Quadrifoglio Verde: A sorte de conduzir um Alfa Romeo

Clássicos 24 Jun 2020

Quadrifoglio Verde: A sorte de conduzir um Alfa Romeo

Por Bruno Machado

Para muitos, um trevo de quatro folhas é um mero amuleto da sorte. Para os alfistas, um quadrifoglio é símbolo de emoção automóvel, nos circuitos ou na estrada. E é este que nos interessa aqui.

 

A história do automobilismo mostra-nos que a sorte (ou o azar) podem contribuir para o sucesso (ou falta dele) dum piloto. O piloto italiano Ugo Sivocci é um exemplo disso.

 

Com uma carreira iniciada ainda antes da Iª Guerra Mundial, Ugo Sivocci mostra o seu talento, nomeadamente a partir de 1919 ao volante dum CMN, equipa para a qual leva o seu grande amigo e também piloto, um tal Enzo Ferrari. Quando este muda-se para a Alfa Romeo, em 1920, não se esquece do gesto do amigo e retribui arranjando-lhe um lugar na equipa de pilotos da marca milanesa, na qual encontramos igualmente Antonio Ascari.

 

 

Não obstante o talento e alguns resultados assinaláveis, Ugo Sivocci é vítima de uma série de azares, mais frustrantes ainda quando a vitória quase certa lhe escapa por causa de um acidente ou falha mecânica. Ao ponto de ser visto como um eterno segundo. Mas para a Targa Florio de 1923, não esquece nenhum pormenor, nem sequer os menos…técnicos.

 

Já que parece ser vítima do mau-olhado, decide pintar no capot do seu Alfa Romeo RL um quadrado branco com um trevo de quatro folhas no meio, como para reequilibrar as coisas. Coincidência ou não, o certo é que Ugo Sivocci, com o seu quadrifoglio verde pintado na sua máquina, ganha a 14ª edição da Targa Florio, com Ascari a completar a dobradinha para a marca. Tinha finalmente triunfado! O quadrifoglio afastou os problemas; o talento de Sivocci fez o resto!

 

 

Chegamos ao Grande Prémio de Itália, no circuito de Monza. Durante os testes, Ugo Sivocci decide realizar uma série de voltas para avaliar os pneus. Na curva hoje transformada em “Variante Ascari”, o Alfa Romeo nº 17, despista-se causando a morte do piloto. Confirmando-se as virtudes do trevo de quatro folhas, desta vez já não havia quadrifoglio verde pintado no capot.

 

A equipa decide retirar-se da prova. A partir do ano seguinte, o quadrifoglio verde torna-se o símbolo da Alfa Romeo nas competições, e passa a ser representado num triângulo branco, em vez dum quadrado, para simbolizar a ausência de Ugo Sivocci.  

 

O quadrifoglio acompanhou desde então os Alfa Romeo nas pistas com o P2, o Tipo 33, o GTA, bem como inúmeros automóveis de série até aos actuais Giulia e Stelvio.

 

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