Dez protótipos esquecidos que estão presentes na Heritage HUB da FCA

Clássicos 29 Out 2020

Dez protótipos esquecidos que estão presentes na Heritage HUB da FCA

A fábrica de Mirafiori da Fiat foi, e ainda é, bastante importante para a história da marca italiana. O Stabilimento di Mirafiori, como é conhecido, foi inaugurado a 15 de Maio de 1939 e chegou a ser o maior complexo industrial de Itália, além de ser a mais antiga fábrica de automóveis da Europa, ainda em actividade. O complexo ocupa cerca de 2.000.000 m2 e é ligado por várias linhas férreas, com 20km no total, assim como 11km de estradas subterrâneas. Hoje são produzidos aqui o Maserati Levante e o Fiat 500.

A importância da fábrica de Mirafiori é claramente muita, no entanto, tem outra grande atração, o Heritage HUB do Grupo FCA. O grande objectivo do Heritage HUB é proteger e promover a história das marcas do Grupo FCA, nomeadamente a Fiat, Lancia, Alfa Romeo e Abarth, mas também da Autobianchi e Jeep. Foi fundado em 2015, mas só em 2019 é que abriu as portas e tem presente mais de 300 automóveis do grupo, desde automóveis de produção, de competição a protótipos. Todos os automóveis estão prontamente aptos a circular e participam em diversos eventos de clássicos.

Seguem-se dez exemplos de protótipos mais estranhos e esquecidos que podem ser vistos no Heritage HUB da FCA.


Fiat 100 de 1951


O projecto do Fiat 100 iniciou-se em 1951, como um substituto ao 500 original, que ganhou a alcunha de Topolino. Este foi um modelo que vendeu bem, mas após a Segunda Guerra Mundial, era um automóvel que já mostrava a sua idade. A equipa começou os trabalhos no seu sucessor, mas sabiam que não podiam seguir o caminho de um motor à frente e tracção traseira, devido à distribuição de peso. Seguiram uma solução menos vista, um motor traseiro e tracção frontal. O desenho do Fiat 100 iria ser transposto para o 600 lançado em 1955. Ao contrário do 600 que está equipado com um motor de quatro cilindros com refrigeração líquida e montado na traseira, o 100 tinha um motor de dois cilindros e refrigeração a ar.


Lancia Flaminia Loraymo de 1960


Vários foram os carroçadores que transformaram o Lancia Flaminia nas décadas de 50 e 60. No entanto, a sua grande maioria situava-se em Itália, ao contrário do Flaminia Loraymo que foi criado pelo franco-americano Raymond Loewy e apresentado no Salão de Paris de 1960. O resultado final foi um design diferente e único, que misturava a beleza italiana com o design inspirado na aviação, presente em muitos automóveis americanos. A carroçaria foi construída em Itália, mais concretamente em Turim, na Rocco Motto, sendo totalmente em alumínio. O motor V6 original de 2,5l de cilindrada, passou dos 120 para os 150cv com alterações levadas a cabo pela Nardi. Apesar de ser um protótipo, este Flaminia Loraymo foi o automóvel pessoal de Loewy durante muitos anos.


Fiat 850 City Taxi de 1968


A Fiat revolucionou o mundo quando lançou o 600 Multipla, em 1956, demonstrando que não é preciso ser um automóvel grande para ter muito espaço interior. Doze anos mais tarde, desenvolveu um protótipo com base no Fiat 850, destinado a vários condutores de táxis. Foi um dos últimos automóveis desenhados por Pio Manzù. A carroçaria é completamente diferente, só os faróis da frente são partilhados com o 850. O condutor acede ao interior por uma porta convencional, enquanto que os passageiros acedem aos lugares traseiros através de uma porta deslizante. Para aumentar o espaço interior o banco do passageiro da frente foi retirado. A mecânica permaneceu inalterada.


Fiat 130 Familiare de 1972


O Fiat 130 era o modelo de topo da gama da marca italiana, sendo o mais caro e o maior. Apesar de estar disponível nas versões berlina e coupé, a carrinha nunca foi lançada, apesar de pelo menos quatro terem sido produzidas, a pedido de Giovanni Agnelli, presidente da Fiat na época. Desenhadas pelo Centro Stile Fiat, esta que está no museu foi utilizada pelo irmão de Giovanni, Umberto Agnelli. Está equipada com o motor V6 de 3,2l de cilindrada e 160cv.


Fiat ESV 1500 de 1972


De modo a baixar o número de mortes nas estradas, as autoridades americanas pediram a diversos fabricantes, para desenvolver protótipos capazes de diminuir as mortes em caso de acidente. Várias foram as marcas que responderam à questão, como a Honda, a Ford, Mercedes-Benz, MG, Volvo, entre outras e como não poderia faltar, a Fiat. Nenhum dos protótipos ESV foram desenvolvidos com a produção em cima da mesa, mas sim para servir de laboratório rolante para diversas tecnologias de segurança. O primeiro modelo a ser concebido foi o ESV 1500, com base no Fiat 500, mas com traços do 126 e vários equipamentos de segurança, como os para-choques de borracha a toda a volta do automóvel. Apesar dos testes terem sido bons, os equipamentos eram demasiado pesados. Cerca de 13 exemplares do ESV 1500 foram construídos.


Fiat X1/23 de 1972


O X1/23 poderia ser o Smart da década de 70, mas a Fiat decidiu deixá-lo somente como protótipo. Apresentado no Salão de Turim de 1972, este pequeno automóvel tinha um interior minimalista de apenas dois lugares, janelas grandes para aumentar a visibilidade e uma carroçaria que servia como célula de segurança. Por incrível que possa parecer, estava equipado com ar condicionado, tudo porque as janelas eram todas fixas. Em 1976 este automóvel foi melhorado e foi aplicado um motor eléctrico, este era mesmo o automóvel do futuro em 1976.


Lancia Gamma Elaborazione 3V 2500 I.E. de 1980


Quando o Lancia Gamma foi lançado, em 1976, o seu design fastback não foi do agrado da maioria do público e isso refletiu-se nas vendas. A maioria dos automóveis deste segmento eram três volumes e isso foi considerado pela Lancia, com o protótipo Gamma 3V. A grande parte das alterações situam-se na traseira, onde os designers adicionaram um par de janelas laterais, uma tampa da mala plana e um par de farolins horizontais. A mecânica ficou inalterada, mantendo o motor de quatro cilindros opostos, de 2,5L de cilindrada e 140cv. O projecto acabaria por ser abortado, pois a Lancia já estava a planear substituir o Gamma pelo Thema.


Lancia Trevi Bimotore de 1984


No início dos anos 80, a Audi surpreendeu o mundo dos ralis com o seu sistema de tracção integral, tornando o 037 obsoleto com somente tracção traseira. Giorgio Pianta, responsável pelo departamento de competição da Abarth, começa a desenvolver um automóvel de tracção integral, com base no Lancia Trevi e equipado com dois motores. Os dois motores era de 2,0l e equipados com compressor volumétrico, para debitar 150cv cada. Apesar dos dois motores não estarem ligados, Pianta conseguiu desenvolver um sistema em que só necessitava de uma alavanca de velocidades e um pedal de embraiagem. As portas traseiras do Trevi foram soldadas e foram inseridas entradas de ar para arrefecimento do motor traseiro. O projecto não vingou devido à sua complexidade e o motor traseiro tinha tendência para sobreaquecer.


Lancia ECV2 de 1988


A equipa de ralis da Lancia desenvolveu o ECV2 em 1988, para aumentar os seus conhecimentos em relação aos materiais compósitos. A carroçaria, eixo de transmissão e as jantes foram feitos em compósito, principalmente de fibra de carbono e Kevlar, pesando menos 20% que o Delta S4. O seu baixo peso era complementado com um design aerodinâmico. O motor que equipa o ECV2 é de quatro cilindros e 1,8L de cilindrada, com dois turbos e dois intercoolers, desenvolvendo 600cv. Infelizmente, toda a gente sabe o que aconteceu ao Grupo B e ao Grupo S que nem sequer chegou a existir e, dessa forma, os resultados obtidos com o ECV2 não foram utilizados.


Fiat Oltre de 2005


O Hummer italiano, era o que a Fiat queria lançar com o protótipo Oltre. Apesar de ser somente um protótipo, o Oltre é totalmente funcional, estando mesmo perto de ser um modelo de produção, tendo inclusive matrículas para circular na via pública. O chassi base é do Iveco LMV, utilizado nas forças armadas. O motor é um quatro cilindros turbo-diesel de 3,0l que envia os 185cv para as quatro rodas.


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