Os primórdios do serviço público de transporte colectivo

Arquivos 16 Jun 2020

Os primórdios do serviço público de transporte colectivo

Por José Miguel Mira

No ano de 1661, Blaise Pascal teve a primeira ideia de um serviço público de transporte coletivo, seguindo itinerários, horários e preços estabelecidos antecipadamente. Por conta do preço, o povo apelidou os veículos de “carruagens de cinco sóis” (o sol era uma moeda da época de Luís XIV – O Rei Sol). Essas carruagens transportavam oito pessoas. A inauguração do novo serviço aconteceu no ano seguinte, e o seu primeiro Cliente foi o rei Luís XIV.

A sua utilização durou aproximadamente dez anos, tendo sido abandonado o projecto.

O renascimento do transporte colectivo urbano só aconteceria no século XIX, mais propriamente no ano de 1826, na cidade de Nantes (França), o empresário Stanislas Baudry, proprietário de uma casa de banhos, vulgo balneários, afastada da cidade, via o seu negócio ir de mal a pior, pois os seus prováveis clientes tinham bastantes dificuldades em chegar até lá. Ao saber da existência de um sistema de transporte criado por Etienne Bureau para solucionar uma situação idêntica à sua, Stanislas Baudry pediu ao município autorização para estabelecer um serviço de viaturas entre Richebourg e Salorges, criando assim o transporte colectivo urbano, com o nome de “Omnibus”, renascia então o transporte colectivo moderno, em 10 de Agosto de 1826. Por conta do sucesso obtido, Stanislas Baudry abandonou o seu negócio de banhos, dedicando-se exclusivamente ao transporte colectivo.


Como os seus coches estacionavam à frente da loja de chapéus Omnes, onde havia uma placa com a inscrição “Omnes Omnibus”, que queria dizer em Latim “para todos”, o nome dos veículos foi popularmente instituído como Omnibus. Esta palavra veio dar origem a uma série de outras que significam autocarro, ou seja em português do Brasil ônibus e em inglês apenas bus.

Stanislas Baudry, após ter sido bem sucedido na cidade de Nantes, introduziu em 1828 o mesmo sistema em Paris. Para tal fundou a “Entreprise Générale des Omnibus”. A companhia recebeu autorização para funcionar a partir de 30 de Janeiro de 1828, podendo utilizar no máximo cem viaturas. Apesar da novidade, o que significava a ausência de uma concorrência, e da grande demanda por um serviço deste tipo, a empresa de Baudry tornou-se um desastre financeiro e este, desesperado, acabou por suicidar-se.

Apenas como uma pequena curiosidade, no ano de 1875 a empresa nova iorquina John Stephenson Company construiu talvez o maior omnibus, até hoje feito, o qual recebeu o nome “The Pride of the Nation”, o mesmo foi apresentado e colocado ao serviço na “Centennial International Exhibition” em 1876 em Filadélfia. Era puxado por uma parelha de oito cavalos e levava cerca de 100 passageiros.


Aqui nesta pequena história está apenas os primórdios, depois dos cavalos vieram os cavalos a vapor e até chegar ao motor de explosão há muito mais história pelo meio…



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