A história do Mustang utilizado no filme Bullitt que McQueen não conseguiu comprar

Clássicos 20 Fev 2021

A história do Mustang utilizado no filme Bullitt que McQueen não conseguiu comprar

No passado mês de Janeiro falámos do Ford Mustang utilizado no filme Bullitt, após este ter batido todos os recordes de venda de modelos Mustang, ao ser vendido por mais de três milhões de euros. Hoje vamos aprofundar um pouco mais a história desta preciosidade do mundo automóvel e de Hollywood.
 
Tal como o título indica, o próprio Steve McQueen tentou adquirir o seu Mustang favorito diversas vezes, todas elas sem efeito. A sua última tentativa foi a 14 de Dezembro de 1977, quando escreveu uma carta, com o nome da sua produtora, a Solar Productions, ao seu proprietário, de Nova Jersey. Nessa carta, escreveu que queria recuperar o seu Mustang de 1968, querendo mantê-lo sem o restaurar. O Mustang apareceu à venda, em 1974, na revista Road & Track, tendo sido adquirido por 6.000 dólares pelo proprietário que McQueen estava a tentar comprar. Mas este sempre quis um Mustang Fastback e viu aqui uma excelente oportunidade de adquirir um. Em 1971, o Mustang tinha sido adquirido por um agente da polícia de Nova Jersey, à produtora Warner Bros, com uma carta da Ford, a indicar que esse automóvel com o chassis 8R02S125559, foi adquirido para o filme. Durante o transporte, o volante e a moca da alavanca da caixa foram roubadas.
 
Apesar de em 1977 McQueen já não ter a importância de outrora, continuava a ser um ícone, e acima de tudo um grande aficionado por automóveis e motos. Mas o ícone não é só Steve McQueen, toda a cena criada em San Francisco, tornou a perseguição entre o Mustang e o Charger a mais icónica de Hollywood e com condução real.
 
No entanto, McQueen não estava nada contente com a firmeza do proprietário, tendo mesmo sugerido a compra de um automóvel igual, para procederem à troca. McQueen viria a falecer em 1980, sem nunca ter cumprido o desejo de adquirir o Mustang. Por coincidência, nesse mesmo ano a embraiagem do Mustang cedeu, nesta altura já era a mulher de Bob Kiernan que o utilizava para se deslocar para a escola onde leccionava, fazendo com que ficasse guardado muitos anos numa garagem, quase “esquecido”. A família mudou-se várias vezes de estado e o Mustang lá os ia acompanhando.
 

 
Até 2015, não se sabia do paradeiro dos dois Mustang GT de 1968, equipados com o motor 390 V8 e pintados na cor Highland Green, adquiridos para desenrolarem as cenas do filme Bullitt. Ambos viram os seus emblemas retirados e foram adicionadas jantes Torq Trust em cinza. O motor foi modificado por Max Balchowsky, da Hollywood Motors. Um deles tinha uma rollcage e fez a maior parte das cenas. Este último ficou em muito mau estado e segundo informações da produtora, teria ido para a sucata. O outro Mustang, foi utilizado pela última vez em público em 1990 para a revista Mustang Illustrated. Este artigo foi feito, pois alguém disse ter descoberto o Mustang que McQueen tentou adquirir e assim, para repor a verdade, o proprietário chamou o editor da revista, para fazer um artigo do exemplar verdadeiro.
 
Foi então que Sean Kiernan, filho de Bob, contou o segredo da família ao seu patrão, Casey Wallace. Casey quis logo ver o automóvel e perguntou a Sean se podia levar o seu amigo produtor Ken Horstmann, mas Sean não sabia bem o que fazer, até que aceitou. O Mustang estava desmontado, pois em 2001, quando a Ford lançou uma versão especial do Mustang Bullitt, Sean e Bob quiserem trazer o automóvel de novo para a estrada, como um projecto de pai e filho. Não queriam que o Mustang ficasse perfeito, queriam só devolvê-lo de novo à estrada. No entanto, a vida assim não o permitiu e o Mustang ficou às peças. Nesta altura, Hollywood voltou a bater à porta, dizendo que Drew Barrymore, produtor do filme Anjos de Charlie, andava à procura do Mustang de Bullitt, mas Sean voltou a não o vender.
 
Quando Bob faleceu, em 2014, Sean ficou sem saber o que fazer ao Mustang, queria devolvê-lo de novo à estrada, mas não sabia como. Foi então que num almoço entre Sean, Wallace e Horstmann, se decidiu montar o Mustang de novo, tal como estava, após Horstmann ter mostrado uma cópia da carta de McQueen a Sean e este ter respondido com a carta original.
 

 
Horstmann necessitava de dinheiro para o novo filme e assim acordou com Sean, e o Mustang de Bullitt foi carregado num reboque e levado para os estúdios, onde foi certificado por Kevin Marti de que se tratava do original. Marti procurou todos os pormenores do Bullitt original, para certificar que era o mesmo, desde os apoios para as câmaras, os buracos na tampa da mala onde passavam os cabos de alimentação. Com várias filmagens feitas do automóvel, aproveitaram o SEMA para entrar em contacto com a Ford. O momento não podia ser melhor, já que a Ford tencionava lançar uma terceira versão do Mustang Bullitt, em 2018, e a cereja no topo do bolo seria a apresentação do novo modelo, no Salão de Detroit, ao lado do original que se achava perdido.
 
Em Março de 2017, foi encontrado o segundo Mustang utilizado em Bullitt, parcialmente desmantelado, no México. Cerca de uma semana após Chad McQueen, filho de Steve, lançou o site FindingBullitt.com, para tentar descobrir o paradeiro dos automóveis.
 
Sean acabou por vender o Mustang GT com a intenção de doar o dinheiro para a fundação Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research, a doença que vitimou o seu pai e assim ajudar mais pessoas.
 

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Fotografias: Hagerty


TAGS: Bullitt Ford Mustang Steve McQueen


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