Modernos 13 Out 2020

Alfa Romeo Giulia e Stelvio, a expressão de 110 anos de excelência italiana

Imagine que está um daqueles dias em que o céu sobre o anel norte do circuito parece um impressionante cenário pintado. Pairam nuvens sobre a coroa verde do circuito. O piso está frio e seco… ideal para o homem sentado ao volante. Dois meses depois ter sido apresentado, o Giulia Quadrifoglio é chamado a dominar uma pista que, ao longo dos anos, testemunhou muitas vitórias da Alfa Romeo: o “Grüne Hölle”, ou “inferno verde” do Nürburgring.
 
Ao que parece, esta sinistra alcunha foi inventada por Sir Jackie Stewart nos anos sessenta e com toda a razão: é um circuito que poderia ter sido desenhado pelo diabo em pessoa… mais de 70 curvas que se alternam com rectas em rápida sucessão, além de subidas e descidas com diferenças de altitude de 300 metros.

Na área da partida, o Giulia Quadrifoglio está pronto. Não teve preparação especial, não está equipado com pneus slick e não tem roll bar de segurança: é exactamente igual a um carro que qualquer pessoa poderia comprar. Não fosse o capacete e até o piloto – de jeans e pólo – pareceria um vulgaríssimo condutor. Não há luz verde para dar o sinal de arranque nem bandeira de xadrez à espera no fim da volta, mas os níveis de adrenalina dificilmente poderiam estar mais altos: há um recorde a bater.

O piloto activa o modo “Race” do Alfa DNA e acelera com fragor: 7 minutos e 32 segundos depois, pode voltar a relaxar. O cronómetro tem notícias incríveis: sete segundos abaixo do recorde anterior, estabelecido em 2015. Apenas um ano depois, o Stelvio faz ainda melhor: no fim da volta, o cronómetro detém-se 8 segundos antes do precedente recorde na categoria. O Giulia e o Stelvio são a berlina e o SUV mais rápidos de sempre, num dos mais difíceis circuitos do mundo. É um recorde que vai despertar muita luta.


Quem é Giorgio?

O nome Giorgio surgiu, pela primeira vez, na imprensa especializada em 2013: a geração seguinte da Alfa Romeo estava a caminho, segundo nos disseram, e Giorgio era o nome da plataforma que lhe iria servir de base. Nos meandros dos meios de comunicação social, a agitação crescia. Todos perguntavam o que poderia aquele nome significar. A ideia romântica era que podia ser uma homenagem a Tazio Giorgio Nuvolari. Outros achavam que era uma escolha pessoal de Marchionne. O segredo nunca foi revelado. O que transpirou foi que Giorgio estaria disponível com tracção dianteira ou tracção às quatro rodas, e que tinha objectivos extremamente ambiciosos.

A empresa estava a programar enormes investimentos na plataforma e na fábrica de Cassino, que tinha sido planeada para produzir os novos modelos. Acima de tudo, estava a organizar os seus melhores talentos técnicos em think tanks específicos. E estava a pedir aos projectistas e aos designers

 envolvidos que pusessem de lado antigas regras e hábitos, que pensassem out of the box, que “acreditassem, sonhassem e criassem”.


Quem são os Skunks?

As equipas Giorgio isolaram-se do resto dos colegas para se focarem exclusivamente na nova plataforma. No jargão da empresa, foi inventada uma alcunha para as designar, orgulhosamente adoptada. Para explicar este apelido e a sua origem, temos de fazer um flashback de 70 anos.

Clarence Leonard “Kelly” Johnson não foi designer da Alfa Romeo, mas é igualmente importante para a nossa história. Era engenheiro aeronáutico na Lockheed Martin e, em 1943, foi-lhe atribuído um projecto especial: desenvolver a partir do zero, em apenas seis meses, um avião de caça capaz de inverter a situação nos céus da Segunda Guerra Mundial. Era um desafio impossível. Mas ele aceitou, na condição de lhe ser dada carta-branca no processo que iria ser seguido. No termo do prazo estabelecido – na verdade, uma semana antes – entregou o revolucionário “XP-80 Shooting Star”, o primeiro caça a jacto americano. A sua equipa recebeu o nome de “Skunk Works”.

E assim, entre eles e para o resto da empresa, os grupos de trabalho da plataforma Giorgio tornaram-se “skunks”. Também eles começaram a partir de uma “página em branco”, tinham prazos apertados e uma tarefa muitíssimo ambiciosa: voltar a pôr o condutor no centro de tudo, criando uma experiência de condução digna dos valores e da tradição da Alfa Romeo. Toda uma nova geração de produtos da marca tem sido baseada no seu trabalho.


O lançamento do Giulia no novo Museu Alfa Romeo

A versão que melhor expressa as mais profundas qualidades da plataforma Giorgio é a mais desportiva de todas: o Giulia Quadrifoglio. A empresa decidiu adoptar uma abordagem top-down e fez do Quadrifoglio a primeira versão do modelo.

O tão aguardado lançamento foi uma operação “Top Secret”: não foram divulgadas à imprensa fotos ou características técnicas. Nem sequer o nome do modelo.

O novo Giulia foi finalmente apresentado ao mundo no dia 24 de junho de 2015: um dia muito especial por muitas razões. Porque era o 105.º aniversário da Marca. Porque tinha nascido uma estrela que os fãs tinham aguardado tão ansiosamente. E porque a Alfa Romeo tinha de novo uma casa: ao som das notas de “Nessun dorma”, de Puccini, o maestro Andrea Bocelli deu as boas-vindas ao Giulia nas salas do renovado Museo Storico Alfa Romeo, em Arese. Um abraço entre passado e futuro.


O novo Giulia

Os objectivos de produto estavam gravados na história da Marca: motores modernos e inovadores, perfeita distribuição do peso, exclusivas soluções técnicas, a melhor relação peso/potência na categoria – e, é claro, design verdadeiramente extraordinário, de traço inconfundivelmente italiano.

Todos os motores do Giulia são novos e inteiramente em alumínio. O motor a gasolina de 6 cilindros bi-turbo do Quadrifoglio debita 510 cv para 600 Nm, valores sensacionais para uma berlina de quatro portas de dimensões médias. Pesos e materiais são projectados para garantir perfeita distribuição do peso: 50/50 entre os dois eixos.

A multiplicidade de soluções técnicas inovadoras é impressionante: a viatura personifica, toda ela, um novo conceito. A suspensão dianteira é de dois triângulos com eixo de direcção semi-virtual, de modo a tornar o ângulo de suspensão mais controlável e obter óptima aderência ao piso: as duas ligações inferiores criam um movimento de “tesoura” que gera uma sensação linear em todas as condições, com uma relação de desmultiplicação recorde (inferior a 12:1). No eixo traseiro é utilizado o novo esquema Alfalink™, sistema multilink de quatro braços e meio: rígido a curvar, mas flexível longitudinalmente. Ambas as soluções são “Made in Alfa Romeo”.


Peso reduzido e sempre sob controlo

Para assegurar ao Giulia a relação peso/potência ideal, foram usados materiais ultra-leves em todas as partes do veículo: alumínio (para o bloco e cabeça do motor, peças da carroçaria e suspensões); um compósito de alumínio e plástico (para a travessa traseira); fibra de carbono (para o veio de transmissão, capô e tejadilho, mas também para a estrutura dos bancos dianteiros).


A carroçaria nua pesa apenas 322 kg. Foi pedido à equipa de Eletrónica que aumentasse a segurança e o prazer de condução, mas sem retirar liberdade ao condutor. Assim, a equipa da plataforma Giorgio desenvolveu sistemas específicos com conotações claramente Alfa Romeo: desde o controlo de tracção ASR Q4 (que intervém autonomamente apenas quando estritamente necessário) até ao Sistema de Travagem Integrado (que gere os dispositivos de travagem e o controlo de estabilidade), desde o Diferencial de Deslizamento Linear (que melhora a resposta em curva) até à Vetorização do Binário (que distribui a potência entre as rodas traseiras de modo programado, optimizando a tracção e a resposta da direcção). Para coordenar todas as funções, foi introduzido um “super-cérebro”: o exclusivo Chassis Domain Control.


A extraordinária performance dinâmica da viatura é realçada pelo design, de linhas tensas, rigorosamente essencial, revelando o carácter italiano na elegante harmonia dos volumes e o talento técnico nos fantásticos resultados aerodinâmicos (Cx. de 0,25).


O que o Giulia e o Quadrifoglio partilham

Para criar versões super-desportivas, quase todos os fabricantes enriquecem o modelo de base, frequentemente modificando elementos estruturais para melhorar o peso e a performance. Estas viaturas são então produzidas em linhas separadas e, em muitos casos, por terceiros. O Giulia, porém, deriva directamente do Quadrifoglio e não só esteticamente: ambos os veículos partilham a arquitectura, os materiais leves, a maior parte da mecânica e até mesmo a linha de montagem em Cassino. O resultado é único no sector: cada Giulia, logo a começar pelas motorizações mais baixas, tem a mesma distribuição de peso entre dianteira e traseira, a mesma rigidez de torção, os mesmos sistemas de direcção e suspensão que as versões desportivas de topo.


Stelvio: o primeiro Alfa Romeo que também é um SUV

A plataforma Giorgio não foi criada só para o Giulia. Tinha chegado a altura de também a Alfa Romeo dar provas no segmento dos Veículos Utilitários Desportivos, a área mais dinâmica e inovadora de todas. E assim, em Fevereiro de 2017, foi lançado o Stelvio: o primeiro SUV na história da Marca. O desafio não tinha sido fácil: construir um Alfa capaz de evoluir com agilidade tanto em neve como em pisos de terra, sem perder nada em termos de performance, estabilidade e comportamento dinâmico. Por outras palavras: um SUV que pudesse ser conduzido como uma berlina desportiva. Em relação ao Giulia, a distância ao solo é mais alta, tal como a posição de condução. Tem mais espaço disponível para passageiros e bagagem. O curso da suspensão é mais longo, de maneira a assegurar uma correta distância ao solo tanto em terra como em asfalto. Para aumentar a estabilidade, também os eixos são ligeiramente mais largos. Mas a arquitectura e a mecânica permanecem iguais, assim como a gama de motorizações e os sistemas electrónicos. O resultado é uma viatura com “alma Alfa Romeo num corpo de SUV”. Uma combinação que ninguém esperava e que gerou experiências de condução verdadeiramente únicas.


Desportividade elegante

O Giulia e o Stelvio são líderes absolutos nos respectivos segmentos, em termos de performance e resposta dinâmica. O sistema técnico de base é – e continua a ser – pioneiro. Portanto, para o novo Model Year das duas viaturas, os designers da Alfa Romeo viraram a atenção para a experiência a bordo, tornando-a cada vez mais agradável, segura e conectada. A Marca reconquista, assim, o seu território tradicional: o da “desportividade elegante”. É um conceito que esteve várias vezes presentes nos episódios da história da Alfa Romeo de todas as eras: não o “caráter premium” de certas marcas que ostentam a sua riqueza sem lhe darem uma alma, mas sim a expressão perfeita do equilíbrio entre forma, função e condução emocionante. O lançamento das versões 2020 do Giulia e do Stelvio representa mais um passo nessa direcção.


Giulia e Stelvio Model Year 2020

As soluções mais avançadas propostas nas novas versões do Giulia e do Stelvio centram-se no conforto e no gosto pela vida tipicamente italiano. O interior de ambos os modelos foi redesenhado para dar ainda mais realce à qualidade e à elegância. A conectividade ganhou destaque, graças ao sistema de info-entretenimento com ecrã táctil de 8,8” e com a facilidade de utilização de tipo smartphone. A oferta telemática completa-se com um conjunto de serviços Mopar dirigidos à gestão remota do veículo. As inovações no campo da tecnologia de condução tornaram-se cada vez mais importantes. Os novos ADAS (Advanced Driving Assistance Systems) marcam a transição do primeiro para o segundo nível de condução autónoma: além de informarem o condutor, em caso de necessidade os sistemas tornam-se também activos, aumentando a segurança do veículo.


Os modelos Alfa Romeo mais premiados de sempre

Ao longo dos últimos cinco anos, o Giulia e o Stelvio tornaram-se os modelos da Alfa Romeo mais premiados de sempre: 170 títulos internacionais – atribuídos pela imprensa especializada e por meios de comunicação generalistas, votados por júris de peritos ou directamente por clientes, dedicados tanto à inovação como ao estilo. A começar pelo “Eurocarbody of the Year” em 2016 para o melhor projecto de arquitectura de um veículo, e continuando com a crescente colecção de prémios com todo o género de motivações. As vitrinas dos prémios estão cheias, mas os galardões continuam a chegar: como o de “Performance Car of the Year 2020” que o júri especializado da revista “What Car?” atribuiu ao Giulia Quadrifoglio pelo terceiro ano consecutivo, depois de o ter comparado com automóveis desportivos de todos os segmentos do mercado. Com uma motivação oficial que é, com toda a legitimidade, fonte de orgulho para os projectistas da Alfa Romeo: “um veículo de altas performances que também pode ser conduzido no dia-a-dia”.


TAGS: Alfa Romeo Storie Alfa Romeo


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