O primeiro Ferrari do Avvocato

Clássicos 25 Jul 2020

O primeiro Ferrari do Avvocato

Por Bruno Machado

Faltam palavras para descrever este Ferrari 166 MM. Mas, palavras para quê, afinal? Não vale a pena descrever, comentar ou caracterizar as linhas desta obra de arte automóvel. Isto é simplesmente belíssimo!
 
Quando muito, podemos recordar brevemente a história do 166 e deste em particular: um 166 MM “Barchetta”, chassis #0064, comprado novo em 1950, por Gianni Agnelli.
 
Voltemos então aos primeiros anos da Ferrari. Em 1947 é lançado o primeiro Ferrari, o 125 S. Um carro de corrida, equipado com o famoso V12 1,5 litros concebido por Gioacchino Colombo. Segue-se o 159 S, e em 1948, o 166.

 
Mais do que uma simples evolução destinada à competição, este novo modelo serve também de base para as versões de estrada, pois é com o 166 que a Ferrari começa a produzir automóveis para a estrada e não apenas para as pistas, a realização da carroçaria ficando a cargo de várias casas italianas especializadas, tais como a Allemano, a Vignale, a Pininfarina ou ainda a Touring.
 
É precisamente a interpretação da Touring que nos interessa aqui, e que é apresentada no salão de Turim em Setembro de 1948. Aliás, seria mais correcto dizer “as interpretações”, pois são apresentadas duas versões: o coupé 166 Inter Berlinetta e a “barchetta” 166 MM (Mille Miglia).
 
Uma vez que a denominação dos modelos Ferrari corresponde ao volume de cada cilindro, o 166 sugere logo que o V12 Colombo evoluiu em relação ao 125 S. E de facto, a cilindrada do motor passou dos 1497 cm3 para os 1995 cm3, sendo que a versão MM beneficia de três carburadores Weber, permitindo um aumento da potência para os 140 cavalos (115 para a versão Inter).
 
Este 166 MM é comprado novo, em 1950, por Gianni Agnelli, numa altura em que ainda se encontra em período de formação, sob a tutela de Vittorio Valletta, para ser o futuro grande patrão da Fiat.
 
Dois anos depois, o Avvocato, como era conhecido, vende o seu Ferrari ao Visconde Gery d’Hendecourt que, por sua vez, o vende à Écurie Francorchamps, que o utiliza em competição. Confirmando a vocação desportiva do 166 MM, a equipa vence em 1953 a Coupe de Spa-Francorchamps e o Grande Prémio de Spa, com o belga Olivier Gendebien, futuro recordista de vitórias nas 24 horas de Le Mans (1958, 1960, 1961 e 1962), batido mais tarde pelo compatriota Jacky Ickx. A carreira do 166 MM continua com Jean Blaton a partir de 1957, que vence várias provas na Bélgica e na Dinamarca.
 
Adquirido mais tarde por mais um belga, Jacques Swaters, ex-piloto e entusiasta da marca de Maranello, o 166 MM participa em várias corridas históricas e outros eventos.
 
Em 2012, o 166 MM ex-Agnelli, já conta com 62 anos e já merece um pequeno restauro, que será efectuado pelo seu novo proprietário, Clive Beechemp, respeitando a configuração inicial de 1950 e assim obter o certificado da Ferrari Classiche. O resultado parece ter agradado aos observadores mais atentos, pois o 166 MM #0064, acaba por vencer a Coppa d’Ora Villa d’Este na edição 2015 do famoso concurso de elegância italiano.
 
Gianni Agnelli dizia que nunca iria esquecer o seu primeiro Ferrari. E de facto, ser proprietário de um 166 MM como este, deve ser inesquecível.
 

previous arrowprevious arrow
next arrownext arrow
previous arrownext arrow
Slider

TAGS: Ferrari 166 MM


PARTILHAR:

Deixe um comentário

Please Login to comment