique o aspecto das uniões entre painéis em torno do motor e bagageira, e verifique se todas as soldas têm um aspecto industrial e original, levante os tapetes da bagageira, e se possível as alcatifas do interior, e procure sinais de corrosão escondidos. Verifique também se há sinais de humidade nesses revestimentos.


Suspensão e direcção

Verifique se há folgas excessivas na direcção ou ruídos ao rodar o volante, repare se o desgaste dos pneus é igual no interior e no exterior do piso e nas rodas de ambos os lados. As diferenças podem indiciar apenas um desalinhamento ou problemas mais graves e com cuidado, pode abanar o veículo e verificar se a suspensão está firme ou se balouça em demasia, o que será sinal de desgaste excessivo.

 
Interiores

Procure rachaduras no tablier, pois se as houver, em muitos modelos são extremamente difíceis de reparar e encontrar, além do que, encontrar um tablier para substituir é muitas vezes impossível, teste todos os instrumentos e botões e veja se funcionam devidamente, teste o sistema de ventilação e aquecimento, todas as luzes e verifique o estado dos bancos, se reclinam, se deslizam devidamente e se a espuma está com a densidade necessária para ser confortável. Se os revestimentos originais não estiverem em bom estado, informe-se, antes da compra, para saber se ainda é possível encontrá-los no mercado

Certifique-se de que as marcas dos vidros são todas iguais e teste elevadores de vidros, se a quilometragem anunciada for baixa, fique atento ao desgaste da alavanca das velocidades, capas de pedais, volante e alcatifas. Isso pode dar pistas sobre a veracidade ou não do que o vendedor afirma.


Mecânica

Antes de colocar em marcha, abra o reservatório do líquido de refrigeração. Idealmente, o seu conteúdo deve ser cor-de-rosa ou verde. Se na tampa, reservatório e tubos houver cor de ferrugem, é sinal de um sistema de refrigeração muito sujo. Se o líquido de refrigeração tiver manchas de gordura no topo, pode ser sinal de óleo no circuito, o que é muito mau sintoma, garanta que os tubos de refrigeração, travões, e mesmo os da gasolina se encontram com elasticidade. Se estiverem duros ou quebradiços, representam perigo e terão de ser substituídos. Procure por marcas de óleo escorrido em torno das juntas e no cárter.

Verifique as folgas no selector da caixa de velocidades e se todas se engrenam com facilidade, teste a dureza da embraiagem e se possível o ponto: um pedal duro e a “pegar” em cima, pode significar que o disco está em fim de vida. Coloque o motor em marcha e procure fumo nos primeiros segundos de funcionamento, ouça atentamente o trabalhar do motor e procure detectar barulhos e vibrações estranhas e por fim, voltamos a insistir, não compre sem fazer um test-drive.


Documentação e pagamentos

Depois de verificar todas as questões relativas à condição do veículo, atente à documentação. Qualquer anomalia ou ilegalidade nos documentos, podem significar pagar por um automóvel que nunca irá poder usar. Leia os documentos atentamente, verifique se todas as informações batem certo com as características do modelo e não tenha receio de fazer perguntas. Um vendedor de boa-fé entenderá a sua posição e terá todo o gosto em satisfazer as suas dúvidas.

Por último, procure sempre fazer a transferência de propriedade na presença do vendedor, antes do pagamento e ao balcão do Registo Automóvel. Esse procedimento permite garantir que não há nenhum impedimento ao negócio, como penhoras, reservas de propriedade, cancelamento de documentos, ou outros.

Em alternativa, antes de fechar negócio, vá um balcão do registo automóvel e peça uma certidão através da matrícula do veículo, ou faça-o em https://www.automovelonline.mj.pt/. A certidão tem um custo de dez euros, mas pode poupá-lo a muitos prejuízos e desgostos.

Verifique igualmente o último certificado de inspecção e, sempre que disponível, os de anos anteriores.


Pagamento

Actualmente a legislação impede o pagamento de determinadas quantias em dinheiro vivo, pelo que essa hipótese nem sequer será equacionada na maioria das vezes.

A transferência ao balcão, perante a presença do vendedor, é uma solução que oferece bastantes garantias a ambos: o vendedor sabe que o pagamento foi feito e o comprador sabe exactamente a quem pagou.

Existem, actualmente, outras soluções electrónicas fiáveis que podem ser confortáveis para o comprador, como o PayPal, desde que ambos estejam de acordo.


Poderá obter mais informações sobre este tema em O Meu Clássico.


TAGS: O Meu Clássico


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