Maserati A6GCS, o milagre da multiplicação

Clássicos 01 Abr 2021

Maserati A6GCS, o milagre da multiplicação

Por Hélio Valente de Oliveira

Desenhados por Aldo Brovarone, inicialmente para a Cisitalia, os coupé Maserati A6GCS serão porventura dos designs mais emblemáticos para automóveis desportivos na década de 1950. A conjugação de elegância e agressividade é de um equilíbrio ímpar e, ao mesmo tempo, são possuidores de um sentido de propósito que não é nada vulgar. Detalhes que não passam despercebidos ao entusiasta, por mais empedernido que seja.
 
Fruto da reação ao mau tempo que se fez sentir nas Mille Miglia de 1952, onde a Maserati alinhou com quatro A6G com carroçaria Spyder e onde nenhum chegaria ao fim, a casa-mãe decidiu alinhar com uma carroçaria coupé, no ano seguinte.
 
A casa Pinin Farina já havia trabalhado com a marca e com resultados interessantes, pelo que foi contactada para tal. No entanto, havia um problema: Pinin Farina estava a finalizar um contrato de exclusividade com a Ferrari. Então a estratégia foi, alguns dizem que com a total conivência de Battista Farina, tornar a encomenda não-oficial. Esta viria de Guglielmo Dei, o concessionário Maserati em Roma, que comprou seis chassis A6GCS e comissionou directamente o trabalho.
 
Foram construídos somente quatro unidades, mas há milagres, e o mundo automóvel é pródigo em casos semelhantes, se exceptuarmos duas réplicas, ambas construídas em chassis Maserati A6GCS e com motores correctos, hoje existem cinco unidades. Mas vamos ver o que aconteceu, chassis por chassis.

Chassis #2056

Acabado em vermelho e o único com especificação de competição. Não tem a entrada de ar no capot. Vendido pela marca em Dezembro de 1953 ao Conde Paolo Gravina di Catania, que quase de imediato o inscreve na prova Giro di Sicilia. Tem um acidente grave, que resulta na morte do co-piloto. Regressa à fábrica, onde permanece sem reparação durante quase quarenta anos. Só em 1991, já com Alejandro DeTomaso é que o restauro é efectuado. É posteriormente adquirido por um conhecido coleccionador. Ainda está em Itália.
 

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Chassis #2057

Porventura o mais icónico de todos. Acabado em dois tons de azul e sem entrada de ar no capot, esta unidade tem detalhes únicos: o tejadilho é mais baixo 40 mm, o pára-brisas é dividido e a traseira é redonda, sem as, embora discretas, caudas de peixe dos outros três. O primeiro dono, achou que o ruído e o calor sentidos no habitáculo eram excessivos, pelo que mandou substituir a carroçaria fechada por uma barchetta. O chassis recebeu um novo número (2086) e ainda existe hoje. A carroçaria original ficou na posse de Gugliemo Dei, que a manteve até 1977. “A carroçaria estava em muito original, sem modificações e ainda pintada de azul. Só lhe faltava o para-brisas e o interior…” disse o novo proprietário. O restauro foi efectuado com base no chassis A6GCS #2070. Refira-se que a empresa que efectuou o restauro, prontamente produziu duas réplicas.
 

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Chassis #2059

Completado em Setembro de 1954 e adquirido pelo primeiro proprietário em Abril de 1955, que participou na edição desse ano das Mille Miglia. Acabado em branco, era o número 643 nesta prova. Em altura incerta foi instalado um motor com especificação de Fórmula 2, com 190cv. Esteve nos Estados Unidos, onde foi pintado de vermelho, acabando por regressar a Itália, onde está na mesma colecção desde os anos de 1970. É considerado o mais original de todos. Actualmente ostenta uma faixa branca central. Foi considerado o “Best of Show”, em 2016, no Concorso d’Eleganza Villa d’Este.
 

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Chassis #2060

Como o #2057, a carroçaria original foi substituída por uma barchetta, feita por Fiandri. A dada altura, a carroçaria original foi instalada no chassis #2089. Foi depois vendido para os Estados Unidos, onde foi restaurado nos anos de 1970, na Califórnia. Tem um desenho da grelha mais rectangular que as outras unidades, a entrada de ar no capot, pára-choques, a dada altura, e o interior modificado. Fez parte da colecção Rosso Bianco. O chassis original foi adquirido por um coleccionador alemão que tentou, durante anos comprar a carroçaria original do #2057. Eventualmente acabou por comissionar a construção de uma carroçaria nova no Reino Unido. Está pintado em Cinza Prata.
 

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Recapitulando, quatro coupés foram construídos: um teve um acidente (#2056), dois tiveram a carroçaria separada do chassis (#2057/#2060) e só um se manteve em condições originais (#2059). Existem actualmente dois com o chassis/carroçaria originais (#2056/#2059), dois com a carroçaria original, mas com chassis, embora genuínos A6GCS, são mais recentes (Carroçaria #2057 com chassis #2070/Carroçaria #2060 com chassis #2089) e um quinto com chassis original, mas carroçaria replicada(#2060). Se contarmos com as duas réplicas, temos sete unidades.
 
É de facto o milagre da multiplicação!

Réplicas

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TAGS: Maserati A6GCS


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Paulo Santos

Olá amigos do jornal dos classicos.
Sobre este MAserati tive a oportonidade de vesitar a coleção Panini em Italia onde efetivamente vi o chassis 2056 do qual Mundo umas fotos