As versões mais raras e desportivas da primeira geração do Renault Clio

Clássicos 10 Mar 2021

As versões mais raras e desportivas da primeira geração do Renault Clio

Por Tiago Nova

Após termos falado sobre a primeira geração do Renault Clio de forma generalizada, agora iremos debruçar um pouco nas versões especiais, raras, de carácter desportivo e únicas. Tal como qualquer veículo utilitário, o Clio teve várias versões especiais, com pormenores diferentes, detalhes únicos e equipamento especial, como é o caso do Clio Chipie, o Fidji, Alizé, o Oasis ou o Be Bop.

Pegando no exemplo do Clio Be Bop, esta versão, vendida em 1994, tinha por base o Clio RL, com alguns elementos específicos, como os frisos laterais únicos, com a inscrição Be Bop, vidros coloridos e tampões nas jantes Miramas. Já no interior, este contava com o padrão dos estofos específico Pallock, carpete azul e volante desportivo de três braços, derivado do Clio 16S. Esta versão estava disponível nas carroçarias de três e cinco portas, e poderia vir equipado com o motor a gasolina de 1,2 litros ou o diesel de 1,9 litros. Ao nível das cores, poderia vir em branco, vermelho, amarelo, preto, azul e azul metalizado.


Falando dos modelos mais apetecíveis, temos o Clio Baccara, uma versão que seguiu a linhagem do anterior Renault 5 Baccara e que trazia o luxo para o segmento utilitário. Exteriormente, o Clio Baccara tinha saias laterais e umas jantes específicas, mas era no interior que o Baccara mais se destacava. Com muita pele e madeira de nogueira, com os bancos e volante desportivo em couro, vidros e espelhos eléctricos, ar condicionado, direcção assistida, comando do rádio na coluna de direcção, fecho central com comando à distância, medidor de temperatura exterior e tinha um porta-fatos na chapeleira da mala. Como opcional, podia-se adquirir alarme e caixa automática de três relações. Em 1997, o Clio Baccara foi rebatizado como Clio Initiale, seguindo a linhagem do resto da gama, com alteração das jantes. Ao nível das motorizações, o Baccara iniciou a sua comercialização com o motor de 1,7 litros e 92cv, juntando-se em 1991, o 1,4 litros de 75cv ou 80cv e o novo 1,8 litros de 88cv, passando, posteriormente, para 95cv.


Passando para as versões de carácter mais desportivo, temos o Clio RTi e o RSi, ambos esteticamente similares e lançados em 1993. Enquanto o primeiro era equipado com o motor 1,4 litros de 80cv ou 75cv, o segundo tinha o mais interessante motor F3P de injecção multiponto, 1,8 litros de cilindrada, oito válvulas e desenvolvia 110cv às 5500 rotações por minuto e 150Nm de binário às 2750 rotações por minuto, passando para 108cv em 1996, com a adição de catalisador. O motor está acoplado à caixa de cinco velocidades JB3, a mesma do Clio 16S. Esteticamente tinham um pequeno spoiler na traseira, jantes de 14” com cinco braços Monte-Carlo, com pneus 175/60, saias laterais e o RSI tinha travões de disco nas quatro rodas. O Clio RSi só foi comercializado em Portugal na fase três do Clio, sendo mesmo a única versão desportiva nessa altura, mas com vendas bastantes residuais.

Uma versão mais interessante era o Clio S, que rivalizava com o Citroen AX GT e o Peugeot 106 XS, lançado em 1993. Estava equipado com o motor 1,4 litros Energy, debitando 80cv e acoplado a uma caixa de relações mais curtas, tornando a experiência de condução mais animada. Esteticamente, tem um friso verde a toda à volta do automóvel, emblema S na traseira e nas laterais, jantes de ferro brancas de 14”, um pequeno spoiler na tampa da mala, para-choques na cor do plástico e faróis de nevoeiro dianteiros. No interior, os bancos eram mais desportivos e tinham um padrão específico. A condução foi melhorada com a adição de uma barra estabilizadora de maior diâmetro na traseira e discos ventilados na frente. Em 1996, a versão foi descontinuada, apesar de continuar a existir o Clio S, mas sem estes elementos diferenciadores e com o motor de 73cv.


Dentro destas versões mais apimentadas, existiram ainda algumas versões mais raras e limitadas. Exemplo disso é o Clio RTi Grand Prix, vendido exclusivamente na Alemanha em 1995 e limitado a 1000 unidades, com cada exemplar a ter uma placa com o número de série. Esta versão especial foi feita devido aos sucessos da equipa de Fórmula 1 da Renault com o piloto Michael Schumacher, tendo os decalques exterior específicos, assim como a cor azul Mónaco. Como equipamento, tinha airbag para o condutor, tecto de abrir, ABS, rádio com comandos na coluna de direcção e ar condicionado.

Em 1996, também para comemorar as vitórias da Williams-Renault, é lançado o Clio RSi Racing para o mercado suíço, pois na altura era a versão mais potente. Exteriormente vinha com as jantes de cinco raios Paimpol, sendo o único elemento diferenciador. No interior, tinha bancos específicos em couro e tecido, volante em couro com airbag, quartelas das portas em couro e tapetes específicos em veludo com a inscrição Rothmans Racing. Também poderia estar equipado com airbag para o passageiro, ABS e ar condicionado. Também em 1996 foi lançado o Clio S Maxim e, em 1997, para o mercado espanhol foram lançadas as versões Clio S e Clio RSi Apple, com um emblema próprio, bancos em couro e tecido e as jantes Paimpol de cinco raios.

Não poderia terminar as versões especiais da primeira geração do Clio, sem falar dos Clio transformados. Apesar de nunca terem sido produzidos pela Renault, algumas empresas transformaram o Clio em descapotável. A empresa alemã Elia fez uma versão do Clio, o Clio Sunshine, com base na carroçaria de três portas, onde foram retirados o tejadilho e a secção traseira, sendo adicionadas duas barras para melhorar a resistência. A Elia produzia várias versões idênticas de muitos automóveis utilitários e os Clio não foram excepção, podendo ainda adicionar uma decoração, faróis bifocais Morette e ainda alguns extras de todo-o-terreno. Cerca de 50 Clio foram transformados, inclusivamente na Holanda, pela Cabrioni, onde era vendido como Clio Cote d’Azur. Além desta, também a belga EBS, que chegou a fazer uma série limitada do Renault 5 GT Turbo Cabriolet, também produziu um protótipo do Clio Cabriolet, no entanto, este não passou para a produção.

Outra transformação impensável do Clio, é em autocaravana, obviamente muito rara. A empresa britânica Stimson, que no passado já tinha transformado vários automóveis, inclusivamente o Mini num buggy, denominada Stimson Sportique, esta autocaravana de pequenas dimensões tem por base o Clio, onde é adicionada uma secção traseira e superior em fibra de vidro.

O próximo artigo ficará reservado aos Clio mais musculados e apetecíveis, o 16S e o Williams.

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TAGS: Cabrioni EBS Elia Renault Clio Stimson


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