Ferrari 246 P, o primeiro Fórmula 1 de motor central da casa italiana

Competição 12 Abr 2020

Ferrari 246 P, o primeiro Fórmula 1 de motor central da casa italiana

Por Tiago Nova

O Ferrari 246 P F1 foi uma espécie de protótipo de testes da Scuderia Ferrari, de modo a testar a nova configuração de motor central, visto que Enzo Ferrari não concordava com esta disposição, sendo este o primeiro Ferrari com o motor montado atrás do condutor. Em certas referências da época, era indicado que este automóvel tinha motor traseiro, mas tal não é correcto. Como curiosidade, a letra P no nome, significa Protótipo e o 246 significa que tem uma cilindrada de 2,4 litros e seis cilindros.

 

Na concepção do 246 P estiveram dois grandes nomes da época, Vittorio Jano e Carlo Chiti, resultando num chassis tubular em aço e carroçaria em alumínio. Utiliza suspensão de triângulos sobrepostos e amortecedores telescópios em ambos os eixos, com barra estabilizadora na frente e molas coaxiais na traseira. O peso do automóvel é de somente 452 kg e utiliza jantes de 16” da Borrani.

 

O 246 P utiliza o motor Dino V6 a 65 graus Tipo 171 de 2.417 cc e só competiu no Grande Prémio do Mónaco, em 1960, pelas mãos de Richie Ginther, terminando na sexta posição. Chegou a ir ao Grande Prémio da Holanda, mas devido ao seu motor não ser revisto há muitos tempo, este começou a perder óleo e não chegou a passar dos treinos. O motor, com uma taxa de compressão de 10:1, cárter seco, três carburadores duplos Weber 42 DCN, duas válvulas por cilindros e duas árvores de cames em cada cabeça, desenvolve 263 cv às 8.300 rpm e está acoplado a uma caixa Ferrari 543 de cinco velocidades manuais, com diferencial autoblocante.

 

Após a FIA anunciar o limite de cilindrada nos Fórmula 1 para os 1,5 litros, em 1961, o 246 P foi transformado para a regulamentação de Fórmula 2, passando a equipar um motor 1,5 litros de cilindrada e mudando o nome para Ferrari 156 P F2, para assim testar o novo motor. Nesta configuração, o motor utiliza três carburadores duplos Weber 38 DCN e tem uma taxa de compressão de 9.8:1, produzindo 185 cv às 9.200 rpm. O automóvel tornou-se mais leve e a carroçaria recebeu melhoramentos. Competiu no Grande Prémio de Itália, com o piloto Wolfgang Von Trips, alcançando o quinto posto. Para além deste, competiu ainda no Grande Prémio de Solitude, onde venceu no meio dos Porsche, e no Grande Prémio de Modena. Durante as provas em que alinhou, utilizou combustíveis Shell e pneus Dunlop.

 

Infelizmente, este chassis, com o número 008, foi transformado num dos primeiros 156 F1 de 1961. Após esse ano de desenvolvimento, foi desmantelado e as peças utilizadas como suplentes para outros automóveis.

 

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