Eunos Cosmo JC, o automóvel de produção da Mazda com motor Wankel de três rotores

Clássicos 01 Jun 2020

Eunos Cosmo JC, o automóvel de produção da Mazda com motor Wankel de três rotores

Por Tiago Nova

A Eunos era uma marca de luxo e desportiva criada pela Mazda, no final dos anos 80, juntamente com outras duas, a Autozam e a ɛ̃fini. Teve uma curta vida, operando somente de 1989 a 1996, altura em que as suas operações foram absorvidas pela ɛ̃fini. Como curiosidade, nos concessionários da Eunos também foram vendidos modelos Citroën no Japão.

O Cosmo foi o modelo que estreou os motores Wankel na Mazda, em 1967.  A quarta e última geração do modelo, denominada JC, foi lançada em Fevereiro de 1990 vendida, exclusivamente, sob a marca Eunos, sendo o modelo de topo da gama da marca nipónica, com várias tecnologias estreadas no mesmo.

Com uma carroçaria coupé de duas portas, o interior tem uma configuração de 2+2 lugares e bastante equipamento, pouco comum na época. Muito maior que os seus antecessores, esta geração não beneficiou dos incentivos do governo nipónico e consequentemente ficava mais caro aos seus compradores. O comprimento do Cosmo era de 4.815 mm, a distância entre eixos de 2.750 mm e a largura de 1.795 mm. O peso ronda os 1.570 kg.




O Cosmo JC estava disponível com duas motorizações, mas ambas acopladas somente a uma caixa automática de quatro velocidades com modo desportivo, que envia a potência para as rodas traseiras. O motor 13B-RE Twin-Turbo de dois rotores de 654 cc de cilindrada, perfazendo 1.308 cc, desenvolve 235 cv. O motor de topo e o mais interessante, é o 20B-REW Twin-Turbo de três rotores com a mesma capacidade do 13B, mas agora perfaz uma cilindrada de 1.962 cc e produz 304 cv (apesar de no papel estar limitado a 280 cv devido ao acordo de carvalheiros japoneses) e 403 Nm de binário, tendo 380 Nm logo as 1.800 rpm. Este motor 20B foi o único motor Wankel vendido em modelos de estrada com três rotores e o de maior cilindrada. Ambos os motores Wankel foram os primeiros do mundo a utilizar um sistema sequencial de turbos, utilizando um turbo grande, o HT-15, e um mais pequeno, o HT-10. O turbo mais pequeno gira mais rápido, para evitar o turbo-lag e a partir das 3.500 rpm entra o turbo maior. Os gases do motor são encaminhados para dois escapes, que terminam em quatro, no entanto, enquanto dois estão sempre em funcionamento, os outros dois só abrem quando o pedal do acelerador vai a fundo. 

Cerca de 5.000 Cosmo foram vendidos com o motor 13B-RE dos cerca de 8.875 produzidos no total, o que faz do motor 20B-REW o mais raro.  Estes motores são exclusivos do Eunos Cosmo, não tendo sido aplicados em mais nenhum outro automóvel, sendo ambos bastante raros hoje em dia, mesmo o motor 13B não é o mesmo que equipou o RX-7. A velocidade do Cosmo estava limitada a 180 km/h, segundo as regras impostas pelo governo japonês, mas quando sem o limitador, pode atingir os 255 km/h. Os motores do Cosmo estão limitados às 7.000 rpm, pois a caixa automática não oferece segurança a partir dessa rotação.

Ao nível da suspensão, utilizava triângulos à frente e sistema multilink na traseira. Mas, a suspensão traseira tinha uma particularidade, tinha quatro amortecedores, ao invés dos tradicionais dois, de modo a melhorar o conforte em andamento.


Para além das inovações nos seus motores, o Cosmo também teve outras, como por exemplo, foi o primeiro automóvel com um sistema integrado de navegação por GPS e também o primeiro a ter um sistema de comunicação de dados via wireless Palm.net, entre a centralina do motor e a ECAT, a centralina da caixa automática. No interior, tinha também um ecrã táctil a cores CRT, que dava a possibilidade de o condutor controlar o sistema de climatização, o telemóvel, a navegação, rádio, as músicas dos CD e tinha ainda integrado um sistema de televisão, algo que nem todos os automóveis de hoje trazem de série, mas o Cosmo já o tinha há 30 anos atrás.

Existiam duas versões, o Type S para Sport que era a versão mais desportiva, com uma suspensão mais dura, e o Type E para Elegant, a versão com mais requinte, com interiores em pele e o rádio com CD. Em 1993, aquando do facelift do modelo, com algumas alterações em certos pormenores, o Type S é substituído pelo Type SX, com alguns apontamentos em pele no interior.

O Eunos Cosmo foi vendido somente no Japão, apesar de alguns serem exportados não oficialmente, e com um preço bastante alto, mesmo para os padrões actuais, não tendo a Mazda, até à data, lançado outro automóvel no mesmo patamar de preço, o que fez com que as suas vendas fossem residuais e a produção terminou em Setembro de 1995, acompanhando o fim da marca Eunos. Estava nos planos da marca a exportação do Cosmo para os EUA, sob a marca Amati, que seria uma marca rival da Lexus, Infiniti e Acura no mercado americano, mas com o não lançamento dessa marca, o Cosmo acabou por não ser exportado e só foi produzido com volante à direita.


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