Ari Vatanen: “Na vida podes levantar o braço, mas o pé não!”

Clássicos 13 Set 2020

Ari Vatanen: “Na vida podes levantar o braço, mas o pé não!”

Por Bruno Machado

Ari Vatanen levantando o braço em plena subida de Pikes Peak: é uma imagem marcante que contribuiu para a lenda do piloto finlandês. Vatanen bateu o recorde em 1988, mas o que é recordado ainda hoje pelos fãs é um simples gesto com o braço e que lhe pedem para repetir no momento de tirar uma foto.
 
A subida de Pikes Peak, no estado do Colorado, igualmente conhecida como “Race to the clouds”, inicia-se a uma altitude de 2865 metros e termina a mais de 4300, ao fim de 19,93 km e 156 curvas. A altitude constitui uma dificuldade acrescida para os motores, pois as diferenças de pressão atmosférica prejudicam o desempenho dos mesmos. Constitui igualmente uma dificuldade para os pilotos que sentem a falta de oxigénio nas zonas mais altas. Além disso, devido ao desnível significativo entre a partida e a chegada, as condições climatéricas ou a exposição solar podem ser muito variáveis entre um ponto e o outro. Ari Vatanen que o diga!
 

 
O piloto finlandês dispensa apresentações. Nascido em 1952, Vatanen inicia a sua carreira de piloto de ralis em 1970 e em 1981 conquista o título mundial ao volante de um Ford Escort RS 1800. Depois de uma passagem pela Opel, é contratado pela equipa Peugeot Talbot Sport, dirigida por Jean Todt em 1984.
 

 
Infelizmente, depois de ter sofrido um aparatoso acidente no rali da Argentina, Vatanen vê-se afastado dos ralis para o resto do campeonato de 1985 e o de 1986, conquistados, respectivamente, pelos seus colegas e compatriotas Timo Salonen e Juha Kankkunen.
 
Quando a Federação Internacional põe fim ao Grupo B, na sequência do acidente de Henri Toivonen em 1986, o Peugeot 205 T16 fica sem a possibilidade de defender os títulos conquistados nesse mesmo ano e no ano anterior. A Peugeot, que manteve Ari Vatanen como piloto oficial apesar de uma convalescença de 18 meses, decide levar o 205 para outros palcos, como o rali Paris-Dakar ou Pikes Peak.
 
Depois de uma primeira tentativa em 1987, em que o Audi Quattro S1 de Walter Röhrl vence a prova, batendo o 205 T16, a Peugeot regressa a Pikes Peak no ano seguinte com o 405 T16 (na realidade um 205 T16 mas com a carroçaria do novo 405), pilotado uma vez mais por Ari Vatanen.
 

 
A ascensão realiza-se de manhã cedo e o 405 T16 lança-se para bater o recorde da rampa de Pikes Peak, desafio imortalizado pela curta metragem “Climb Dance”, realizada por Jean-Louis Mourney e premiada em vários festivais de cinema. E é nesse pequeno filme que vemos Ari Vatanen levantar o braço quando o sol, de repente, lhe tira a visibilidade.
 
Gesto algo banal, um automatismo, sim… Mas imagina-se a fazer isso numa máquina com quase 600 cavalos para 900 quilos, lançada a 150 km/h, deslizando numa pista em terra, sem rails de protecção, arriscando uma queda para um precipício de centenas de metros a qualquer momento? Mesmo durante alguns segundos? Eu não!
 
Recentemente, quando lhe pediram para recordar o momento, Vatanen respondeu: “Na vida podes levantar o braço, mas o pé não!”.
 

 


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