Ayrton Senna-Erik Comas: Dois acidentes, uma ligação especial

Clássicos 09 Ago 2020

Ayrton Senna-Erik Comas: Dois acidentes, uma ligação especial

Por Bruno Machado

A época de 1992 de Fórmula 1 é dominada pela dupla Williams-Renault e Nigel Mansell, enquanto o campeão em título, Ayrton Senna, tem imensas dificuldades em ser competitivo com o seu McLaren-Honda, chegando ao Grande Prémio da Bélgica com apenas duas vitórias contra oito para Mansell.
 
Senna tem de fazer um bom resultado em Spa-Francorchamps, de onde já saiu vitorioso nos últimos quatro anos. Assim, nos testes de sexta-feira, o piloto brasileiro está focado no comportamento do seu McLaren, e assim determinar o melhor set up para as qualificações do dia seguinte e para a corrida.
 
Mas quando chega à curva rápida de Blanchimont, Senna vê um Ligier que acabou de se despistar e ao passar por ele, repara que o seu piloto, o francês Erik Comas, está inconsciente (atingido por uma roda no momento do impacto), mas o acelerador continua a fundo, correndo-se o risco do monolugar incendiar-se a qualquer momento, sobretudo numa época em que se embarcava mais combustível nos depósitos.

 
Detectando o perigo iminente, Senna para de imediato, salta fora do McLaren, corre na direcção do Ligier e desliga o circuito eléctrico do monolugar, salvando, provavelmente, a vida de Erik Comas. O francês, entretanto devidamente assistido no hospital, está fora do grande prémio (onde Schumacher obtém a sua primeira vitória), regressando na corrida seguinte, em Monza… ganha por Senna.
 
Quase dois anos depois o cenário é algo diferente. Estamos no circuito de Imola em 1994, e desta vez é Ayrton Senna que está inconsciente no seu monolugar, depois de um despiste violento na curva de Tamburello. É assistido no local por uma equipa médica durante longos momentos.
 
Depois do acidente violento na sexta-feira com Barrichello, depois do acidente fatal de Ratzenberger, o mesmo grande prémio vê agora outro acidente que faz temer o pior. A confusão reina na (des)organização da corrida, ainda incrédula, chocada e desorientada com tais eventos. Ao ponto de deixar sair um piloto das boxes, que se vê obrigado a parar poucos metros depois, confrontado com o cenário trágico de Tamburello, onde já se encontram uma ambulância e um helicóptero.
 
Esse piloto é Erik Comas, que sai do seu Larousse, tira o seu capacete, impotente, não podendo retribuir o gesto que lhe salvou a vida dois anos antes. É levado para o paddock num safety-car, dentro do qual se encontra o capacete danificado de Senna.
 
Nesse dia negro para a Fórmula 1, perdeu-se um dos maiores pilotos de sempre e que continua a ser lembrado, ainda hoje. Por seu lado, Erik Comas, deixa a Fórmula 1 no final da época de 1994, exilando-se para o Japão e o campeonato Super GT, com a Nissan. Profundamente marcado com a morte de Senna, não conseguiu falar destes acontecimentos durante muitos anos. Mais recentemente, tem participado em ralis históricos ao volante de um Alpine A110 ou ainda um Lancia Stratos.
 
Erik Comas nunca se esqueceu que foi Ayrton Senna, o primeiro piloto a felicitá-lo pela sua chegada à Fórmula 1, em 1991. Três anos depois, foi o último piloto a ver Ayrton Senna, antes deste ser levado para o hospital.
 

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