Do sonho de infância até à minha garagem

Clássicos 06 Abr 2021

Do sonho de infância até à minha garagem

Por Pedro Filipe

Em 1996, tinha eu nove anos, fui com os meus pais ao rali de automóveis antigos do Algarve (actualmente Algarve Classic Cars). Nesse rali participamos com o Ford T Roadster de 1912, e para mim foi inesquecível, porque foi a primeira vez que fiz o papel de “navegador” ao lado do meu pai.

Quando chegámos ao Algarve, descarregámos o carro na Marina de Vilamoura, e deparei-me com algo que nunca tinha visto: um carro que parecia ser de corrida e sem tinta. De corrida porque tinha o tubo de escape de fora e sem tinta porque era em alumínio polido.

Lembro-me de me sentar no muro, que ainda hoje existe, e de ficar apreciar o automóvel durante bastante tempo, surpreendido e deslumbrado com as linhas e formas do “Ducksback”. Foi a primeira vez que vi o Alvis.


Penso nisto com um sorriso por ser algo que me desperta um sentimento nostálgico. Provavelmente se me perguntarem algo dos meus nove anos de idade, dificilmente me irei lembrar, mas desse rali, do Alvis e desse fim-de-semana, lembro-me de episódios como se fossem hoje.

Durante anos, este automóvel perseguiu-me, não só pelos vários ralis que fomos fazendo em conjunto com os seus proprietários, pessoas essas por quem naturalmente fui desenvolvendo o maior carinho e amizade, mas também porque guardo as várias imagens no meu computador mental de o ver a passar por mim em várias provas com um som de escape livre e de carro de corrida. Parecia um torpedo.

Era para mim um automóvel fantástico, e um dos três ou quatro automóveis antigos que mais marcou a minha infância e o meu imaginário. Durante anos falei cá em casa neste Alvis e sempre que o via tirava fotos e guardava numa pasta, sempre com aquela esperança de quem sabe um dia.

Esse dia chegou, finalmente, passados quase 25 anos desde que vi o automóvel pela primeira vez. Com a ajuda do meu bom amigo José Barquinha, o Alvis mudou de garagem e, felizmente, veio mesmo para a minha.

Quando andei nele, o som e as lembranças voltaram a ser o que sempre foram. Estou mesmo muito contente. Espero no mínimo ter o Alvis mais 25 anos e ser tão feliz com ele como foi o anterior proprietário.

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TAGS: Alvis


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