Citroën Mehari: Para o sol de Inverno e para os dias quentes de Verão

Clássicos 14 Mar 2021

Citroën Mehari: Para o sol de Inverno e para os dias quentes de Verão

Por José Sebastião

A Citroën comemora o seu centenário. Em 1919, André Citroën lança o que viria a ser um marco na história automóvel, a Citroën. É inegável o seu contributo para a indústria automóvel, pois facilmente nos recordamos do “traction avant”, o 2CV, o “Boca de Sapo”, entre outros… a história é efectivamente recheada de bons exemplos fabricados pela marca.
 
Nesta marca podemos encontrar o prazer de condução num automóvel confortável, com um desenho único e soluções mecânicas verdadeiramente surpreendentes, já para não falar de uma relação peso potência incomparável. Por todos estes motivos, se tem um clássico desta marca sorria, pois tem em mãos algo único em todos os sentidos.
 
A fim de homenagear esta data, seria fácil falar de um 2CV, ou um “Boca de Sapo”, algo icónico e marcante na história automóvel, mas ao invés disso, decidi aproveitar o sol de Inverno e saborear a liberdade de sentir o frio a bater-nos na cara ao mesmo tempo que o sol nos encandeia a vista sobre o horizonte. Se quer um clássico para no fim-de-semana saborear estes dias de sol de Inverno e no Verão ir à beira-mar, e pode dizer-se literalmente à beira-mar, ou às praias mais recônditas, onde os outros automóveis não ousam ir, sentir o sol e o vento… então o Mehari é o seu clássico.
 
Não se pode dizer que é um automóvel potentíssimo, ou que andará sempre na casa dos três dígitos de velocidade, no entanto, pode dizer-se que a subir não o vai deixar envergonhado, que uma 3ª a fundo com a entrada do segundo corpo do carburador, vai deixá-lo com um sorriso que não vai conseguir disfarçar e que a sua suspensão vai fazê-lo viajar confortavelmente pelas estradas e ultrapassar as lombas como se nada fosse. Já para não falar das curvas que realizará a bom ritmo com as quatro rodas assentes no chão, ao passo que os outros estão a meter travão e a reduzir para as conseguir fazer. Se quer ver toda esta performance, é só ver os primeiros minutos do filme “Gendarme de Saint Tropez”, e verá tudo o que este automóvel é capaz de proporcionar a quem o conduz.
 
Conduzir o Mehari, apresentado em França em Maio de 1968, em plena revolução francesa, irá resgatá-lo para isso mesmo, uma sensação prazerosa de liberdade, pois não irá viajar fechado dentro de uma caixa com janelas. O melhor exemplo que lhe posso dar é, não sei se lhe acontece, mas no Verão vamos para a praia e passamos pelos pinhais e somos invadidos pelo seu cheiro intenso… isso será a sua constante. Essa invasão de cheiros da natureza enquanto sente um calorzinho bom no rosto, pois a remoção da capota é total, pode ainda baixar o pára-brisas, ficando apenas com uma pequena envolvência de carroçaria que lhe dará pela cintura, à boa maneira de um Buggy.
 

 
O seu chassi proveniente do Dyane e o motor de dois cilindros proveniente do 2CV, com 602 cm3, que debita uns estrondosos 29 CV, capazes de atingir os 110 km/h, com um consumo que ronda os 6,1 litros/100 km, tem uma resposta ao acelerador, ágil mas sem pressas, mas também não há motivos para isso, pois o melhor da vida é mesmo a viagem, e neste caso, é mesmo isso.

 
Historicamente falando, poderá trazer um dos 145 mil Meharis para sua casa, sabendo desde já que tem quatro lugares, e inicialmente as cores disponíveis eram vermelho Hopi, o verde Montana e o beije Kalahari. O cor-de-laranja que surgiu em 1976 e mais tarde surgiram outras variantes no verde.
 
Poderá ainda ser um feliz contemplado se conseguir a versão Azur, “marinheiro”, lançada em 1983, de cor branca com as portas e a lona azul, em que os bancos eram forrados com tecido turco listados de azul e branco. Este modelo tem o seu o logótipo específico, Azur, à frente entre o pára-brisas e o capot e atrás ao lado da matrícula do lado esquerdo.
 

 
Se preferir o Plage, no seu mítico amarelo, feito em Mangualde para a Península Ibérica, com logótipos Plage, em castanho suave, no capot, à frente à direita e do lado esquerdo junto ao guarda-lamas, e atrás, junto à matrícula do lado esquerdo. Nesta versão os bancos eram listados a amarelo e as jantes eram iguais às do Azur.
 

 
Existe ainda uma versão 4×4, facilmente reconhecida pelo pneu suplente montado no capot, da qual se fabricaram apenas 1213 unidades, mas que não justifica o seu preço, na altura quase o dobro da versão normal, pois a falta de potência do motor e a capacidade da versão normal em percorrer igualmente os trilhos acidentados, condenaram ao insucesso o modelo 4×4.
 

 
Algumas das outras características deste modelo são os travões, inicialmente de tambor e posteriormente de disco, que estão colocados junto ao motor e não junto à roda e a sua caixa de quatro velocidades com a manete no tablier. Por fim, se deitar o banco de trás, ficará com uma bagageira considerável.
 

 
Existe todo o tipo de material novo para o Mehari, no entanto, estas permanecem exclusivas de poucos fabricantes. Depois de comprar este automóvel, se não souber de ninguém para o reparar ou como adquirir material, tem, por exemplo, o Club 2CV/ Dyane de Portugal, que poderá aconselhar neste aspecto.
 
Se já começou a ver deste seu futuro clássico, deixe-me só lembrar que estamos na era dos computadores faz tempo, diria que estamos numa era dependentes da tecnologia, e isso marca sem dúvida os produtos finais que temos ao nosso alcance como consumidores. Não podemos passar indiferentes ao planeta e ao ambiente, por isso, em 2015 a Citroën lançou um E-Mehari eléctrico… mas salvar um clássico, é também um gesto de salvar o planeta e uma memória. Olhando para os dois Meharis, imagine que tudo começou com uma maqueta em cartão.
 


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