Amédée Gordini, o humilde começo

Clássicos 24 Abr 2021

Amédée Gordini, o humilde começo

Por José Brito

Há décadas atrás os engenheiros eram autênticos mestres artesãos que forjavam histórias que se viriam a tornar lendárias, não sendo preciso ir mais além do que ao conto digno de epopeia de Carlo Abarth. Porém, os tempos não eram menos conturbados do que os actuais, a busca por um qualquer mecenas de bolsos fundos e paixão automóvel era ponto-chave, e a sobrevivência acabava em muitos casos por se tornar palavra de ordem.
 
Amédée Gordini foi um virtuoso entre os génios, com criações dignas do mais esperançoso imaginário. Talvez por isso lhe chamassem “O Mago”.
 

 

Inícios Humildes

Nascido em Bazzano, Itália, em 1899, era filho de agricultores sem terra própria. A sua vida ficou intimamente marcada pela morte do seu pai quando Amedeo (nome de nascença) tinha apenas três anos, sendo que pela incapacidade da matriarca da família em cuidar dos quatro filhos, Amedeo acaba por viver com o seu tio, também agricultor.
 
Seria precisamente o seu agora tutor que, em 1908, marcaria a vida do jovem quando o acompanha à Coppa Florio, competição disputada em Bolonha. Desde esse momento Amedeo fica encantado com os automóveis e a mecânica em geral, dedicando os seus esforços à aprendizagem dos processos de fabrico que levavam à sua obtenção.
 
Curiosamente, a apenas alguns quilómetros de Amedeo e do seu tio, outro menino (apenas dois anos mais velho do que Amedeo) contemplava a mesma prova com igual admiração, Enzo Ferrari, sendo que além da paixão que partilhavam pelos automóveis, partilhariam também uma intensa rivalidade em pista, anos depois.
 

 
Amedeo voltaria ao seu seio familiar original quando a sua mãe casou de novo, originando a deslocação de toda a família para Bolonha, onde este tem oportunidade de se educar numa escola pela primeira vez. Mas com a paixão pelos automóveis no seu sangue e a predisposição de fazer todos os sacrifícios necessários, começa a trabalhar como aprendiz de ferreiro com 12 anos. Apesar da carga de trabalho brutal, este primeiro ofício permitiu a Gordini ter um contacto virgem com a mecânica.
 
Após anos na mesma profissão, e crendo nada mais ter a aprender, Amedeo trabalharia num concessionário Fiat em Bolonha, primeiramente como auxiliar de tarefas, e depois como assistente de mecânico. O chefe de mecânicos daquele concessionário da Fiat era nada mais, nada menos, do que Eduard Weber, nome mais do que ilustre para quem adora clássicos na sua forma mais pura.
 
Weber acabaria por ter um papel vital na formação e aprendizagem de Gordini, pelo menos antes de este decidir ingressar na fábrica Isotta-Fraschini, principiando outra fase de aprendizagem, desta vez com Alfieri Maserati.
 
Mas em 1917 a sua rota de conhecimento sofre uma paragem abrupta, em via da Primeira Grande Guerra, guerra esta na qual receberia inúmeras medalhas de mérito. Aquando do seu término regressa a Bolonha e nesse mesmo ano fabrica o seu primeiro automóvel a partir de um motor Bianchi, levando a cabo a sua primeira operação rentável pela venda desse mesmo veículo. Voltaria ao seu cargo na Isotta-Fraschini, empregando o seu tempo livre em colaborações com Giuseppe Moschini na fabricação de veículos para recordes de velocidade com base em chassis SCAT. Foi por estes mesmos veículos que o destino quis que Gordini conhecesse uma outra personalidade de enorme relevo na área, o afamado piloto italiano Tazio Nuvolari.
 

 
Durante algum tempo executou diferentes cargos, tendo em vista nomeadamente a acumulação de fundos. Seduzido pela montra automobilística que era Paris, Gordini deixa a sua mulher Lucía e o seu filho Aldo para viajar até à cidade das luzes em 1925, tendo imediatamente cedido aos seus encantos. Toma o restaurante Ferrari (sem qualquer relação com Enzo) como o seu centro de operações, passando neste grande parte do seu tempo e dinheiro com o seu novo círculo de amizades, do qual se deverá destacar Guiseppe “Papa” Cattaneo, proprietário de uma das mais célebres garagens parisienses da altura com dedicação, entre outros, à venda de veículos Isotta-Fraschini.


TAGS: Amédée Gordini


PARTILHAR:

Deixe um comentário

Please Login to comment