Comprar pronto ou restaurar?

Clássicos 25 Abr 2021

Comprar pronto ou restaurar?

Por Irineu Guarnier

Quem ingressa no mundo do antigomobilismo quase sempre depara com um dilema: adquirir um cintilante veículo clássico pronto para rodar ou um modelo meio caidinho para restaurar?
 
São raríssimos os modelos colecionáveis, com mais de 30 anos, em perfeitas condições, ou quase, que não passaram por uma restauração parcial ou completa. Essas “moscas brancas” até existem, mas custam muito caro – e raramente são negociadas.
 
Assim, é bem provável que a primeira aquisição de um novo colecionador seja um carro já restaurado ou algum que necessite de restauração. Qual é a melhor alternativa?
 
Essa escolha vai depender de vários fatores. O primeiro: de quanto dinheiro você dispõe para adquirir seu primeiro clássico? Depois: você deseja começar a rodar com ele imediatamente, ou não tem pressa? Gosta de oficinas mecânicas e de garimpar peças em desmanches, exposições de carros antigos, ou na internet? Conhece bons profissionais de funilaria, pintura, estofaria, tapeçaria, ou mecânicos que saibam lidar com carburadores, por exemplo?
 
Comprar um clássico já restaurado tem algumas vantagens. Você sabe como o veiculo ficou depois de pronto. E já pode participar do primeiro encontro de carros antigos de sua cidade.
 
Mas existem também desvantagens: a restauração pode não ter sido conduzida como você gostaria (imaginando-se que você seja um antigomobilista perfeccionista).Uma verdadeira restauração exige, muitas vezes, a desmontagem completa do carro, raspagem da pintura, eliminação de pontos de ferrugem, reforma de motor, substituição de suspensões, da fiação elétrica, do sistema de freios e de outros componentes importantes. É quase como fazer um veículo novo. E, claro, você vai pagar bem mais caro por um carro já “feito”, como se diz no jargão brasileiro do meio.
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A compra de um carro para restaurar, por outro lado, pode ser um bom negócio se você não dispõe de recursos para quitar o seu eleito em um único lance. Você pode pagar baratinho por uma “lata velha”, no bom sentido, e reconstruir seu clássico aos poucos. Além disso, cada etapa da restauração, do desmonte até a instalação dos últimos emblemas, pode ser supervisionada de perto (o que geralmente rende um bom álbum de fotos para mostrar aos amigos ou aos futuros compradores).
 
A principal desvantagem é que esse trabalho geralmente dura meses, às vezes anos, com algum retrabalho inesperado pelo caminho (nem sempre tudo corre bem… ) – período em que você não poderá desfrutar do seu vintage car. E, no final das contas, os gastos poderão se equivaler ao preço de um modelo similar já restaurado…
 
Como se vê, a aquisição de um carro clássico, pronto ou por fazer, tem seus prós e contras. Uma coisa, porém, é certa: em qualquer dos casos, a diversão é garantida.
 

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Fotografias: Eduardo Scaravaglione


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.



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