O Mazda RX-7 de Grupo B do piloto Rhys Millen

Competição 19 Set 2020

O Mazda RX-7 de Grupo B do piloto Rhys Millen

Por Tiago Nova

O Mazda RX-7 é um automóvel marcante na história, pois é um desportivo no puro sentido da palavra, propulsionado por um motor diferente, desenvolvido por Felix Wankel. Lançado em 1978, o RX-7 passou por três gerações, todas elas alimentadas por motores rotativos Wankel. A última geração do modelo, a FD, lançada em 1991, foi o topo de tecnologia dos modelos Mazda, com a versão Twin-Turbo a rivalizar as performances dos modelos Ferrari, como aconteceu com todos os construtores nipónicos da época.

Foi na primeira geração, a SA22C, que a Mazda tentou fazer frente aos construtores do Grupo B, desenvolvendo uma versão para ralis. Infelizmente, não teve muito sucesso e hoje é praticamente esquecida. A sua primeira prova foi o RAC Rally de 1981, onde terminou em 11º lugar. O seu melhor resultado foi um terceiro lugar, no Acropolis Rally de 1985. Os maus resultados deverem-se essencialmente pela falta de uma tracção integral e de sobrealimentação.

O piloto Rhys Millen tem na sua colecção uma Mazda RX-7 de Grupo B, que pertenceu à equipa oficial Mazda Rally Team Europe, tendo sido construído em 1984. Millen adquiriu-o em 2012, quando andava à procura de um automóvel para fazer ralis históricos, aparecendo este exemplar à venda na Bélgica.



No histórico deste automóvel, está um grande acidente em 1990, tendo sido montada uma nova carroçaria, da própria Mazda Rally Team. Mas a história vai muito mais além, visto que este mesmo automóvel é o mesmo que o pai de Rhys Millen, Rod Millen, conduziu no RAC Rally de 1985.

Os RX-7 que competiram no WRC, tal como os seus homólogos de estrada, estão equipados com o motor rotativo 13B de dois rotores. Para uma melhor distribuição de pesos, o motor foi recuado 10cm e foi adaptado um sistema de cárter seco, para baixar o centro de gravidade. Várias condutas foram produzidas em carbono/Kevlar, uma tecnologia que estava a dar os primeiros passos na época. A alimentação de combustível era feita por um carburador Weber 51 IDA, modificado pela MRT, onde o combustível chegava graças a três bombas montadas na traseira. O motor debita uma potência de 300cv às 8.500rpm. A potência é enviada para as rodas traseiras através de uma caixa MRT/PBS de cinco velocidades dogleg, com autoblocante no diferencial traseiro.

Na traseira, além do depósito de combustível, estava também o depósito de óleo, sendo este arrefecido por um radiador montado no grande spoiler traseiro. Por falar na carroçaria, esta recebeu vários melhoramentos, como os alargamentos em fibra de vidro, assim como a frente e o capô produzidos no mesmo material. As portas também são em fibra de vidro e têm vidros em acrílico, assim como os vidros laterais e o traseiro. Uma das alterações mais notórias, foi a remoção dos faróis escamoteáveis e aplicados faróis fixos, numa estrutura em fibra de vidro. O peso total situa-se nos 960 kg.

O interior é despido de tudo o que não é necessário, mas tem a adição de vários instrumentos e manómetros. O volante é da Sparco, assim como as backets no modelo Pro 2000. O design exterior é complementado pelas jantes Enkei de 15”.

O RX-7 é um automóvel que merecia ter mais investimento por parte da marca, para saber se poderia ter hipóteses contra os monstros como o Audi Quattro S1, o Lancia Delta S4 ou o Peugeot 205 T16. Infelizmente, nunca o iremos saber, mas o que é certo é que ficará na história, por ser um automóvel diferente de tudo o resto.

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Fotografias: Brad Lord


TAGS: Mazda RX-7 Rhys Millen


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