O último Porsche 901 produzido, de barnfind a peça de museu

Clássicos 02 Fev 2021

O último Porsche 901 produzido, de barnfind a peça de museu

A história do nascimento do Porsche 911 é praticamente conhecida da generalidade dos entusiastas, no entanto, vale sempre a pena recordar. Em Setembro de 1963, no Salão Internacional de Frankfurt, a Porsche apresentou aquele que iria ser o sucessor do 356, designado Porsche 901. À data, várias foram os panfletos de publicidade impressos e alguns automóveis já produzidos, com a produção em massa a acontecer um ano após, em Setembro de 1964.

Mas, no entretanto, em Outubro de 1964, no Salão de Paris, a Porsche tinha em exposição o seu novo modelo e chamou a atenção da Peugeot. Tudo porque a Peugeot detinha os direitos de nomenclatura da numeração com zeros no meio, algo que o 901 não respeitava. Isto só era válido para os automóveis de estrada, não afectando os modelos de competição como o 904 e o 906. A 22 de Outubro de 1964, Ferry Porsche solucionou o problema e indicou para designarem o automóvel por 911, sendo que, nesse dia, saíram da fábrica os últimos 901. No total, 55 exemplares do Porsche 901 foram produzidos, o que torna estes modelos iniciais da linhagem 911 muito especiais.

O Porsche 901 deste artigo é um pouco mais especial, visto tratar-se do último 901 produzido, segundo o Porsche Museum, e carregar consigo uma longa história. Quando a Porsche soube da existência do último 901 produzido, o seu estado era deplorável, estava abandonado ao tempo, faltavam muitas peças, a carroçaria estava podre e teve algumas reparações pouco dignas ao longo da sua vida.




Decorria o ano de 2014, quando num programa alemão, um senhor na casa dos 70 anos, disse que tinha dois 911 na sua quinta, um vermelho e um dourado, e queria vender ambos. O programa contactou Alexander Klein, director do Museu da Porsche, para a avaliação dos modelos, ficando perplexo quando leu o número de chassis do automóvel vermelho, que é 300057, sabendo de antemão que era um dos primeiros 911 produzidos.

Onze dias depois, Klein foi à quinta com mais dois membros do museu e foi confirmado que o exemplar vermelho era mesmo um 901, enquanto o dourado era um 911 L de 1967. Posteriormente, para ser imparcial, Klein contactou dois avaliadores independentes, para darem um valor real dos automóveis. Após avaliação, o valor final situou-se nos 107 mil euros para o 901 e os 14.500 euros para o 911 L. A confirmação veio dos registos da marca, que indicam que este chassis foi efetivamente o 55º produzido, ou seja, o último com a denominação 901.

Da história deste exemplar, sabe-se que foi vendido novo na Alemanha, e passou por dois proprietários durante os anos 60, até ser adquirido por Bernd Ibold, o senhor que foi ao programa, levando-o para a República Democrática Alemã. Ibold tinha uma oficina e utilizava o 901 como automóvel de serviço e, apesar de ser ele próprio a trabalhar no automóvel, não conseguia arranjar muitas peças originais e teve que improvisar bastantes vezes. Após o seu casamento e o nascimento dos seus filhos, o 901 foi ficando esquecido, juntando-se, posteriormente, o 911 L, que foi adquirido para restauro, mas nunca foi terminado.

O restauro do Porsche 901 ficou a cargo de Kuno Werner, pessoa que trata da manutenção de mais de 600 automóveis do museu, no entanto, não foi tarefa fácil, devido às inúmeras peças em falta. Apesar das previsões de Werner, em que mais de metade da carroçaria não seria possível salvá-la, por incrível que possa parecer, foi mesmo o oposto. Ainda assim, o motor estava “agarrado”, a caixa de velocidades não era a original e a suspensão estava em muito mau estado. O objectivo era de conseguir manter o maior número de peças originais, principalmente as específicas do 901. Mas o que tornou este restauro ainda mais difícil, é que na época a Porsche melhorava alguns pormenores de automóvel em automóvel e não existe documentação suficiente que indique o que cada um tinha de diferente. Assim, tiveram que “jogar” entre os automóveis mais antigos e outros construídos posteriormente, assim como contactar outros especialistas independentes para dar uma opinião.


O 901 foi totalmente desmontado, e mesmo aquelas peças irrecuperáveis foram guardadas, para futuras referências. A tinta foi toda retirada e as partes da carroçaria podres foram substituídas por outras melhores, retiradas de um 911 de 1965 que serviu de dador. Após estar pronta, a carroçaria foi pintada na cor origina Signal Red, mas aplicada segundo os princípios modernos, pois assim torna-se mais resistente à corrosão. Só para se ter uma ideia, o trabalho de carroçaria demorou um ano, sensivelmente.

A Porsche Classic tratou de desmontar o motor boxer de seis cilindros e dois litros de cilindrada, assim como a caixa de cinco velocidades, com todas as peças a serem inspecionadas antes da reconstrução. Ao todo, cerca de 120 horas foram utilizadas no motor.

Após os trabalhos estarem a rolar a bom ritmo, a Porsche Classic iniciou a busca das peças que faltavam, como a grelha, adquirindo uma numa venda online. Estes 901 não tinham qualquer tipo de logotipo na traseira, somente a designação Porsche. Aquando da montagem do automóvel, foi verificado que várias peças pertenciam a modelos mais recentes, como os puxadores das portas, para-choques, cubos das rodas e o escape, por exemplo.

O restauro durou cerca de três anos, pois o que mais dificultou foram os pormenores únicos dos 901, que foram reproduzidos ou restaurados ao mais pequeno pormenor, como é exemplo o cinzeiro. Agora, está de novo de volta à velha glória, com todo o seu ar elegante.

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TAGS: Porsche 901 Porsche 911 Porsche Classic


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