A história do Alba Romeo

Clássicos 03 Fev 2021

A história do Alba Romeo

Por Francisco Lemos Ferreira

Ficam para memória futura muitas das conversas que tive com António Augusto Martins Pereira, criador do automóvel português Alba.

Pelo Carnaval de 2009, em Albergaria-a-Velha, voltámos a encontrar-nos e fomos até ao carismático Café Napoleão à conversa sobre o quarto Alba, mais uma obra de Francisco Côrte-Real Pereira com motor Alfa Romeo de seis cilindros originário do 6C dos anos trinta.

Francisco Côrte-Real Pereira Piloto e Construtor


Este carro foi construído pelo Côrte-Real?
Foi, pouco participei na construção, mas vi a carroçaria a ser feita.

Diferente da do OT e do TN?
Quase igual à segunda versão do TN que ele fez diferente do meu, muito ao estilo de um Maserati descapotável que havia na altura (Maserati A6GCS-53 Convertible de 1953).

Isso foi em que ano?
Acho que foi em 1955 (Côrte-Real Pereira acabou o carro em Julho e fez a primeira prova em Agosto de 1955, na Régua, no Rali Vinho do Porto).

Carlos Miranda ao volante do Alba


Além do Côrte-Real, também o Carlos Miranda electricista pilotou o carro?
Acho que sim. Era muito amigo dele e como o Chico teve uma doença qualquer na altura, foi o Miranda que pilotou, mas aquilo correu mal e bateu com o carro.


O carro era vermelho, ao contrário dos outros?
Era.

Sabe porquê?
Tanto ele como eu sempre gostámos da Alfa Romeo e ele tinha aquele motor há muito tempo guardado e que pôs no carro. A dada altura até pensámos nesse motor para o OT. Como vermelho é cor de Alfa Romeo deve ter sido por isso.

O Motor Alfa Romeo do Alba Romeo no Circuito da Boavista (Foto Pedro Cruz)


Então era um Alba Romeo?
Era.

Motor Alfa Romeo seis cilindros?
Sim de origem era um 1750, mas ele alterou-o para 1500. Francisco Côrte-Real Pereira surge com o LA-11-18 na segunda Volta ao Minho no mês de Setembro de 1955, pintado de vermelho, com o motor seis cilindros da Alfa Romeo, vidro duplo à inglesa, prova onde estiveram pela primeira vez três Albas.


Na Volta ao Minho estiveram três Albas?
Sim. Eu no OT fiquei em terceiro lugar porque passei a prova toda a agarrar a porta, que não fechava, com uma mão e a conduzir com a outra, e o Chico (no Alba LA–11-18) ficou em segundo na categoria até 1500cc.

E o TN?
Acho que era o Baltasar Vilarinho. Não me lembro (Baltasar Vilarinho no TN ainda amarelo ficou em segundo lugar na classe até 1100 cc).

Nunca conduziu o “Alba Romeo”?
Não me lembro se cheguei a dar uma volta, mas o Chico inscreveu-me como piloto suplente desse carro no Porto (III Taça Cidade do Porto de 1955).

Este automóvel foi inscrito na III Taça Cidade do Porto, em 1955, como marca Alba, matrícula LA-11-18, com o número de Chassis 101014915 e com a cilindrada de 1498cc.


O Côrte-Real Pereira teve um grande acidente com esse carro, não foi?
Teve, no Porto. Não lembro o ano, mas o carro ficou bastante danificado.

Então o LA-11-18 nunca ganhou nada?
Acho que não ganhou nada de importante senão lembrava-me. O Alba Romeo ganhou uma prova de arranque no Rali Rainha Santa de 1956, que não contava para a classificação.

Em 1956, Côrte-Real Pereira, por altura do Circuito da Boavista, inscreve-se com o Alba LA com motor Alfa Romeo na IV Taça Cidade do Porto, que havia vencido de forma inequívoca, em 1953, ao volante do OT e despista-se ao voltar da meia laranja do castelo em direcção à Avenida da Boavista. Ao falhar uma mudança, embate de forma violenta nos fardos de palha e é projectado para o chão ficando debaixo do carro. Desmaiou, foi ao hospital, mas recuperou a tempo de assistir ao resto da prova não tendo sofrido consequências físicas de maior. Nessa prova, o LA ainda fez várias voltas sendo a melhor à média de 124,13 km/h.

O ano de 1957 foi sabático para Côrte-Real Pereira, que apenas surgiu novamente com o seu Alba Romeo em 1958, em Vila Real, com a carroçaria reparada e o conhecido motor Alfa Romeo de seis cilindros proveniente do 6C, com modificações da sua autoria, resultando em 1498cc de cilindrada e duas árvores de cames à cabeça. Segundo o meu amigo Manuel Dinis, a torre do tombo das corridas de Vila Real, nas voltas que fez, teve o pior tempo dos automóveis que participaram à média de 102,76 km/h. Foi o canto do cisne para o Alba Romeo LA-11-18, pois Côrte-Real Pereira, desiludido com as prestações do automóvel e os vários problemas surgidos nas provas, terá desmantelado o Alba na Branca e, após adquirir o TN a
Baltasar Vilarinho, aproveita o chassis deste e aplica-lhe a carroçaria do LA reparada (ou terá construído uma igual) originando a configuração que o TN-10-82 tem hoje.


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