O Plymouth Belvedere que foi enterrado para ser utilizado como cápsula do tempo

Clássicos 23 Ago 2020

O Plymouth Belvedere que foi enterrado para ser utilizado como cápsula do tempo

Por Tiago Nova

Miss Belvedere, foi o nome dado a um Plymouth Belvedere Sport Coupe de 1957 muito especial, pois serviu de cápsula do tempo, durante 50 anos, na cidade de Tulsa, no estado de Oklahoma. O Belvedere, de cor dourada e tejadilho branco, tinha somente quatro milhas no odómetro, cerca de 6,5 km, ou seja, era um automóvel completamente novo.

O motivo da escolha do Plymouth Belvedere foi, segundo Lewis Roberts Sr., devido a ser um símbolo de um produto americano avançado e ser o culminar do estilo dos automóveis da década de 50. O Belvedere foi doado pela Plymouth Motors e um grupo de concessionários da marca locais. Foi ainda utilizado um segundo Belvedere exactamente igual, doado a um participante de um concurso realizado dias antes do “enterro”.

Em 1957, Oklahoma celebrava o seu 50º aniversário, sendo por isso organizada uma festa de uma semana, designada de “Tulsarama” Golden Jubilee Week e o “enterro” do Belvedere fazia parte das festividades, com o slogan “Suddenly It’s 2,007”, idêntico ao utilizado pela Chrysler na época. O objectivo era o automóvel ficar 50 anos enterrado, em 2007, voltar a luz do dia. Foi feito um questionário, para as pessoas da cidade tentarem adivinhar a população de Tulsa em 2007 e, aquele que mais se aproximasse, ganharia o Belvedere.


O seu enterro aconteceu no dia 15 de Junho de 1957, numa “sepultura” construída no local, em betão armado. Segundo contava na época e muito devido à Guerra Fria, a “sepultura” deveria aguentar uma explosão nuclear. Para além do automóvel, várias outras peças foram postas no local, para serem redescobertas em 2007, como um bidão de 19 litros cheio de gasolina, uma lata de óleo de motor, ambos para porem o automóvel a trabalhar em 2007, uma mala com latas de cerveja Schlitz e produtos considerados típicos de uma bolsa de senhora, como um frasco de calmantes, uma multa de estacionamento, uma embalagem de cigarros, dois pentes, um batom, uma pacote de pastilhas e 2.73 dólares em notas e moedas, entre outros. Na “sepultura” tinha ainda uma cápsula em aço lacrada, posta na traseira do automóvel, onde no seu interior continha uma bandeira dos EUA com 48 estrelas, documentos para a conta poupança do vencedor que começou com 100 dólares e os cartões onde as pessoas escreveram as suas apostas. A caixa forte onde estava tudo isto tinha uma altura de 3.7 metros e uma largura de 6.1 metros. Os pneus do Miss Belvedere não estavam em contacto com o chão, para não serem danificados, estando o automóvel elevado. Após ser posto no sítio, o Belvedere foi envolto em plástico, pois pensava-se que assim iria resistir melhor ao tempo.

O nome Miss Belvedere foi dado por um elemento que organizou o evento, sendo desenterrado a 14 de Junho de 2007, durante as celebrações o centenário do estado, após 18 meses de preparação. No entanto, a estrutura onde estava enterrado o Belvedere teve umas fissuras, o que fez entrar água e submergiu o automóvel, resultando numa grande degradação do mesmo, contendo cerca de 2.000 litros de água no seu interior. Pensa-se que isso foi ajudado por um acidente de uma obra perto, realizada em 1973. Para 2007, a organização chamou o preparador Boyd Coddington, para tentar por o Belvedere a trabalhar, algo que acabou por não acontecer, devido ao seu estado. Tudo o que não estava protegido, ficou bastante danificado pela água.


Após a sua retirada, o Belvedere ficou exposto e, em Novembro de 2007, foi levado para a Ultra One, em Nova Jersey, para retirar a ferrugem do automóvel, com um producto desenvolvido pelo seu fundador Dwight Foster, mas não resultou muito bem, visto que a oxidação era muita, no entanto, o resultado ficou muito melhor. No final, as suas intenções seriam ser doado a um museu, mas ficou dez anos guardado na Ultra One, até ser aceite no Historic Auto Attractions Museum, em Illinois, para onde foi em Junho de 2017.

De referir que o vencedor do concurso foi Raymond Humbertson que das 812 entradas foi o que ficou mais perto das 382.457 pessoas, com um número de 384.743. No entanto, Raymond faleceu em 1979 e a sua esposa em 1988, não tendo deixado descendentes. O montante de 100 dólares deixados numa conta poupança em 1957, chegaram aos 666,66 dólares em 2007, sendo esse valor doado às irmãs e sobrinhos de Raymond.

Como curiosidade, existe outra cápsula do tempo em Tulsa, mas desta vez é um dos protótipos do Plymouth Prowler, e será aberta em 2048. Este foi fechada a 17 de Janeiro de 1998, mas não está debaixo de terra, mas sim num edifício construído para o efeito, completamente lacrado. O automóvel foi drenado de todos os fluídos e protegido com diverso material. Tal como no Miss Belvedere, foi também guardado muito material da época, como um telemóvel, uma nota de 50 dólares, entre outras.

previous arrow
next arrow
previous arrownext arrow
Slider

TAGS: Oklahoma Plymouth Belvedere Plymouth Prowler


PARTILHAR:

Deixe um comentário

Please Login to comment