Stirling Moss: O rei sem coroa

Clássicos 13 Abr 2020

Stirling Moss: O rei sem coroa

Por Bruno Machado

São vários os pilotos cujo palmarés não reflecte o real talento e Stirling Moss é exemplo disso mesmo. Até porque ao longo da sua carreira, provou o seu valor em várias modalidades do automobilismo. Percorremos então a carreira de um dos maiores pilotos através de algumas das suas máquinas mais marcantes.

 

Jaguar XK 120

 

 

Além de começar a dar nas vistas na Fórmula 3 e na Fórmula 2, o jovem Stirling Moss vai claramente destacar-se ao vencer o Tourist Trophy, na Irlanda do Norte, ao volante dum Jaguar XK 120 privado. Repetirá o feito no ano seguinte.

 

Jaguar Type C

 

 

Impressionados com o desempenho do jovem piloto, a equipa oficial da Jaguar integra Moss para pilotar o Jaguar Type C a partir de 1951, com o qual chegou a liderar as 24h de Le Mans durante quase 9 horas, estabelecendo ainda a volta mais rápida. Alcança ainda a segunda posição em 1953. Paralelamente, continua a correr em monolugares, nomeadamente na Fórmula 2 com a HWM, em que mede forças com os Fórmula 1 bem mais potentes.

 

Maserati 250 F

 

 

Perante a fraca competitividade das equipas inglesas, Stirling Moss é obrigado a pôr de lado o seu patriotismo e optar pelo novo Maserati 250F para a época de 1954. Apesar de problemas de fiabilidade da máquina italiana, a escolha foi acertada: alcança o terceiro lugar em Spa e mostra o seu talento a todos os observadores ao longo da temporada, nomeadamente a Alfred Neubauer, director desportivo da Mercedes-Benz…

 

Mercedes-Benz W196

 

 

Moss é integrado na equipa oficial da Mercedes-Benz para a época 1955, ao lado do então bicampeão do mundo, Juan Manuel Fangio. O promissor Lancia D50 não chega a impedir o W196 de dominar a época de 1955 com quatro vitórias para Fangio, sendo o Grande Prémio de Inglaterra vencido por Moss perante o seu público.

 

Mercedes-Benz 300 SLR

 

 

O programa da Mercedes-Benz para 1955 inclui ainda várias provas ao volante do 300 SLR com o qual Stirling Moss vence as Mille Miglia, a Targa Florio e o Tourist Trophy. Este domínio fica no entanto manchado pela tragédia das 24 h de Le Mans em que o colega de equipa, Pierre Levegh, se despista, causando a morte de mais de 80 espectadores, quando o Mercedes de Moss e Fangio seguia na frente. A marca retira-se imediatamente da prova e das competições em geral. Moss regressa à Maserati para disputar a época 1956 com o 250F.

 

Aston Martin DBR1

 

 

Depois duma primeira passagem pela Aston Martin em 1956, com quem conquista o 2º lugar nas 24h de Le Mans ao volante dum DB3s, Stirling Moss volta para a equipa inglesa para o campeonato de protótipos em 1958. Nessa época, vence os 1000km de Nürburgring e o Tourist Trophy. Repete as mesmas vitórias em 1959, ano em que liderou a primeira das 24 horas de Le Mans mas é o outro DBR1, de Roy Salvadori e Carroll Shelby, que vence a prova.

 

Vanwall VW5

 

 

Em 1958, ano em que Juan Manuel Fangio deixa a Fórmula 1, Moss é um dos favoritos ao título, tendo a época começado bem com duas vitórias nas três primeiras corridas ao volante do seu Vanwall. Mas quando a Fórmula 1 chega ao Porto, para disputar o Grande Prémio de Portugal, já é Mike Hawthorn que lidera o campeonato. No circuito da Boavista, Moss conquista uma vitória importantíssima na luta pelo título, acabando o seu rival da Ferrari no segundo lugar. Mas este é desclassificado por ter manobrado em contramão quando tentava pôr o seu Ferrari Dino 246 a trabalhar de novo na sequência dum pequeno despiste. Moss intervem a favor de Hawthorn, dizendo que este não circulara na pista mas em cima do passeio. Mike Hawthorn recupera o segundo lugar da prova com os pontos correspondentes e no fim da época sagra-se campeão do mundo. Com o seu fair play, Moss perde o título por apenas um ponto de diferença, enquanto que a sua equipa, a Vanwall, conquista o primeiro campeonato de construtores.

 

Lotus 18 F1

 

 

Moss convence Rob Walker, para quem começara a correr em 1959, de adquirir o Lotus 18 para suceder aos Cooper, cuja caixa de velocidades mostrara-se bastante frágil. Em 1960 ganha o Grande Prémio do Mónaco e dos Estados Unidos e na época seguinte, repete o triunfo nas ruas do Mónaco e vence no Nürburgring, contra os Lotus oficiais e os Ferrari mais potentes. 

 

Maserati Birdcage

 

 

Além do Lotus 18 na Fórmula 1, Stirling Moss disputa várias corridas ao volante do Maserati Birdcage, cujo nome vem do facto do chassis tubular (multi-tubular, aliás) fazer lembrar uma gaiola de pássaros. No entanto, foi ao volante dessa “gaiola”, inicialmente com 200 cavalos, que venceu provas como os 1000km de Nürburgring, ou o Grande Prémio de Cuba.

 

Ferrari 250 GT SWB

 

 

Em 1960 e 1961, é com um Ferrari 250 GT SWB (chassis 2119 GT) que Stirling Moss vence o Tourist Trophy. Para Moss, o melhor carro desportivo da altura. Com um V12 de 280 cavalos, permitia, segundo o próprio, “ir até ao circuito, competir (ganhar a prova) e depois regressar a casa”. É também com este Ferrari que Moss vence a sua última corrida, no Nassau Tourist Trophy, antes do seu acidente em Goodwood em 1962.

 


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