Ford Capri Turbo Zakspeed, o mais extremo Capri de sempre

Competição 09 Nov 2020

Ford Capri Turbo Zakspeed, o mais extremo Capri de sempre

Por Tiago Nova

A era dos automóveis de Grupo 5 foi das mais brutais de sempre, com motores e aerodinâmicas levadas ao extremo, sendo que no final, os automóveis pouco se pareciam com os seus homólogos de estrada, só os faróis e farolins se mantinham. Um dos automóveis mais icónico desta era, é o Ford Capri desenvolvido pela Zakspeed.

A Zakspeed é uma equipa de competição alemã, fundada em 1968 por Erich Zakowski e, posteriormente, pelo seu filho Peter Zakowski, situada em Niederzissen, a 25km do fantástico circuito de Nürburgring. No final dos anos 70, a Zakspeed era a equipa oficial da Ford no DRM, o antecessor do DTM, com bastante sucesso. Posteriormente, chegou a desenvolver, em conjunto com a Ford, protótipos para o campeonato de resistência. A partir de 1985, passou a ser também construtor na Fórmula 1. Desde então tem competido nas provas de GT.

Em 1978, a Zakspeed e a Ford Motorsport desenvolveram o Capri Turbo para competir no DRM, com base no Capri Mk.III e seguindo as regulamentações de Grupo 5. Os Capri continuaram no DRM até 1983. Mas, o legado não ficou por aqui, toda a estrutura foi reusada para a produção do Mustang que competiu no IMSA e o motor foi o ponto de partida para o utilizado na Fórmula 1.


Para além dos faróis e farolins, o automóvel retém muito pouco do Capri de estrada, exceptuando o tejadilho e pilares que, segundo o regulamento, tudo acima da linha das cavas das rodas tinha de ser partilhado com o automóvel de estrada. Além disso, a suspensão também tinha de ser mantida, assim como, teriam de utilizar a base de um motor de produção da marca. A carroçaria é produzida, maioritariamente, em alumínio com painéis em Kevlar. O chassis é tubular, onde o tejadilho e os pilares do Capri original são soldados. Para a temporada de 1981, a Zakspeed redesenhou a aerodinâmica e aplicou efeito solo. No total, o Capri Turbo pesa somente 790kg.


A suspensão seguiu o conceito da Fórmula 1, no que podia, utilizando triângulos sobrepostos ajustáveis na frente, com um sistema MacPherson em alumínio e amortecedores Bilstein, com ajustes na compressão, rebound e altura. O eixo traseiro foi feito de alumínio também, para assim ser mais leve. A travagem está a cargo de discos perfurados e ventilados com pinças Girling de quatro êmbolos, na frente, onde são também arrefecidos com água. Na traseira a pinça tem dois êmbolos.

O motor que alimentava a alma do Capri Turbo era preparado pela Cosworth, com base no famoso BDA, de 1,4 litros de cilindrada, com 16 válvulas, dois turbos KKK, intercoolers Garrett e injecção de combustível da Bosch. Posteriormente, devido à pouca fiabilidade, a Zakspeed montou somente um turbo, mas de maior diâmetro. Em 1980 o motor foi alargado para a cilindrada de 1,7 litros, sendo de novo aplicado o sistema de dois turbos. No final ficou a debitar cerca de 530cv às 9200rpm, a uma pressão de sobrealimentação de 1,4bar. No limite, poderia-se aumentar a pressão para os 1,6bar, mas por breves instantes, aumentando a potência para os 600cv. Acoplado ao motor está uma caixa manual de cinco velocidades da Getrag, com embraiagem de duplo disco da Sachs e no eixo traseiro está um autoblocante da ZF. A potência era posta no chão através de pneus Goodyear, montados em jantes BBS bipartidas de 16” na frente e 19” na traseira.

O sobreaquecimento também era um grande problema no Capri Turbo e, por isso, foi dotado de um colector de escape envolto em crômio-níquel para dissipar melhor o calor. Os radiadores curvos foram montados nas aberturas dos guarda-lamas traseiros, assim como os radiadores de óleo para a caixa de velocidades, diferencial e motor. Como curiosidade, os radiadores de água eram oriundos da Citroën.

O interior está somente o fundamental, com vários manómetros e dois reguladores de tamanho generoso, um para controlar a pressão do turbo e outro para a distribuição de travagem. O piloto estava sentado o mais atrás que o chassis do Capri permitia. Na traseira está um depósito ATL de 100 litros de combustível, com quatro bombas, além da bateria e o depósito de óleo do motor para a lubrificação a cárter seco.

O Capri Turbo presente neste artigo, foi alvo de um restauro de sete anos na própria Zakspeed, levado a cabo pelo engenheiro que na época era responsável por estes automóveis, Marco Fichter. A resistência do chassis foi testada, sendo reparadas as zonas necessárias, e os painéis da carroçaria foram refeitos com os moldes de madeira originais, mas agora são de fibra de carbono. Após o restauro o Capri foi convidado para o Goodwood Festival of Speed de 2012.

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Fotografias: Jonathan Moore


TAGS: Cosworth Ford Capri Zakspeed


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