A versão brasileira do Projeto J da GM

Clássicos 13 Nov 2020

A versão brasileira do Projeto J da GM

Por Irineu Guarnier

O Chevrolet Monza foi um dos mais cobiçados automóveis brasileiros dos anos 1980/90. O elegante sedan de quatro portas possuía versões com requintes que a avarenta indústria automobilística brasileira da época sonegava à maioria de seus consumidores, como direção hidráulica, ar condicionado e até câmbio automático.

Com seus avançados motores transversais 1.8 e 2.0 de quatro cilindros e tração dianteira – quando a maioria dos carros grandes ainda utilizava vetustos motores longitudinais, eixo cardã e tração traseira – o Monza logo se tornou sinônimo de modernidade e símbolo de status.

O Monza era a versão brasileira do Projeto J, ou J-Car, a primeira experiência de um carro mundial da General Motors, desenvolvida após o Choque do Petróleo da década de 1970, quando as grandes montadoras norte-americanas decidiram fazer veículos menores e mais econômicos para enfrentar a concorrência dos modelos compactos japoneses que tomavam de assalto o mercado dos Estados Unidos.




Foi fabricado, com poucas alterações, também na Alemanha, na Inglaterra, no Japão e no Brasil – sempre com os motores brasileiros 1.6, 1.8 e 2.0 de quatro cilindros construídos em São José dos Campos (SP). E teve vários nomes, batizados pelas subsidiárias da GM: Chevrolet Cavalier, Pontiac 2000, Pontiac Sunbird, Pontiac Sunfire, Safari (a station wagon, que não tivemos no Brasil, assim como o conversível), Buick Skyhawk, Oldsmobile Firenza, Cadillac Cimarron, Vauxhall Cavalier, Holden Camira, Isuzu Aska e Opel Ascona.

O modelo brasileiro derivava do Opel Ascona alemão. O nome “Ascona”, no entanto, foi rejeitado porque em português lembrava a palavra “asco”, e optou-se então por uma homenagem ao célebre autódromo italiano. O Monza foi lançado no Brasil – apenas na versão hatchback, com motor 1.6 de quatro cilindros – em 1982. Nos anos seguintes, viriam as versões sedan (berlina) de duas e quatro portas com motores 1.8 e 2.0 a álcool e gasolina. O câmbio, que começou com quatro marchas, logo ganharia a quinta.


Robusto e de fácil manutenção, foi fabricado de 1982 a 1996, com pequenas mas acertadas atualizações em seu design (a última versão, 12 cm mais longa, ficou conhecida pelo apelido de “Tubarão”, em razão do capô em cunha). No total, a General Motors do Brasil produziu 952.678 unidades do carro mundial da marca. Um sucesso tão grande que, por três anos consecutivos (1984/1985/1986), o sofisticado Monza roubou de veículos populares o primeiro lugar no ranking dos automóveis mais vendidos no país.

É certo que a indústria automobilística nacional evoluiu muito nos últimos 30 anos. A tecnologia tornou essas máquinas mais eficientes, confortáveis e seguras. Mas um bom carro será sempre um bom carro. E o Monza certamente é um dos melhores automóveis construídos no Brasil. Nesta altura, já é um clássico brasileiro.

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Fotografias de Eduardo Scaravaglione


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.


TAGS: Chevrolet Monza


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