Há 83 anos nascia o jerrycan, um utensílio indispensável para as longas viagens

LifeStyle 18 Nov 2020

Há 83 anos nascia o jerrycan, um utensílio indispensável para as longas viagens

O jerrycan é daqueles objectos que à primeira vista do quotidiano tradicional é inútil e obsoleto. Tudo porque as cidades evoluíram e cada vez é mais fácil abastecer os automóveis. Ainda assim, muitos entusiastas de automóveis clássicos e, principalmente, de todo-o-terreno, utilizam-no com bastante frequência, pois vão aos locais mais remotos do planeta, onde não existe bombas de combustível nas proximidades. Os seus traços iniciais apareceram na Alemanha, onde foi pela primeira vez concebido e produzido em larga escala em 1937, para serem utilizados para a Segunda Guerra Mundial.

Tudo porque Paul Pleiss estava à procura de novas ideias de produtos militares. Pleiss trabalhava na Ambi-Budd Presswerk, uma fábrica de produção de carroçarias para automóveis BMW e Ford, que era uma extensão do grupo americano Budd Company. Quando a Guerra estava iminente, a ABP concentrou todos os seus esforços na produção de produtos militares, como produzir as carroçarias para os Volkswagen Kübelwagen e Schwimmwagen. O seu segundo projecto era a produção dos primeiros jerrycans.

Na época, os primeiros jerrycans não foram atribuídos à ABP, mas sim à Müller Engineering, após Hitler ter pedido para produzir algo que fosse capaz de transportar combustíveis, de forma segura, num recipiente rígido e robusto, designado então Wehrmacht-Einheitskanister, ou em inglês Armed Forces Unit Canister. Na altura, foi a Vinzenz Grünvogel, a quem foi apontado como o inventor do jerrycan, sendo ele engenheiro chefe na Müller Engineering. Esta tinha também uma participação na ABP, por isso não é difícil perceber de onde veio a ideia.


Estes jerrycans eram uma espécie de depósitos de combustível utilizados nos automóveis, mas mais práticos para transportar. Eram também produzidos quase da mesma maneira, com duas partes soldadas a meio. Tinha um pequeno tanque de ar, para poder flutuar caso fosse atirado à água.

Pleiss e outro membro da ABP iam fazer uma roadtrip de Berlim até à Índia, no Verão de 1939, mas tal como seria de prever, iriam ter dificuldades em encontrar combustível e então Pleiss meteu no automóvel três jerrycans. Quando a Guerra despoletou, Pleiss teve de ir para o seu país e ordenou que o automóvel fosse carregado para os E.U.A, onde chegou com os jerrycans intactos. Apesar dos americanos não parecerem muito convencidos com a ideia, os britânicos ficaram bastante entusiasmados. Quando os alemães tentaram invadir a Noruega, os britânicos confiscaram vários Wehrmacht-Einheitskanister, passando aí a designar-se jerrycan.

É então que é enviado um telegrama para os Oficiais da Marinha americana, dizendo que os equipamentos que eles utilizavam eram responsáveis pela perca de 40% da gasolina, por evaporação ou fugas. Eles responderam afirmativamente para iniciar a utilização dos jerrycans. Outro problema posterior ocorreu quando chegaram às refinarias para iniciar o enchimento dos jerrycans e foi descoberto que também aí havia bastantes perdas, pois devido ao calor muita da gasolina evaporava e também devido ao mau tratamento dos barris que andavam “aos chutos” causando fugas. Somente em 1943, é que os britânicos conseguiram fornecer cerca de dois milhões de jerrycans para uso na Guerra, diminuindo os desperdícios e, em 1944, os Aiados já utilizavam mais jerrycans que os alemães.

Com o cessar da Guerra, os jerrycans passaram a ser muito utilizados na vida civil, algo que se mantém até hoje, praticamente sem alterações, sendo que a maior é a existência de jerrycans de plástico. Esta é uma resumida história sobre um objecto que foi bastante importante na época, não só para os transportes de gasolina, mas também de água.

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TAGS: Jerrycan


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