Fórmula 1 em Portugal: 16 Grandes Prémios inesquecíveis

Competição 28 Jul 2020

Fórmula 1 em Portugal: 16 Grandes Prémios inesquecíveis

Por Pedro Cegonho

Com a recente e muito desejada notícia de que o Autódromo Internacional do Algarve irá receber o Grande Prémio de Portugal entre os dias 23 a 25 de Outubro de 2020, dois sentimentos distintos nos ocorrem de imediato: a alegria pelo regresso de uma etapa da prova rainha ao nosso país e a recordação quase automática da história da modalidade em Portugal.

Longe vão os saudosos tempos da Fórmula 1 em terras lusas. Ao longo de 16 edições, Portugal assistiu a duas épocas distintas da modalidade: a primeira no final dos anos 50, ainda nos primórdios da modalidade que iniciara em 1950; e a segunda nos anos 80 e 90, uma época de pilotos memoráveis e épicos duelos na pista. De forma a celebrar e contextualizar o regresso do Grande Prémio de Portugal, após um hiato de 24 anos, apresentamos em resumo todos os Grandes Prémios que ocorreram no nosso país.

1958 – Circuito Urbano da Boavista
Vencedor: Stirling Moss em Vanwall

A primeira corrida de Fórmula1 disputada em Portugal aconteceu no dia 24 de Agosto de 1958, no circuito da Boavista – Porto, contando com a assistência de cerca de 150.000 espectadores. A primeira edição foi a nona das onze provas do campeonato, disputado por Mike Hawthorn (Ferrari) e Stirling Moss (Vanwall). 


O domínio de Stirling Moss foi evidente e a sua vitória poderia ter sido decisiva para a conquista do título mundial, o que só não aconteceu devido ao seu grande fair-play, ao evitar que o rival Mike Hawthorn fosse desclassificado por ter feito marcha atrás na pista, após se despistar. Moss, ao interceder por Hawthorn e afirmar que tal não tinha sucedido, permitiu a Mike recuperar os sete pontos que tinha perdido, pontos estes decisivos para Mike vencer o Campeonato.

1959 – Circuito do Monsanto
Vencedor: Stirling Moss em Cooper/Climax

A 23 de Agosto de 1959, o II Grande Prémio de Portugal realizou-se em Lisboa, no circuito de Monsanto, mais uma vez dominado por Stirling Moss, desta vez aos comandos de um Cooper Clímax. Sendo surpreendido por Jack Brabham na partida, este perdeu terreno numa manobra para evitar uma criança que atravessou a pista (outros tempos…), o que deixou o caminho livre para a vitória de Moss, que venceu com uma volta de avanço sobre Masten Gregory, também em Cooper.


Outro ponto alto desta edição foi a estreia de Nicha Cabral num Grande Prémio. Ao volante de um Cooper Maserati, marcou a história como o primeiro piloto português a participar numa prova de Fórmula 1.

1960 – Circuito Urbano da Boavista
Vencedor: Jack Brabham em Cooper/Climax

No ano de 1960 o Grande Prémio de Portugal regressou ao Circuito da Boavista. Com um início de corrida muito agitado e sucessivas trocas na liderança, Jack Brabham acabaria por vencer a prova e alcançou o seu segundo título de Campeão do Mundo consecutivo.


Após estes três Grandes Prémios, foi preciso esperar 24 longos anos até voltarmos a receber a Fórmula 1 em Portugal, no ano de 1984.

1984 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Alain Prost em McLaren/TAG Porsche

Quando o Grande Circo voltou ao nosso país, o palco foi o Autódromo do Estoril, que tinha sido inaugurado em 1972. Sendo última prova do calendário e com as contas do campeonato ainda em aberto, o espectáculo estava garantido.


Os dois pilotos da McLaren, Alain Prost e Niki Lauda, eram candidatos ao título. Para ser campeão, Prost teria que vencer a corrida e esperar que Lauda acabasse em terceiro lugar ou abaixo. Alain Prost acabou por vencer, mas Niki Lauda terminou em segundo e garantiu o título por apenas meio ponto.

1985 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Ayrton Senna em Lotus/Renault

Este foi um dos mais marcantes Grandes Prémios em solo nacional, tudo devido às condições climatéricas adversas que se fizeram sentir e a um piloto fora de série que contornou as adversidades e abriu caminho tanto para a primeira vitória da sua carreira como para o início de uma lenda.


Falamos, como é óbvio, de Ayrton Senna, que apesar da chuva forte que caiu durante a prova, obteve uma fantástica vitória com uma volta de avanço sobre o terceiro classificado, com uma condução exímia dadas as condições em que a pista se encontrava. Muitos pilotos não conseguiram terminar a corrida, incluindo Alain Prost  que perdeu o controlo do seu monolugar em plena recta da meta.

1986 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Nigel Mansell em Williams/Honda

O Grande Prémio de Portugal de 1986 foi a décima quarta etapa do calendário, a qual assegurou o título mundial de construtores para a Williams-Honda, através da vitória de

 Nigel Mansell.


Ayrton Senna, após a exibição no Estoril no ano anterior, conseguiu a pole-position com mais de um segundo de diferença para Nigel Mansell, o que levou o público a acreditar que a vitória seria novamente do brasileiro. Mas a realidade foi outra, pois devido a problemas com a embraiagem Senna não conseguiu ir além do quarto lugar.

1987 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Alain Prost em McLaren/TAG Porsche

Destaque para Alain Prost, que conquistou a sua 28.ª vitória e passou Jackie Stewart como o piloto com mais vitórias na Fórmula 1.


A corrida deste ano ficou ainda marcada por uma colisão após a partida, iniciada por Piquet e Alboreto e que envolveu mais sete monolugares.

1988 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Alain Prost em McLaren/Honda

Na partida do Grande Prémio de Portugal de 1988 Ayrton Senna saiu na frente, para grande festa do público. No entanto, ao início da segunda volta, Alain Prost tenta uma ultrapassagem, mas Senna força-o em direcção ao muro, a mais de 280 km/h. Ainda assim, Prost manteve-se firme, não levantou o pé e passou Senna na primeira curva, acabando por ganhar a corrida.


Após a corrida, Prost e Senna trocaram palavras pouco amigáveis devido ao ocorrido e a relação entre ambos nunca mais foi a mesma.

1989 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Gerhard Berger em Ferrari

A Ferrari entrou muito forte no Circuito do Estoril, com Gerhard Berger na liderança da prova. Logo atrás vinha Ayrton Senna, seguido de perto por Nigel Mansell. Tudo estava a correr normalmente até que Mansell, ao fazer uma pit stop, fez marcha-atrás nas boxes e foi desclassificado. Apesar do ocorrido, o piloto ignorou a punição e voltou à pista, ainda em terceiro lugar.


Como se não fosse suficiente, à 48.ª volta colidiu com Ayrton Senna numa manobra de ultrapassagem que lançou ambos os pilotos para fora de pista. Alain Prost, que assim terminou em 2.º lugar, ficou com o seu terceiro título de Campeão do Mundo quase garantido.

1990 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Nigel Mansell em Ferrari

A primeira parte da prova deste ano foi disputada por Mansell, Senna, Prost e Berger. A certa altura Senna seguia na liderança, mas Mansell estava determinado em vencer e pressiona o brasileiro. Para evitar a repetição do episódio do ano anterior, Senna deixa Mansell passar no final da recta das boxes, pois assim evita incidentes e mantém-se à frente de Prost. Em boa hora o fez, pois Mansell estava determinado em vencer a qualquer custo e pouco depois empurra deliberadamente Alliot, que seguia a um ritmo mais lento, contra um muro.


Entretanto Prost consegue ultrapassar Berger e pensa na aproximação a Senna, mas o acidente resultante da disputa entre Alex Caffi e Aguri Suzuki pela nona posição travam as suas intenções. Após o acidente, a direcção de prova interrompeu a corrida quando faltavam 10 voltas para o final, devido aos destroços do Arrows espalhados na pista e pela dificuldade em retirar o piloto italiano dentro do cockpit. Uma vez que já decorria o último terço de prova, a pontuação foi dada por inteiro do primeiro ao sexto classificado.

1991 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Riccardo Patrese em Williams/Renault

Mais um GP de Portugal, mais um episódio a envolver Nigel Mansell. Tudo indicava que o piloto inglês iria vencer a corrida, mesmo após o seu o colega de equipa, Riccardo Patrese, ter saído da pole-position. Na 18.ª volta Mansell assume a liderança, mas quando faz a troca de pneus, ao arrancar, o pneu traseiro direito saiu do eixo e o carro ficou parado na pit-lane.


Os mecânicos fizeram a reparação e Mansell volta ao circuito, mas vinte voltas depois é desclassificado pela direcção de prova, porque a equipa não podia fazer a reparação naquele local. Ainda assim, a Williams vence a corrida com Patrese.

1992 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Nigel Mansell em Williams/Renault

Nigel Mansell pode até ter vencido o Grande Prémio de Portugal de 92 e estabelecido recordes para mais vitórias (9) e mais pontos (108) numa temporada, mas o que marcou a corrida foi sem dúvida o caricato acidente de Riccardo Patrese.


Gerhard Berger abrandou repentinamente para entrar nas boxes e moveu-se para o lado direito da pista, com Patrese logo atrás. O piloto da Williams ainda tentou desviar-se, mas a roda dianteira embateu na traseira do McLaren de Berger e o Williams levantou voo, quase atingindo uma ponte pedestre sobre a pista. Felizmente, Patrese escapou sem ferimentos do acidente.

1993 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Michael Schumacher em Benetton/Ford

Foi no circuito português que Michael Schumacher conquistou a sua única vitória desta temporada, sendo também a segunda vitória da sua carreira.


Esta corrida também ficou marcada pela conquista do campeonato mundial por Alain Prost, que terminou na segunda posição, e pelo acidente de Gerhard Berger, que se despistou à saída das boxes e foi embater nos rails do outro lado da pista.

1994 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Damon Hill em Williams/Renault

Gerhard Berger tinha sido o mais rápido na qualificação e partiu da pole-position, no entanto, a liderança durou apenas sete voltas, quando um problema na caixa de velocidades do seu Ferrari o obrigou a abandonar a prova.


A partir deste episódio a liderança da corrida passou para Damon Hill, que acabou por vencer a corrida. O seu colega de equipa, David Coulthard, fez o segundo lugar e deu a dobradinha à Williams, confirmando a boa forma da equipa.

1995 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: David Coulthard em Williams/Renault

O azar bateu à porta de Ukyo Katayama poucos metros depois de arrancar. O seu Tyrrell embateu no carro de Luca Badoer dando origem a um acidente aparatoso, ficando o monolugar do japonês destruído. Katayama foi levado para o hospital, mas felizmente não sofreu ferimentos graves.


Nesta décima terceira etapa da temporada, destaque também para David Coulthard, que obteve a primeira vitória da sua carreira.

1996 – Autódromo Fernanda Pires da Silva (Circuito do Estoril)
Vencedor: Jacques Villeneuve em Williams/Renault

Jacques Villeneuve foi sem dúvida o Homem da Corrida. O início da prova não correu muito bem ao piloto, no entanto, tudo mudou quando faz uma impressionante ultrapassagem a Michael Schumacher, recupera nove segundos ao seu companheiro de equipa, aproveitando a paragem do mesmo para reabastecer para chegar à liderança.


Este foi o último Grande Prémio de Portugal, que só agora regressa ao nosso país. Esperamos que venha para ficar!

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