Quem inventou o avião?

Arquivos 14 Jan 2021

Quem inventou o avião?

Por Irineu Guarnier

Entre aficionados brasileiros por aviação, a discussão é antiga – e parece não ter fim. Afinal, quem “inventou” o avião: Santos-Dumont ou os irmãos Wright?

Ao contrário do que dizem brasileiros e norte-americanos, no entanto, o avião não foi inventado – solitariamente – por Alberto Santos-Dumont nem pelos irmãos Wilbur e Orville Wright. O avião é uma criação coletiva de inúmeros inventores geniais, que trabalhavam ao mesmo tempo, em diferentes países, para solucionar o complicadíssimo problema de fazer com que um artefato mais pesado que o ar se sustentasse no ar em voo controlado.

O assunto é complexo, controverso, e há muita “patriotada” envolvida no debate. Cada país puxa a brasa para o seu assado. Tecnicamente, é aceito nos meios aeronáuticos (não nos EUA, obviamente) que o 14-Bis, de Santos-Dumont, foi a primeira aeronave mais pesada que o ar a elevar-se do solo por seus próprios meios – tendo percorrido cerca de 60 metros num voo controlado, na Paris de 1906.




O Flyer, dos irmãos Wright, que voou três anos antes, na Carolina do Norte (EUA), era bem mais sofisticado do que o 14-Bis. Manobrável nos três eixos (como os aviões atuais), fazia curvas em voo, subia mais alto e permanecia mais tempo no ar. Mas tinha uma séria desvantagem em relação ao 14-Bis: não descolava sozinho. Era lançado ao ar a partir de trilhos em declive ou por uma catapulta. Ora, disparado por uma catapulta até um tijolo voa…

Há quem diga que os Wright chegaram a decolar sem ajuda de declives e catapultas, embora seja difícil comprovar porque, ao contrário de Santos-Dumont, que fazia seus voos em público, os irmãos Wright voavam quase escondidos, com medo de que lhes roubassem a tecnologia. Mas estudos técnicos demostraram que a relação massa-potência do Flyer, de 1cv para cada 28,3 kg, não permitiria tal proeza (No 14-Bis, a relação era de 1cv para cada 6 kg, parecida com a dos ultraleves contemporâneos). Somente em 1908, com um motor (francês) mais potente, os americanos teriam conseguido decolar por seus próprios meios.

Seja como for, o primeiro avião como o conhecemos hoje, com asas, profundores, leme vertical, charuto, motor a hélice frontal e trem de pouso fixo, não foi nem o Flyer, nem o 14-Bis (que voavam de “ré”, e não foram além de protótipos), e sim o Demoiselle, de Santos-Dumont. O pequeno e elegante Demoiselle incorporou todo o conhecimento sobre o voo do mais pesado que o ar acumulado até o seu lançamento, em 1907, e serviu de modelo para os aviões modernos. Ainda hoje é uma bela aeronave.


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.



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